Mais de 1 milhão de iraquianos mortos durante ocupação

A empresa britânica de pesquisas ORB revelou na última semana que o total de mortes iraquianas no país desde a invasão em março de 2003 já ultrapassou a cifra de um milhão de pessoas.

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A empresa britânica de pesquisas ORB revelou na última semana que o total de mortes iraquianas no país desde a invasão em março de 2003 já ultrapassou a cifra de um milhão de pessoas.

Por Vermelho

De acordo com a ORB, o Iraque ocupado, com uma estimativa de 1,2 milhões de mortes violentas, tem uma taxa de morticínio que “excede o genocídio de Ruanda em 1994” (que teve 800 mil mortes), com outro milhão de pessoas tendo sido feridas e mais de dois milhões de refugiados internos e externos.

O ORB (Opinion Research Business), que realiza pesquisas no Iraque desde 2005, fez a sondagem consultando 1.461 adultos por todo o país. Entre outras questões, perguntou “Quantos membros da sua casa, se algum, foram mortos em resultado do conflito no Iraque desde 2003 (em resultado da violência e não por causas naturais)?

De todas as respostas, 78% disseram que nenhuma morte violenta foi registrada em sua moradia, enquanto 16% tiveram uma morte, 5% afirmaram terem perdido duas pessoas e 1% acima de 3 pessoas. Comparado com os números totais de moradias no país (Cerca de 4.050.597 de acordo com o censo de 2005), isso representa aproximadamente 1,2 milhões de mortes.

O pior resultado foi obtido em Bagdá, onde cerca de metade dos pesquisados disseram que ao menos uma morte violenta ocorreu com pessoas de suas casas. A taxa de óbitos na província de Diyala (cuja capital é Baqba) foi de 42% e na província de Nínive (Mosul como capital) chegou a 35%.

A pesquisa descobriu também que 48% das mortes violentas ocorreram a ferimentos causados por tiros, 20% a carros-bomba, 9% a bombardeio aéreo, 6% a outras explosões de armamentos e 6% a acidentes.

De acordo com o texto, a taxa de mortes por bombardeio aéreo é particularmente notável, porque passam de 100 mil mortes, que foram completamente esquecidas pela mídia americana. “Isso ocorre, indubitavelmente, porque somente as forças de ocupação britânicas e americanas são as únicas equipadas com helicópteros e caças”, afirma o documento.

A pesquisa da ORB revela um número bastante superior ao publicado pela mídia ocidental, pelo governo iraquiano instalado pelos EUA ou pelas Nações Unidas. Mas é coincidente com uma pesquisa de saúde pública realizada pela revista médica britânica The Lancet, que estimou, há 18 meses, a taxa de óbito em mais de 665 mil iraquianos.

A estimativa da Lancet foi negada pelos governos dos EUA e do Iraque e desqualificada pela mídia americana. A pesquisa divulgada na semana passada pela ORB deve ter o mesmo destino. O estudo foi comentado de passagem nos diários americanos na última sexta-feira (14), principalmente por Los Angeles Times e Boston Globe, enquanto New York Times e Washington Post apenas citaram os números, sem maiores destaques.

Nenhuma das cadeias de televisão, em seus noticiários de sexta-feira, mencionaram o estudo da ORB.

O Opinion Research Business não é um grupo de esquerda ou anti-bélico. Foi fundado em 1994 por Gordon Heald, que chefiou o Gallup Britânico de 1980 a 1994. Seus clientes vão desde a gigantesca mineradora Anglo American e Banco da Escócia ao Partido Conservador britânico. Um dos diretores da ORB é Geoffrey Martin, atualmente consultor especial da Secretaria Geral de Relações Estratégicas da Comunidade Britânica.

A pesquisa da ORB foi baseada em entrevistas diretas, conduzidas entre 12 e 19 de agosto entre 1.729 adultos de todo o Iraque (dos quais somente 1.461 responderam a suas questões), com uma margem de erro de 2,4%. Realizada em 15 das 18 províncias do Iraque, a pesquisa foi feita de modo randômico.

Por razão de segurança, nenhuma pesquisa foi feita nas províncias de al-Anbar e de Karbala, ou na província de Irbil, onde as autoridades curdas se recusaram a permitir entrevistas de campo. Al-Anbar e Karbala são os mais sangrentos campos de combate da resistência contra a ocupação, enquanto Irbil é o mais pacífico. “A exclusão das três provínciais talvez tenha levado a subestimar o total de mortes, e não a exagerá-lo” afirma o estudo.

A pesquisa da ORB foi revelada no mesmo dia que o presidente dos EUA, George W. Bush, apareceu em cadeia nacional de tevê e rádio para falar das condições da ocupação no Iraque, iludindo o seu público com afirmações de que a vida no país está “voltando ao normal”. “Os assassinatos sectários estão diminuindo e a vida está começando a normalizar”, disse ele.

Vermelho



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