Presidente da Alemanha ataca o capitalismo financeiro

Horst Köhler, que já foi director do FMI, ataca com severidade a indústria financeira e exige consequências drásticas.

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Horst Köhler, que já foi director do FMI, ataca com severidade a indústria financeira e exige consequências drásticas.

Por João Alexandrino Fernandes, de Tübingen

Na sua edição de 29 de Abril o diário Frankfurter Allgemeine Zeitung noticiava que o presidente da Alemanha, Horst Köhler, tendo como pano de fundo a crise provocada pelas dívidas na União Monetária Europeia, atacou com severidade a indústria financeira. Köhler reconheceu que o capitalismo financeiro não pode continuar a constituir um ideal e exigiu consequências drásticas.

No encontro da Cimeira Econômica de Munique, realizado nos passados dias 29-30 de Abril, Horst Köhler afirmou que o moderno capitalismo financeiro aumenta os seus próprios ganhos, sem considerar se este aumento é útil para a prosperidade das nações. Köhler incitou os governos europeus a estabelecer regras estritas e a proibir algumas formas de negócios: “A indústria financeira internacional, com as assim chamadas inovações financeiras, impulsionou os seus ganhos para níveis vertiginosos, sem se perguntar pelos riscos que daí advinham”, disse Köhler. “Os ganhos resultaram em proveito de poucos e os prejuízos têm que ser pagos pela comunidade”, criticou ainda o presidente da Alemanha, acentuando também que “o capitalismo financeiro dominante não pode continuar a ser um ideal, porque se baseia principalmente no crédito e em apostas”.

As palavras do presidente da Alemanha são tanto mais relevantes quanto mais se tiver em consideração, por um lado, o cargo que ocupa e por outro, que Horst Köhler é membro da CDU desde 1981 e antes de se ser presidente da Alemanha, cargo para o qual foi eleito em 2004 e reeleito em 2009, trabalhou sempre na área financeira, foi presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, em Londres e, posteriormente, a partir de 2000, sob proposta do antigo chanceler Gerhard Schröder, desempenhou as funções de director executivo do FMI em Washington.

Não sendo, portanto, Horst Köhler nem como político, nem como economista alguém que possa ser conotado com um qualquer posicionamento à esquerda, nem apresentando a assembleia à qual se dirigiu uma qualquer semelhança, por mínima que fosse, com um fórum social, é significativo que, com a sua crítica ao desenvolvimento da indústria financeira, implicitamente admita, que aquilo que hoje em dia sucede nos tão eufemisticamente chamados “mercados financeiros” não passa da execução sistemática de um procedimento de pilhagem à escala global, que já nada tem que ver com processos económicos e muito menos com o bem-estar das nações.

Horst Köhler exigiu “consequências drásticas para bancos e investidores”. Entre outros devem, na sua opinião, ser, por exemplo, proibidos os negócios financeiros nos quais a relação entre o investimento inicial de capitais próprios e a expectativa de ganhos especulativos que daí possam derivar, com o inerente risco associado, é tão desproporcional que qualquer pequena variação das condições iniciais assumidas pode também conduzir a perdas desproporcionais. “Precisamos de defesas contra estas armas de destruição massiva”, disse Köhler, afirmando ainda que “todas as formas de negócios financeiros têm que voltar a ser provisionadas com capital suficiente e que nenhum interveniente financeiro deve ser grande demais para não poder falhar”, ou seja, para, se fôr o caso, poder falir sem ter que ser apoiado através dos recursos financeiros dos Estados. Köhler pronunciou-se também a favor de uma taxa fiscal sobre as transacções financeiras internacionais, para fazer participar este ramo nos custos da crise.



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1 comment

  1. Siqueira

    pois é, tem toda a razão o Pres.Alemão.Meses atrás Lula já tinha feito discurso semelhante Eles devem unir força e buscar outros apoios para, de fato, criar mecanismos que inibem a festa desses especuladores financeiros.

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