Coreia do Norte, entre os mísseis e a sucessão

Analistas especulam que ensaios militares norte-coreanos são uma demonstração interna de poder de Kim Jong-il, que quer designar o filho mais novo como sucessor, em vez do mais velho

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Analistas especulam que ensaios militares norte-coreanos são uma demonstração interna de poder de Kim Jong-il, que quer designar o filho mais novo como sucessor, em vez do mais velho

Por Esquerda.net [02.06.2009 18h58]

O governo de Seul diz que a Coreia do Norte prepara mais testes de mísseis de médio e longo alcance. Ao mesmo tempo, a Rússia e a China endurecem as posições contra o regime de Pyongyang, mais do que o habitual, embora ainda não se tenham pronunciado sobre sanções. Alguns analistas especulam que na origem dos ensaios militares estará uma demonstração interna de poder do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-il, que quer designar o filho mais novo como sucessor, em vez do mais velho.

Um deputado sul-coreano relatou que Pyongyang transferiu um míssil de longo alcance para uma plataforma de lançamento no litoral oeste do país. Outras fontes teriam informado que ao menos três mísseis de médio alcance foram vistos na costa leste. Os três ou quatro projéteis localizados no leste poderiam ser modelos Rodong de médio alcance, já testados anteriormente pela Coreia do Norte. Por outro lado, um soldado americano confirmou que um míssil balístico intercontinental capaz de atingir os Estados Unidos está a ser preparado numa base na costa oeste.

Na Coreia do Sul, as tropas estão em alerta máximo, e um navio de alta velocidade, equipado com mísseis guiados, foi enviado à costa ocidental, onde Pyongyang fez exercícios anfíbios. Em comunicado, a marinha sul-coreana afirmou que o navio está a preparar-se para “frustrar intenções provocatórias navais da Coreia do Norte e destruir o inimigo em caso de ameaças”.

Recorde-se que a Coreia do Norte fez um teste nuclear a 25 de Maio e ensaiou o lançamento de vários mísseis nos dias que se seguiram. O Conselho de Segurança da ONU analisa a possibilidade de adoptar medidas punitivas às acções recentes de Pyongyang, defendidas pelos EUA e pelo Japão. A China e a Rússia têm sido mais moderadas, embora tenham endurecido o seu discurso contra a Coreia do Norte mais do que é habitual.

A China, um dos poucos países com quem Pyongyang mantém relações diplomáticas, informou hoje a anulação da visita da vice-presidente do Parlamento, Chen Zhili, à capital norte-coreana. Pequim não especificou se a decisão é uma consequência directa do ensaio de 25 de Maio. Por outro lado, a Rússia também veio declarar que “é inadmissível ignorar as decisões do Conselho de Segurança da ONU relativas aos regimes de não proliferação”.

Alguma imprensa internacional especula que na origem das recentes operações militares norte-coreanas estará uma tentativa de demonstração de poder do actual líder Kim Jong-il, inserindo-se numa estratégia de Kim para consolidar o apoio ao regime no círculo do poder e na população. Kim pretenderia assim mostrar ao aparelho do poder norte-coreano que continua a deter as cartas para decidir, nomeadamente, sobre a questão da sucessão. Segundo responsáveis sul-coreanos e norte-americanos, o “número um” norte-coreano, no poder desde 1994, foi acometido de um ataque cardíaco em meados de Agosto, embora tenha recuperado e continue a deter o poder.

E é sobre a questão da sucessão que recai a dúvida. De acordo com os jornais sul-coreanos, a informação sobre a escolha do sucessor de Kim Jong-il teria sido divulgada aos diplomatas e outros órgãos do Governo de Pyongyang logo após o teste nuclear de 25 de Maio. E o sucessor indicado teria sido Kim Jong-un, o filho mais novo de Kim Jong-il, com 24 anos. Uma decisão que se revela algo surpreendente, dado que Kim Jong-un não era referido pelos analistas como o mais bem colocado para suceder ao pai, sendo o favorito o irmão mais velho, Jong-nam, de 37 anos.

“Há uma ligação significativa entre as recentes provocações militares da Coreia do Norte e as questões da sucessão”, comentou à Reuters Lee Dong-bok, especialista nas tácticas negociais de Pyongyang.

Do Esquerda.net.



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