Honduras: Em uma semana, dois membros da resistência são mortos

Na última quarta-feira, um campesino militante da resistência foi morto a tiros. Militantes continuam pedindo a organismos internacionais que encontrem solução para conflitos de terras em Aguán.

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Na última quarta-feira, um campesino militante da resistência foi morto a tiros. Militantes continuam pedindo a organismos internacionais que encontrem solução para conflitos de terras em Aguán.

Por Natasha Pitts

Os militantes da resistência hondurenha continuam a ser atacados. Na última quarta-feira, 7, mais um campesino foi morto, é o segundo desde o dia primeiro de abril. José Leonel Álvarez Guerra era membro da Cooperativa A Confiança, uma das que constituía o Movimento Unificado Campesino de Aguán (Muca), e participava ativamente das ações da Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP).

Até o momento, os autores dos cinco tiros que vitimaram Álvarez Guerra ainda não foram identificados, contudo, a Resistência acredita que os mandantes sejam os proprietários de terra Miguel Facussé, Reinaldo Canales e René Morales. O campesino foi assassinado quando se dirigia para sua casa, no bairro Manga Seca de Tocoa, em Colón.

Álvarez Guerra é o segundo camponês morto desde o início do mês de abril. No dia primeiro, Miguel Alonso Oliva foi morto a tiros durante ações de mobilização do Muca para recuperar as terras da propriedade El Bolero, em Trujillo, Colón. Os últimos acontecimentos refletem a gravidade das injustiças que se implantaram na batalha por um pedaço de terra para viver e trabalhar em Honduras.

Por não poder contar com o governo de Porfirio Lobo, acusado – juntamente com seus organismos de segurança – de fechar os olhos para as permanentes situações de violação aos direitos humanos no país, os militantes da Resistência continuam apelando para os organismos internacionais e solicitando que pressionem o governo a encontrar uma solução imediata para os conflitos de terras em Aguán.

“Enquanto se assassina nossos companheiros e companheiras e se ameaça com massacres a comunidades campesinas inteiras, o regime de Porfirio Lobo pretende se apresentar como preocupado com os direitos humanos. Reiteramos nosso chamado à comunidade internacional para que exija castigo para os responsáveis pelos crimes cometidos contra o povo hondurenho em Resistência”, denunciam e apelam os membros do Muca.

Enquanto não houver indícios concretos de que uma reforma agrária será implantada em Honduras, os conflitos violentos entre proprietários de terras e camponeses continuarão a acontecer. A ausência de terras para trabalhar e morar tem colocado centenas de famílias camponesas em situações desumanas de sobrevivência. Muitas estão pernoitando em plantações, onde são submetidas a problemas de saúde.

A situação de tensão está sendo agravada pela presença na região do ex-capitão da polícia, Billy Joya Améndola, conhecido por integrar e treinar esquadrões da morte. Denúncias da Plataforma de Direito Humanos confirmaram que Joya Améndola poderia estar treinando um grupo especial fortemente armado para realizar operações violentas nas zonas de conflito.

Mediante esta problemática, a Plataforma de Direitos Humanos está exigindo o fim das ameaças, assassinatos, atos de repressão e perseguição aos líderes sociais de Honduras e aos camponeses, camponesas e suas famílias.

Com informações da Adital.



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