Imprensa e empresas assumem pontos fracos

Muitos profissionais confundem os projetos sociais das empresas com o processo de sustentabilidade que elas implantam, afirma editora de O Globo

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Muitos profissionais confundem os projetos sociais das empresas com o processo de sustentabilidade que elas implantam, afirma editora de O Globo

Por Fabrício Ângelo

Na segunda parte do debate, Nemércio Nogueira, diretor de assuntos institucionais da Alcoa América Latina e Caribe, questionou Amélia Gonzáles, editora do suplemento Razão Social do jornal O Globo, sobre a falta de conhecimento de alguns jornalistas que cobrem a temática sustentabilidade. Segundo ele, muitos profissionais confundem os projetos sociais das empresas com o processo de sustentabilidade que elas implantam.

“Percebo que falta um pouco de sensibilidade nas perguntas dos repórteres que cobrem a área. Entendo que a mídia precisa preparar melhor seus profissionais para lidar com a questão, mas será que isso está acontecendo?”, colocou Nogueira. Amélia concordou com a colocação, mas cobrou mais transparência das companhias no acesso aos dados. “Balanços financeiros ou atividades insustentáveis são uma espécie de tabu para elas. Dificilmente conseguimos abrir essa “caixa preta” empresarial”, lembrou.
Para a jornalista, a dificuldade de produzir um trabalho de maior profundidade começa neste ponto. “É muito fácil para a empresa falar sobre seus projetos sociais ou ambientais, mas quando o assunto pode prejudicar sua imagem, ela (empresa) não se manifesta, daí a dificuldade”, comentou.

Em sua resposta à jornalista de O Globo, Nogueira observou que, por depender de imagem, uma indústria como a Alcoa não pode divulgar tudo o que acontece em sua esfera. “Dependemos de investidores e consumidores e é preciso que nos resguardemos de coisas prejudiciais, até porque pela lei não podemos abrir todo o nosso balanço financeiro”.

O diretor da Alcoa apontou que a imprensa trabalha muito com hipóteses, o que não é uma prática no meio empresarial. “Só posso divulgar algo que aconteceu e não quais as prováveis conseqüências de algum fato isolado”, afirmou . Ainda assim, na opinião dele, a relação entre empresas e imprensa melhorou muito nos últimos 20 anos, uma vez que a sociedade cobra a transparência das ações das companhias e a melhor forma de se fazer isso é por meio da imprensa.

De acordo com Alexandre Mansur, editor de ciência e tecnologia da revista Época, o jornalismo vive um momento em que a sustentabilidade se torna pauta importante e os jornalistas estão cada vez mais bem preparados para desenvolvê-las. Essa realidade, segundo ele, expõe a vulnerabilidade das empresas. Citou como exemplo, o caso da produção de energia no Brasil, que é “cantada aos quatro cantos do mundo como proveniente de fonte natural e renovável”. Em sua opinião, isso vai acabar, e quando isso acontecer, será que a CPFL poderá dizer com transparência que a energia que consumimos vem de fontes limpas e renováveis, perguntou o jornalista, dirigindo-se ao representante da empresa, Augusto Rodrigues.

Rodrigues admitiu que, apesar da empresa trabalhar com 100% de energia limpa, ainda é impossível saber de toda a sua procedência, já que muitas vezes são adquiridos estoques de energia leiloados pela Aneel. “Por isso fica impossível dizer que trabalhamos integralmente com energia proveniente de fontes naturais, pois não sabemos de onde vem esse produto fornecido pela Aneel”, comentou.

De acordo com a jornalista Amália Safatle, editora da revista Página 22, a cobertura feita pela imprensa sobre o tema da sustentabilidade é um desafio diário, pois as redações precisam fazer com que os jornalistas se interessem pela temática. “A sustentabilidade é um tema amplo e muitas vezes especializado, que trabalha com todos os assuntos. Os profissionais da comunicação precisam produzir matérias mais profundas, mas que não estejam restritas a um público especifico”, finalizou.

(Agência Envolverde)



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