Presença da Polícia Militar impede piquete na USP

Líderes dos trabalhadores entendem que a ação tem a intenção de impedir a ação sindical dentro da universidade

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Líderes dos trabalhadores entendem que a ação tem a intenção de impedir a ação sindical dentro da universidade

Por Camila Souza Ramos

A Polícia Militar paulista está há 12 horas na frente do prédio da Reitoria da USP impedindo o piquete que estava sendo realizado pelos funcionários da universidade desde o dia 27 da maio. As duas fileiras de soldados da Força Tática da PM estão cumprindo uma liminar expedida pela juíza Maria Fernanda de Toledo Rodovalho, da 3ª Vara de Execuções, em razão de um pedido judicial de reintegração de posse do prédio da Reitoria. A polícia chegou uma hora antes do horário em que os funcionários planejavam iniciar o piquete.

A greve dos funcionários da USP estende-se já por 29 dias. Houve duas rodadas de negociações, uma entre o Fórum das Seis (fórum que reúne as seis entidades representativas dos servidores das três universidades estaduais de São Paulo) e Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e outra entre os funcionários da USP com a reitoria, no dia 26.

No dia 25, estudantes das três universidades estaduais entraram por trás do prédio da Reitoria. No dia, haveria uma segunda reunião entre o Fórum das Seis e o Conselho dos Reitores, mas o Cruesp negou-se a aceitar a participação de Claudionor Brandão na reunião. Um dos íderes do Sindicato dos Trabalhadores da USP (SintUSP), foi demitido em 2008 por justa causa após dois processos administrativos que o acusavam de depredar o bem público. “Nas duas ocasiões, Brandão estava agindo como líder sindical, ele estava fazendo piquete, que é um direito constitucional”, afirma Magno Carvalho, um dos diretores do SintUSP.

O primeiro processo acusava-o de impedir a entrada de funcionários na biblioteca da FAU durante o período de greve. Segundo o sindicado, os funcionários estavam sendo ameaçados pelo diretor da unidade, Silvio de Barros Sawaya. Ele nega a acusação. No segundo processo, Brandão é acusado de depredação do bem público, assim como outros diretores do SintUSP e estudantes, por conta da ocupação do prédio da Reitoria em 2007. A Reitoria alega que na época muitos objetos que se encontravam dentro do prédio foram encontrados danificados. Os estudantes e funcionários acusam a Reitoria de ter plantado falsas provas de vandalismo para incriminá-los.

Um dia após a reunião com os funcionários sobre suas pautas específicas, a Reitoria entrou na Justiça com uma ação de reintegração de posse. Na liminar, a juíza Maria Rodovalho argumenta que “não se trata aqui de impedir o movimento paredista. A proibição é inconstitucional, porque o direito de greve é garantido na Carta da República. No entanto, nem mesmo o direito de greve dá aos grevistas o direito de se apossar de prédios públicos”.

Já a assessoria de imprensa da Reitoria afirma que a ação é “para não ocorrer piquete novamente”. Em nota à imprensa, a Reitoria “lamenta que, mais uma vez, a ação isolada de um grupo de servidores tenha causado sérios transtornos ao adequado funcionamento da Universidade, pelo impedimento dos servidores e da Administração Central de entrarem em seu local de trabalho”. O SintUSP nega que a ação seja isolada e ainda acusa as diretorias do Centro de Práticas Esportivas (CEPEUSP) e da Coordenadoria de Assistência Social (Coseas) de ameaçarem seus funcionários para que não adiram à greve.

Já os diretores do sindicato entendem que a ação tem a intenção de impedir a ação sindical dentro da universidade. O deputado estadual Carlos Gianazzi (PSOL) esteve presente na manhã de hoje e afirmou que a medida “representa um retrocesso de 40 anos em nossa história”. “O piquete é algo totalmente legítimo e legal, porque faz parte da organização sindical. Essa é uma greve como todas as outras de outros trabalhadores”, disse. “Não faz sentido chamar a PM para fazer reintegração de posse se não está tendo invasão ou ocupação”. O deputado afirmou que contatará a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo denunciando a criminalização do movimento sindical dentro da USP e pedirá uma audiência pública para questionar a reitora Sueli Vilella por suas ações contra o movimento sindical e estudantil principalmente após a ocupação em 2007.

Aníbal Cavali, do SintUSP, entende que “a reitora Sueli mais uma vez dá uma demonstração de covardia”. Aníbal se refere à ameaça da entrada da Tropa de Choque da PM no campus durante a ocupação do prédio da Reitoria em 2007.

O comandante da ação policial, o tenente-coronel Claudio Miguel Longo, garantiu que não haverá nenhuma ação repressora da PM. Questionado do porquê da ausência de identificação no colete dos policiais, o comandante afirma que essa é uma postura de praxe. “Todos têm plaqueta, mas ela fica debaixo do colete para evitar que algum tiro que atinja a placa rebata no olho do policial”, justificou. Não se via nenhum funcionário ou estudante portando armas que pudessem oferecer esse risco aos policiais durante a manhã de hoje. Mesmo assim, o comandante garantiu. “O que for feito aqui é de minha responsabilidade. Não existe ação individual, só ação coletiva”.



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2 comments

  1. Mairowsky

    “a assessoria de imprensa da Reitoria afirma que a ação [de reintegração de posse] é “para não ocorrer piquete novamente” Como é possível que haja uma reintegração de posse preventiva? Um juíz pode conceder tal coisa apoiado na lei? (desculpe, não entendo do assunto)

  2. Mairowsky

    “a assessoria de imprensa da Reitoria afirma que a ação [de reintegração de posse] é “para não ocorrer piquete novamente” Como é possível que haja uma reintegração de posse preventiva? Um juíz pode conceder tal coisa apoiado na lei? (desculpe, não entendo do assunto)

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