Saramago contra a “coisa Berlusconi”

O escritor entra na última polêmica que envolve Berlusconi, acusado de organizar orgias usando voos pagos pelos contribuintes italianos para transportar os convidados

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O escritor entra na última polêmica que envolve Berlusconi, acusado de organizar orgias usando voos pagos pelos contribuintes italianos para transportar os convidados

Por Redação

“Uma coisa perigosamente parecida com um ser humano, uma coisa que dá festas, organiza orgias e manda num país chamado Itália.” Assim arranca o artigo de Saramago, que é um apelo à revolta dos italianos contra o líder do governo e se intitula “A coisa Berlusconi”. “Esta coisa, esta enfermidade, este vírus ameaça ser a morte moral do país de Verdi se um vômito profundo não o conseguir arrancar da consciência dos italianos, antes que o veneno acabe corroendo as veias e acabe destroçando o coração de uma das mais ricas culturas europeias”, alerta o Nobel da Literatura português que há poucas semanas viu a sua editora italiana, propriedade do grupo mediático de Berlusconi, recusar publicar O Caderno, o livro que reúne textos publicados no seu blogue.

“Na terra da Máfia e da Camorra, que importância pode ter o fato provado de que o primeiro-ministro seja um delinquente?”, perguntava o escritor, numa passagem do livro que no fim de maio lhe valeu o fim de uma relação editorial com vinte anos. Saramago disse então estar “aliviado” por deixar de contribuir para a fortuna de Berlusconi. No artigo deste domingo, Saramago diz que “pior do que desobedecer às leis, é mandar fabricá-las para salvaguardar os seus interesses públicos e privados, de político, empresário e acompanhante de menores”.

O escândalo da publicação no El País de algumas fotos das alegadas orgias de Berlusconi sucede poucas semanas depois de se ter revelado a sua ligação a uma menor, o que deu origem ao pedido de divórcio por parte da sua segunda mulher. Veronica Lario disse que não ia ficar casada com um homem “que frequenta menores”.

As fotos de Antonello Zappadu foram apreendidas pela Justiça italiana, alegando violação da privacidade, e apenas sete foram publicadas até ao momento em Espanha. Mas a imprensa diz que há 300 fotos das festas de verão e outras tantas do fim do ano, altura em que modelos e apresentadoras de televisão se juntaram a políticos e homens de negócios italianos e estrangeiros na Villa Certosa, em Porto Rotondo. Apesar do fotógrafo ter apagado as faces dos convidados, há pelo menos um que já assumiu a identidade: o antigo primeiro-ministro checo Mirek Topolanek, que foi fotografado completamente nu junto à piscina, mas diz que se trata de uma “montagem”.

Berlusconi já avisou que vai processar o El País, que por sua vez se defendeu em editorial. “O que Berlusconi põe em jogo é o futuro da Itália como Estado de direito. E uma Itália que deslize pelo caminho pelo qual está a ser arrastada por Berlusconi não é só um motivo de preocupação para os italianos, mas para todos os europeus”, diz a direcção do principal diário espanhol.

Por Esquerda.net.

Leia mais: Editora de Berlusconi recusa livro de Saramago.



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