Desastre pode alterar política energética nos EUA

Ecologistas e políticos afirmam que vazamento pode ser o impulso que faltava para a aprovação da legislação climática e energética que há meses está parada no congresso norte-americano

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Ecologistas e políticos afirmam que vazamento pode ser o impulso que faltava para a aprovação da legislação climática e energética que há meses está parada no congresso norte-americano

Por Fabiano Ávila

Ambientalistas e autoridades vêem no vazamento de petróleo no Golfo do México um momento crucial para a decisão sobre a nova legislação climática e de que caminho o país irá seguir no que diz respeito à geração de energia.

Se é que é possível ver algum lado positivo de um desastre ambiental, ecologistas e políticos afirmam que o vazamento de petróleo no Golfo do México – devido à explosão da plataforma Deepwater Horizon, operada pela BP – pode ser o impulso que faltava para a aprovação da legislação climática e energética que há meses está parada no congresso norte-americano.

Muitos ambientalistas acreditam que não haverá melhor oportunidade para o governo passar as leis necessárias para ampliar a participação das energias renováveis na geração energética do país assim como outras medidas impopulares, como leis mais rígidas sobre as emissões de carbono.

“Nós precisamos de uma resposta tão grande quanto este vazamento no Golfo”, afirmou Wesley Warren, diretor do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais.

Mais de 70 ONGs já se manifestaram pedindo para que o Senado apague qualquer menção a novos poços de petróleo da lei e a pressão parece estar fazendo efeito.

O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, anunciou que está retirando seu apoio para mais perfurações em seu estado. “Você liga a televisão e vê esse enorme desastre. Você diz para si mesmo: Por que nós iríamos querer correr esse tipo de risco?”

Segundo Carol Browner, uma das principais conselheiras energéticas da administração Obama, o desastre será um fator importante nas decisões de Washington. “Não há dúvidas que o debate irá se alterar”, resumiu.

Logo em seguida ao acidente, Obama enfatizou que ainda era a favor da expansão da exploração de petróleo em alto mar. Porém assim que o caso se agravou e as primeiras imagens da gigantesca mancha de óleo foram para a televisão, o governo recuou sua postura e anunciou que nenhum novo poço será perfurado até que o acidente seja completamente estudado.

Defensores da expansão da exploração do petróleo também estão buscando no acidente uma forma de angariar apoio para a causa. “O foco da administração Obama deve ser garantir que isso nunca mais irá acontecer. O governo deve estabelecer novas medidas de segurança e construir poços mais confiáveis que os atuais”, afirmou Ben Lieberman, da Fundação Heritage.

De uma forma ou de outra, todos concordam que os Estados Unidos estão passando por um momento crucial para decidir por qual caminho seguir no que diz respeito à geração de energia e políticas climáticas.

“Obama não pode perder esta oportunidade para mostrar à sociedade que ela própria se colocou nessa situação de tragédia pelas escolhas feitas anos atrás. As pessoas não podem se dar novamente ao luxo de ficarem sentadas por mais 10 anos sem fazer nada para lidar com esse problema”, concluiu Charles Ebinger, da Instituição Brookings.

Com informações da Carbono Brasil/Envolverde.



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1 comment

  1. Azarias

    A Bristhium(?) Petroleum, não tinha nenhum equipamento de retenção de vazamentos ou outros acidentes correlatos, conforme estipulado em contratos assinados com o Govêrno. E agora José? Se estavam escondendo, se estavam mentindo, porque a fiscalização estadunidense aceitou esta Companhia em detrimento às outras? Ou será que foi formado um Cartel, entre todas as Cia.Petroliferas, para que esta ganhasse este poço no Golfe do México?

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