Protesto no FSU por cidades mais justas

No primeiro dia do Fórum Social Urbano, cerca de 500 participantes caminharam da Candelária até os armazéns da zona portuária

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No primeiro dia do Fórum Social Urbano, cerca de 500 participantes caminharam da Candelária até os armazéns da zona portuária

Por Natasha Pitts 

As constantes demandas de organizações da sociedade civil por espaço para debater os problemas urbanos de suas cidades deu origem ao Fórum Social Urbano (FSU). O evento, que teve início ontem e segue até sexta-feira (26), no Centro Cultural da Ação da Cidadania Contra a Fome, zona portuária do Rio de Janeiro, tem como finalidade ceder espaço para que os participantes debatam a necessidade de uma reorganização urbana e a importância da participação da população nos processos que afetam as cidades. O evento acontece em paralelo ao Fórum Urbano Mundial, proposto pela Onu-Habitat.

“Foi uma decisão acertada organizar este espaço mais democrático. A partir de atividades que possibilitam a troca entre os participantes é possível debater problemas comuns em todas as cidades como falta de moradia ou acessibilidade”, avalia Regina Ferreira, secretária executiva do Fórum Nacional de Reforma Urbana e membro da ONG Fase-Rio.

Regina acredita que o principal propósito do FSU, além da troca de conhecimentos, é mostrar a capacidade dos movimentos sociais de se organizar, de pautar e intervir nas decisões que afetam as cidades e, consequentemente, as populações.

“No Fórum Social Urbano serão debatidos assuntos como os Megaeventos que recebem grandes investimentos, geram transformações e muitas vezes não chegam à população que não tem acesso à cidade. No caso do Rio de Janeiro, temos a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas. A sociedade civil provou que tem capacidade de organização e por isso quer construir a cidade com os governos”, esclarece.

A segunda-feira (22), primeiro dia do FSU, foi marcada por um ato público no centro do Rio de Janeiro. Cerca de 500 participantes caminharam da Candelária até os armazéns da zona portuária, onde também está acontecendo o Fórum Urbano Mundial, para pedir aos seus governantes por cidades mais justas. Ao final da caminhada, apresentações de artistas de Santa Teresa protestaram contra a escassa participação popular no Fórum organizado pelas Nações Unidas.

Mesmo com as reivindicações contrárias ao Fórum Urbano Mundial [que acontece também durante as mesmas datas no Rio de Janeiro], Regina Ferreira explica que as atividades são paralelas, mas permitem a existência de um diálogo.

“O que as organizações da sociedade civil estão propondo com a realização do Fórum Social é igualdade, participação, intervenção e transformações que deem acesso a um conjunto de direitos, que nós estamos chamando de direito à cidade. No caso do Fórum Urbano Mundial as decisões estão sendo tomadas entre os governos e os empresários. O Fórum Social Urbano manda um recado: o de que a população também quer participar, intervir e decidir”, diz.

Os debates do FSU estarão baseados em quatro eixos temáticos. Nesta terça-feira, as mesas de diálogo Criminalização da Pobreza e Violências Urbanas; Faxina Étnica e Guerra às Drogas e Militarização das Periferias terão como ponto de partida o eixo ‘Criminalização da Pobreza e Violências Urbanas‘. Também está previsto para hoje o lançamento da “Campanha pelo Fim da Guerra nas Periferias”.

Até o final do Fórum, ainda são esperados cerca de 10 mil pessoas que poderão participar de palestras com especialistas, debates, oficinas, intervenções, atividades culturais e mesas de debate relacionadas aos eixos: Megaeventos e a Globalização das Cidades; Conflitos Socioambientais nas cidades e Justiça Ambiental; e Grandes Projetos Urbanos e Áreas Centrais e Portuárias.

Mais informações sobre o FSU em: http://forumsocialurbano.wordpress.com/



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