Mobilizações populares e violência militar marcam início da semana

Milhares de haitianos e haitianas saíram às ruas da capital Porto Príncipe para exigir a renúncia do presidente René Preval e a saída das tropas da Minustah

203 1

Milhares de haitianos e haitianas saíram às ruas da capital Porto Príncipe para exigir a renúncia do presidente René Preval e a saída das tropas da Minustah

Por Redação

O início desta semana foi marcado por protestos e violência no Haiti. Durante todo o dia de ontem foram registradas manifestações, nas ruas da capital Porto Príncipe, pela renúncia do presidente René Preval e a saída da Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti (Minustah). Na segunda-feira, estudantes foram surpreendidos pela presença de soldados do organismo da ONU que invadiram uma universidade. Alguns estudantes foram presos.

Segundo informações de Camille Chalmers, diretor executivo da Plataforma Haitiana para o Desenvolvimento Alternativo (PAPDA), soldados da tropa brasileiras da Minustah entraram no prédio da Faculdade de Etnologia armados com cassetetes e portando bombas de gás lacrimogêneo. Os militares recolheram livros, cadernos e computadores portáteis que se encontravam com os alunos. Também há registro de que alguns universitários sofrem agressões e foram presos durante a ação.

Estudantes haitianos denunciaram à Telesul que os soldados reprimiram os alunos que se posicionaram contra a presença da Minustah e exigiram a saída das tropas.

Anteontem, 25, milhares de haitianos e haitianas saíram às ruas da capital Porto Príncipe, justamente, para exigir a renúncia do presidente René Preval e a saída das tropas da Minustah. Durante as mobilizações os manifestantes colocaram abaixo as cercas metálicas, levantadas pela polícia, que isolavam o Palácio Presidencial. Bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas para dispensar os manifestantes.

Grande parte dos manifestantes apoia o retorno de Jean Bertrand Aristide, ex-presidente do Haiti, que desde 2004 se encontra exilado na África do Sul. Segundo informações da Telesul, as palavras de ordem das mobilizações pediam o retorno do ex-chefe de Estado. “Preval deve sair para que Aristide possa voltar”, gritavam.

“Estava no estrangeiro, mas hoje estou aqui para cumprir com meus direitos democráticos frente a um regime que quer voltar à ditadura”, expressou Víctor Benoit, da Fusão dos Social-Democratas, que faz parte da plataforma alternativa de oposição.

Próximo ao Palácio Presidencial outra manifestação contrária ao governo de Preval. No parque público Champ de Mars, centenas de cidadãos se uniram para repudiar a iniciativa de Preval de solicitar, por meio de um projeto de lei, o prolongamento de seu mandato constitucional. O pedido do presidente foi atendido pelo Senado no dia 11 de deste mês. Sendo assim, Preval poderá permanecer a frente do Haiti até maio de 2011. O mesmo projeto também amplia o período de atuação dos legisladores até 14 de maio do próximo ano.

Durante toda a manhã de ontem, em virtude dos últimos acontecimentos, o clima permaneceu tenso em Porto Príncipe. Segundo informações da Telesul, um carro foi queimado nas proximidades da Faculdade de Etnologia, onde os estudantes foram atacados pelas tropas brasileiras da Minustah.

Repúdio à ação militar
A par de toda esta situação de conflitos e violências geradas pela atuação dos militares, os participantes da II Assembleia Popular Nacional, que está acontecendo desde ontem, em Luziânia, Goiás, região Centro-Oeste do Brasil, estão se mobilizando para enviar uma carta ao governo haitiano. A intenção é demandar explicações sobre o ocorrido e repudiar a ação das tropas da Minustah.

Com informações da Adital.



No artigo

1 comment

  1. Azarias

    Precisamos mobilizar toda a opinião pública para pôr fim à intervenção do Exército Brasileiro no Haiti. Deveremos divulgar, não só no Congresso Nacional como em todas as Câmaras Municipais do país, em todas as manchetes de revistas e jornais independentes, em todas as rádios comunitárias, a nossa indignação quanto aos fatos de repressão que estão ocorrendo no Haiti, por conta do Exército Brasileiro.

Comments are closed.


x