EnconASA mobiliza semi-árido brasileiro

Desde segunda-feira, 22, em Juazeiro, na Bahia, ocorre o VII Encontro Nacional da Articulação do Semi-Árido Brasileiro (EnconASA) que este ano tem como tema ASA -10 anos Construindo o Futuro e Cidadania no Semiárido.

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Desde segunda-feira, 22, em Juazeiro, na Bahia, ocorre o VII Encontro Nacional da Articulação do Semi-Árido Brasileiro (EnconASA) que este ano tem como tema ASA -10 anos Construindo o Futuro e Cidadania no Semiárido.

Por Moriti Neto, de Juazeiro (BA) [25.03.2010 12h07]

Na abertura, na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), dez delegações – de nove estados nordestinos e também de Minas Gerais – foram apresentadas. Uma mesa foi composta com a presença de representantes da ASA, movimentos sociais, poder público e sociedade civil.

O coordenador executivo da ASA, Naidison Baptista, mencionou a importância das parceiras feitas ao longo de uma década. Segundo ele, poucas realizações teriam sido alcançadas sem os apoios e parcerias com associações e movimentos.

Baptista resgatou a criação da ASA quando, em plena vigência da política de combate à seca, a articulação era criticada por acreditar e defender a convivência com o semiárido. “Na época em que lançamos a ideia do programa um milhão de cisternas, fomos chamados de loucos. Hoje, embora haja muita luta para ser feita ainda, podemos mostrar, nacionalmente, a imagem do semiárido com vida e não com carcaças de animais no chão, de agricultores e agricultoras colocados como incapazes de se sustentar”, observou.

Igor Arsky, representante do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), ressaltou o trabalho das equipes das Unidades Gestoras Territoriais (UGT’s) e Unidades Gestoras Microrregionais (UGM’s), pedreiros, comissões, agricultores, governo, sociedade civil e todos que contribuem para a execução dos trabalhos e viabilização dos programas da ASA, principalmente as cisternas, que já tiveram boa parte instalada.

Caminhada, feira e cultura

Na terça-feira, 23, houve debates sobre modelos de desenvolvimento e uma caminhada que destacou as lutas no semiárido. Reivindicando desenvolvimento sustentável e igualdade de oportunidades no território, mais de quatro mil pessoas percorreram as ruas do centro de Juazeiro.

Ao término da marcha, foi aberta a Feira de Saberes e Sabores, com barracas e produtos típicos de todos os estados presentes ao evento. Itens diversos, produzidos com métodos de agricultura familiar, agroecologia e tecnologias sociais, foram expostos durante a Noite Cultural, que mostrou elementos artísticos regionais.

Experiências

Na quarta, 24, as delegações viajaram a vários municípios e distritos da Bahia para conhecer experiências de economia solidária, agricultura familiar, fundo rotativo, educação contextualizada, auto-organização de mulheres, entre outros. Ao todo, foram 14 projetos visitados.

Nesta quinta, 25, na Univasf, a manhã é de oficinas baseadas nas experiências vivenciadas pelos participantes. Já à tarde, haverá um debate sobre Estado e sociedade civil, enfatizando as relações e papéis de ambos.

Amanhã, sexta, 26, também na Universidade, acontecerá o encerramento do EnconAsa. Um balanço será realizado e as propostas encaminhadas serão discutidas para que novas ações sejam pensadas como políticas públicas.



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1 comment

  1. DEISE RAMOS

    É importante que a populaçao dos estados brasileiros entenda, que aqui não se persiste mais a idéia de combate a seca ou seja àquelas onde só aparece mulheres com latas d‘água na cabeça e com inúmeros filhos , muitos,com caracteristicas de desnutriçao, hoje convivemos com ela. Havendo assim uma reproduçao das políticas coronelistas, cardelistas ou pflistas fazendo da política um curral onde o voto é de cabresto. Por isso, sem tirar o mérito do governo federal, a ASA deu asas a populaçao do semiárido e vem conseguindo mudar todo o processo histórico e geográfico da região, a medida que, através da implantação de cisternas para captar água da chuva, a familia beneficiada não precisa mais ficar sob tutela dos maus politicos que aqui os representam. Ora, muda-se toda uma cadeia de dominação, seja ela politica, econômica ou social, porque aqui não falta água (saibam disso!) o que faltava aqui era um bom gerenciamento dos recursos hidricos. É por isso que nós do Semi – árido comemoramos juntos com a ASA , esse novo projeto de desenvolvimento, pois afirma nossas identidades além de estarmos integrados com a natureza, não e precisamos comer fast-food todo dia, porque temos: umbu,caju,cajá, galinha caipira, farinha, bode e digo mais, pessoas resilientes e felizes. É logico que ha ainda muito por fazer, acredito que a desigualdade social é um problema que precisa ser resolvido assim como a valorização dos produtos desenvolvidos e comercializados aqui e sem dúvidas a efetiva aplicação dos recursos públicos àquilo que foi destinado respeitando alguns principios constitucionais como a legalidade e a moralidade. Portanto, caminhamos para um futuro mais articulados e desejosos de que os proximos governantes sejam de fato, representantes de um povo forte, capaz e alegre. Parabens a ASA que acreditou na nossa resiliência!

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