Insistir no erro?

Os projetos previstos para sanar problemas de trânsito da cidade do Rio de Janeiro não serão suficientes para melhorar a mobilidade urbana.

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Os projetos previstos para sanar problemas de trânsito da cidade do Rio de Janeiro não serão suficientes para melhorar a mobilidade urbana.

Por Alexandra Lichtenberg

Recente estudo do Sistema Firjan (Federação das Industrias do Estado do Rio de Janeiro) mostra que os projetos previstos atualmente para sanar os problemas de trânsito da cidade do Rio de Janeiro não serão suficientes para melhorar a mobilidade urbana. Por que? Porque insistem no erro de privilegiar o modal rodoviário e o uso do carro particular.

Simplesmente aumentar o espaço para o trafego de carros particulares e ônibus jamais irá resolver o problema – por dois motivos principais:

·O desenho urbano de vias publicas em áreas de alta densidade é praticamente o mesmo do já existente no inicio do século passado. Mesmo com a adição de alguns alargamentos como Aterro do Flamengo e áreas da Orla de Ipanema, Leblon e Copacabana, a construção de elevados como o Paulo de Frontin e a Perimetral, e as linhas Vermelha e Amarela, a saturação é evidente. Acontece que a população da cidade do Rio de Janeiro aumentou 5 vezes em 60 anos (de 1940 a 2000), tornando impossível a circulação individual pelas mesmas vias existentes no passado. Sem a oferta de transporte publico viável, o uso do carro particular não pára de crescer.

·As mudanças climáticas já estão acontecendo e provocando enchentes constantes na cidade, como a que ocorre no dia de hoje, inviabilizando seu funcionamento pela falta de mobilidade das pessoas. Universidades, escolas, órgãos públicos, empresas privadas estão fechadas porque seus funcionários e alunos não conseguiram se deslocar. Hospitais e clinicas operando precariamente.

Uma solução urgente é a oferta de um modal, integrado aos já existentes, que possa competir com o uso do carro particular e que esteja livre do efeito das enchentes. Estou falando dos Podcars, sistema já descrito em artigo aqui publicado recentemente. O individuo pode sair de casa a pé até uma pequena estação próxima ao seu domicilio, e ir com o Podcar (que corre em guia elevada) até seu destino final, ou até uma estação de integração com outros modais como o metro ou ônibus de longo percurso. Uma grande vantagem do sistema de Podcars é que ele é modular e pode ser instalado rapidamente e em etapas para atendimento planejado de rotas mais urgentes.

O mesmo estuda da Firjan aponta que 86% dos passageiros continuarão a ter os ônibus como única opção. Ora, se conseguirmos tirar pelo menos 30% dos carros das ruas, oferecendo transporte de porta a porta atraves dos Podcars, os ônibus terão espaço suficiente para transitar ordenadamente pelas ruas, cumprindo inclusive esquema de horários. De qualquer maneira se faz necessário a re-estruturação da concessão de rotas de ônibus, atualmente totalmente desorganizada e causando engarrafamentos desnecessários.

O planejamento dos transportes para os dois megaeventos internacionais na cidade, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 não contemplam deixar um legado para a mobilidade do cidadão. Tão pouco contemplam ligações essenciais como a do Aeroporto Internacional Tom Jobim à cidade.

Talvez seja necessário a mudança do paradigma do planejamento – ao invés de se pensar em soluções únicas e grandiosas, se pensar em soluções abrangentes e integradoras, e que sejam acima de tudo, viáveis economicamente na sua totalidade. Não podemos mais, por exemplo, conviver com um sistema de Metro que não comporta o aumento natural da demanda e nem mesmo a manutenção preventiva de suas instalações.

E quando menciono soluções abrangentes e integradoras, refiro-me também à integração do planejamento do uso do solo com o fornecimento da infra-estrutura necessária ao mesmo. É impensável a expansão da cidade sem que a infra-estrutura de transportes, energia, água e esgoto esteja adequadamente dimensionada. Fazer isto significa perpetuar no futuro os problemas pelos quais estamos passando hoje.

Com informações da Envolverde.



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