Garzón vai assessorar Tribunal Penal Internacional

O juiz espanhol punido por investigar a verdade dos crimes do franquismo está de mudança para Haia para assessorar Luís Moreno Ocampo, o procurador que atuou no julgamento das Juntas Militares da Argentina, em 1985

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O juiz espanhol punido por investigar a verdade dos crimes do franquismo está de mudança para Haia para assessorar Luís Moreno Ocampo, o procurador que atuou no julgamento das Juntas Militares da Argentina, em 1985

Por Redação

Baltasar Garzón, juiz espanhol que investigou os crimes do franquismo na Espanha, será o novo colaborador do Tribunal Penal Internacional (TPI), depois que o Conselho Geral do Poder Judiciário de Espanha lhe concedeu autorização no último dia 21 de maio.

Em entrevista, Luís Moreno Ocampo salientou o seu contentamento por poder contar com o apoio do juiz espanhol, sublinhando a sua experiência que conta com a grande diversidade de casos que enfrentou nos últimos 20 anos. Ocampo se refere os conhecimentos de Garzón na investigação das relações entre poder político, finanças e criminalidade, sobre o financiamento do ETA e as relações com Henri Batasuna, sobre os paramilitares dos GAL1, o fundamentalismo islâmico, Augusto Pinochet, etc. O procurador confessou até que já lhe havia pedido ajuda uma vez, quando foram juntos à Colômbia para colaborar no desenvolvimento do sistema nacional de investigações penais sobre crimes massivos.

Tendo já iniciado as suas novas funções, Garzón tem sobre a mesa várias tarefas de teor confidencial. “O meu trabalho aqui é o de consultor. Venho para trabalhar sobre o que puder, com base na minha experiência. Não consigo abrir investigações. Eu não venho como um juiz. Eu venho para fazer o que me pedir o promotor”, disse Garzón ao El País.

“Sinto-me bem, um pouco confuso. Trata-se de um importante desafio profissional, pois é uma área que eu conheço apenas a partir de uma perspectiva teórica e não prática. A dificuldade da investigação no campo, de obtenção de provas, a ausência de uma força policial própria, ter de garantir a segurança das testemunhas… Tudo é muito maior. Em vez de duas centenas de vítimas, temos dois milhões e meio. Para mim será muito enriquecedor porque irei olhar para estes crimes que eu sempre segui a partir de uma perspectiva única “, acrescentou.

Quando começou a trabalhar na Audiência Nacional, há 22 anos, Garzón prometeu a si mesmo que não sairia sem ver o fim do terrorismo da ETA. “Prossigo pensando, mas a vida continua. Não foi bom pensá-lo como um objetivo pessoal”.

O juiz já sabe que agora nada será como antes e no TPI muitos o veem como o substituto ideal do procurador Ocampo a quem restam dois anos de mandato. Garzón já disse que, por agora, encara esta missão como tendo uma duração de sete meses.

Haia é conhecida como “a capital mundial da justiça” e “o juiz do mundo”, como Ocampo costuma referir o juiz espanhol, chega à cidade numa altura em que a Espanha limitou legalmente a jurisdição universal.

Com informações de Esquerda.net.



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