Humor e criatividade marcam protesto na Vila Itororó

Moradores simularam lançamento de um projeto imobiliário para denunciar os interesses que cercam a Vila

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Moradores simularam lançamento de um projeto imobiliário para denunciar os interesses que cercam a Vila

Por Patrícia Benvenuti

Criatividade e bom-humor marcaram a intervenção artística realizada no sábado, 15, na Vila Itororó, na região central de São Paulo (SP), em protesto contra a política habitacional adotada para o centro da cidade.

Durante todo o dia, os moradores simularam o lançamento do projeto “Residencial Itororó”, financiado pela “Gatunos S.A.”, a fim de explicitar os interesses imobiliários que cercam a Vila.

O local é cenário, desde 2006, de uma disputa entre a Prefeitura, que tem planos para “revitalizar” e transformar o espaço em um “polo cultural”, e 80 famílias, que lutam para não perder suas moradias.

No pátio da Vila, os “corretores” apresentavam uma casa para visitação, em alusão aos pequenos apartamentos, apelidados de “caixinhas de fósforo”, construídos pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU).

Ao lado da casa, os moradores puderam fazer uma “análise de descrédito”, que consistia em completar um formulário semelhante às cartas de crédito para a obtenção de uma unidade habitacional pela CDHU. Ao preencher o documento, o morador percebia que, com seu perfil e renda, não poderia participar do financiamento de uma nova moradia. De acordo com a Associação de Moradores e Amigos da Vila Itororó (AMAVila), o número de moradores em condições de adquirir uma unidade da CDHU não chega a 5%.

A coordenadora da AMAVila, Antonia Souza Candido, explica que o objetivo da intervenção foi alertar a comunidade sobre a situação da Vila. Segundo ela, a atividade conseguiu conscientizar as famílias sobre a necessidade de lutar por seus direitos. “Nós conseguimos aguçar a curiosidade das pessoas sobre os engodos que o poder público vem utilizando para ludibriar os moradores”, afirma.

Para o educador popular Diogo Rios, que apoia a comunidade, a intervenção também mostrou a necessidade de valorizar ações pedagógicas e criativas dentro das lutas políticas. “É uma brincadeira com os moradores sobre sua própria condição, e esse tipo de iniciativa o Estado não pode controlar”, destaca Rios.

A Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) afirma que as famílias serão contempladas com unidades da CDHU localizadas próximas à Vila, mas garante que ainda não há prazo para a entrega dos novos apartamentos. Os moradores, porém, reclamam da falta de informações já que, até agora, não obtiveram respostas concretas sobre o futuro da Vila.

Com informações da agência Brasil de Fato.



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