Combinação de tecnologias é chave do Pais

Modelo agroecológico de produção deve alcançar 10 mil pequenas propriedades rurais ainda neste ano

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Modelo agroecológico de produção deve alcançar 10 mil pequenas propriedades rurais ainda neste ano

Por Redação

Uma articulação de diferentes tecnologias sociais é o que garante um modelo diferenciado para agricultores familiares que buscam o sistema de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais). Sem o uso de agrotóxicos o processo agrupa técnicas simples e conhecidas por comunidades rurais para cultivar canteiros com pouco dependência de insumos externos à propriedade.

Isso representa maiores oportunidades para pequenos produtores. A iniciativa foi formulada pelo engenheiro agrônomo Aly NDiaye. Nascido no Senegal, na África, ele vive no Brasil há 17 anos, onde estudou e desenvolveu a técnica. Ele conta que o objetivo era reciclar nutrientes e reunir culturas que, normalmente, são separadas. (clique aqui para ler uma entrevista de NDiaye)

Caixas d‘água são instaladas na propriedade rural para garantir a irrigação por gotejamento nos canteiros, um dos métodos que permitem melhor aproveitamento da água. A própria gravidade leva o recurso hídrico das caixas para a terra, evitando despesas com bombas e perdas com evaporação elevada, típicas de sistemas de aspersão.

Aves e pequenos animais – caprinos ou bovinos – são parte do sistema. Em vez de deixar galinheiros e o gado distantes das hortas, aves e outros bichos são criados em áreas bem próximas aos locaisonde crescem hortaliças, frutas e raízes. Isso garante que resíduos sejam usados para garantir humus e outros tipos de adubação orgânica. Sem usar insumos como fertilizantes, herbicidas e pesticidas sintetizados pela indústria química, a maior despesa dos agricultores é evitada.

Outro princípio é o de variar a lavoura. Com variedades diferentes cultivadas no mesmo espaço, os nutrientes do solo são aproveitados ao máximo, sem risco de esgotamento, como ocorre em áreas onde prevalece, por muito tempo, a monocultura. Também há uma ampla vantagem relacionada ao controle de pragas, já que a diversificação restringe a proliferação de lagartas e insetos, por exemplo, que encontrariam farta alimentação em uma área com apenas um tipo de planta.

Na produção de raízes – como mandioca, nhame e cará – o modelo agroecológico já demonstrou que é bem sucedido em diferentes locais, com adaptações e variação de cultivo. Tanto assim que um Encontro Nacional do Pais foi realizado em Brasília (DF) para discutir os resultados e desafios que permanecem para o modelo de produção.

Comercialização

Um dos obstáculos é a comercialização. Isso porque, para garantir o acesso a mercados, é preciso haver associação entre agricultores donos de diferentes propriedades em cooperativas, por exemplo. “A primeira meta do PAIS foi trabalhar a questão da segurança alimentar e gerar renda”, afirmou o gerente da Unidade de Agronegócios do Sebrae, Paulo Alvim, durante o Encontro. “O próximo desafio é verificar como o produtor vai gerenciar seu negócio e criar estratégias de comercialização para escoar a produção”, completa.

De acordo com Alvim, o Sebrae tem contribuído para levar o programa a países da América Latina e da África. Bolívia, Paraguai e Venezuela foram nações vizinhas a receber, em pequenas propriedades, o sistema. No continente africano, os lusófonos Angola, Moçambique e Cabo Verde também já veem o método sustentável funcionar.

A estratégia de desenvolvimento local é uma das mais reaplicadas no Brasil com apoio da Fundação Banco do Brasil, com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e de diferentes ministérios. De 2005 a 2009, 6 mil unidades do Pais foram estabelecidas em 251 municípios de 19 estados. A meta é alcançar 10 mil até dezembro deste ano.

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Pais

Composto por canteiros circulares (para o cultivo de hortaliças), um galinheiro (com capacidade para dez aves) e o quintal agroecológico (voltado a culturas perenes), o Pais conta com irrigação é feita por sistema de gotejamento. A adubação é sem produtos químicos. Para uma família de cinco pessoas, é necessário um terreno com cerca de 5 mil metros quadrados para a implantação do sistema. Cada unidade tem o custo aproximado de R$ 8,8 mil, incluindo dois anos de assistência técnica.

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