Palocci e a falácia do “fogo amigo”

Antonio Palocci pertence a um certo tipo de petismo que foi se consolidando nos anos 90 e que nós poderíamos resumir com a imortal metáfora de Chico Buarque. Falam grosso com o Paraguai e...

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Antonio Palocci pertence a um certo tipo de petismo que foi se consolidando nos anos 90 e que nós poderíamos resumir com a imortal metáfora de Chico Buarque. Falam grosso com o Paraguai e fininho com Washington. Ou, traduzindo para os termos da política nacional: tratoram na hora de conversar com a esquerda e se esmeram em amabilidades quando o papo é com a direita. Seu grande representante atual é Cândido Vacarezza, e Palocci era a suma mais acabada do modelo. Amado e admirado pela direita demo-tucana, que pode ser antipetista mas não é cega ao ponto de deixar a estrelinha embaçar-lhe a visão de um aliado de classe, Palocci era o fiador, o amigo dos banqueiros, o garante da tão propalada “estabilidade”. Curiosamente, quando esse tipo de petista cai, por exemplo por enriquecimento suspeito sem explicações convincentes, o tombo é debitado na conta da esquerda.

Há duas coisas que acontecem no Brasil quando cai um ministro petista: Ricardo Noblat comete uma barriga e a culpa da queda é atribuída à esquerda. Não falha nunca. Ontem, horas depois que até as cinzas do que era a vegetação do Mato Grosso já sabiam que o Ministro seria defenestrado, Noblat anunciava em seu Twitter que Palocci “tem tudo para ficar”. Era a confirmação de que o ribeiro-pretano havia caído mesmo.

A mais sensata das expectativas – a de que um ministro do Partido dos Trabalhadores explicasse como multiplicou por 20 o seu patrimônio em quatro anos, como ganhou em um só mês R$ 10 milhões em consultorias já tendo sido nomeado Ministro da Casa Civil, como e em que condições foi consultor de gigantescos grupos privados em pleno exercício de mandato legislativo e tendo acabado de sair do Ministério da Fazenda — foi tratada, em algumas comarcas, como traição ao petismo e adesão ao malfadado “PiG”. E eu aqui ingenuamente achando que encher as burras de dinheiro misturando o público com o privado é que era uma traição ao espírito original do Partido dos Trabalhadores. Como disse muito bem o Renato Rovai no seu post de hoje, a degradação e o histórico de manipulação da imprensa brasileira gerou uma contrarreação que consiste em basicamente escolher um lado e cegar-se para os fatos.

O problema é que, cegando-se para os fatos, você começa a confundir os lados também.

A Folha de São Paulo sequer fez investigação sobre Palocci. A informação lhe caiu no colo, vinda, segundo alguns, da Secretaria de Finanças de SP, ligada ao tucanato. Em nenhum momento a veracidade do fato foi sequer questionada.  Como afirmou o Rodrigo Vianna na época, o fato de que a Folha seja seletiva e não publique o mesmo tipo de matéria sobre, por exemplo, o patrimônio de Aécio não mudava em nada a veracidade do fato. Palocci ficou calado durante 20 dias. De forma inábil, o Planalto escalou Gilberto Carvalho, no começo da crise, para decretar que o caso estava encerrado, quando ele mal começava. Naquele momento, Rovai já cantava a pedra de que isso, em política, não se faz. Quando finalmente resolve falar, Palocci escolhe uma entrevista exclusiva ao Jornal Nacional e outra entrevista exclusiva à Folha de São Paulo. Não explica nada. Entre os semanários, foi a Carta Capital quem deu matéria de capa sobre o fato, enquanto que a Veja praticamente o ignorou. E são os críticos de Palocci os aliados do “PiG”? Uai, que PiG é esse? A conta não fecha.

Finalmente, a acusação de ser “a esquerda de que a direita gosta” e a “esquerda que faz o jogo da direita” cumpriu seu ciclo de 360º para incluir … toda a esquerda! Com a exceção, claro, dos defensores incondicionais de um agente público que se torna milionário fazendo consultorias a gigantescos grupos privados em pleno exercício de mandato legislativo, pós-Ministério da Fazenda, e depois de já nomeado Ministro-Chefe da Casa Civil.  É uma curiosa definição de esquerda de que a direita não gosta.

A presunção de inocência é um princípio do Direito, não da política. No Direito, o ônus da prova cabe a quem acusa. Na política, o ônus da prova cabe a quem está com as costas contra a parede. Simples assim. Não há moral nem direito na política. Só a pura relação de forças. E o fato cabal da correlação de forças da política brasileira de hoje é que nem a esquerda do PT nem o PSOL tem peso para derrubar um Ministro-Chefe da Casa Civil. Se o tivessem, talvez o Brasil não estivesse pagando o que paga aos banqueiros e o Código Florestal não teria sido tratorado pela aliança stalinisto-latifundiária.

Portanto, progressista, não insulte a inteligência do seu leitor, e a própria que lhe reste, falando em “psolistas infiltrados”, “Ptsolistas”, “fogo amigo” e bobagens do gênero. A queda de Palocci só reitera um princípio histórico do capital: ele admite novos-ricos, mas somente enquanto estes lhe sejam úteis. Quando deixam de sê-lo, são largados impiedosamente à beira da estrada. O capital não tem amigos, só interesses.



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54 comments

  1. marcos nunes Responder

    Novamente, para não repetir argumentos, peço que acesse o endereço a seguir, onde trato da questões em termos ora semelhantes, ora diversos daqueles tratados aqui, em http://rachelsnunes.blogspot.com/2011/06/requiem-feroz-para-antonio-palocci.html.

  2. Hugo Albuquerque Responder

    Idelber, certamente não foram as alas mais à esquerda do PT sozinhas que o derrubaram, mas é importante ressaltar que setores da alta burocracia – inclusive hegemônicos agora – tiveram um papel importantíssimo no processo. E, seja pelos motivos certos ou errados, sua queda foi muito positiva como o fato de Vacarezza ter ficado de fora da sua sucessão, aliás. É claro que o buraco é muito mais embaixo e a confusão só está começando…

  3. Varela Responder

    Bom, Idelber, me parece que o episódio do Palocci serviu para a esquerda voltar 10 anos atrás.
    Quanto à questão ética/moral, como já expus num comentário lá no Blog do Rovai, me parece evidente que ela foi o álibi para justificar uma disputa pelo poder com o Palocci, que representa a ala mais moderada do governo. Isso fica evidente quando a esquerda não faz o mesmo juízo moral sobre outros casos de enriquecimento de pessoas próximas ao poder no governo Lula e quando não se censura esse mesmo governo pelo caso Palocci (afinal, se as insinuações estão corretas, foi com Lula que o Palocci obteve os meios para se enriquecer). Aliás, o fundo político do discurso moral fica claríssimo no seu texto.
    Mas o que gostaria de dizer de verdade é que, apesar de não ser banqueiro ou filiado ao PSDB, considero que Palocci foi um cara essencial para o sucesso do primeiro governo Lula. Transformou o que era mera retórica do Fernando Henrique (controle da inflação e ajuste fiscal) em atos efetivos, com decisões que, apesar de difíceis e duras, foram essenciais para a criação de sólidas bases econômicas para o bem sucedido governo de Lula (e que permitiu, até mesmo, certo conforto para que o Mantega exagerasse nos seus estímulos Keynesianos, sem que tais excessos tenham gerado problemas graves).
    Ele não agrada somente ao grande capital, mas a eleitores que acham que é importante a estabilidade da economia, que o mercado cumpre um papel relevante, sendo um equívoco qualificá-lo como um mal (embora também falhe, assim como falha o Governo) e que o estado somente deve gastar o que a sociedade consegue lhe entregar. Enfim, quem considera que decisões políticas têm um custo que deve ser ponderado, mas que também gosta de ver um governo empenhado na redução das desigualdades sociais. Gente que gostou do governo Lula por todos seus avanços, inclusive aqueles obtidos graças à política defendida pelo Palocci.
    O PSDB e o DEM não são amigos do Palocci. Ele (o Palocci) está em um lugar no espectro político que eles querem de ocupar e a queda do ministro lhes serviu muito bem. E, quando se adota essa retórica de “amigo de banqueiros e do grande capital” (que, sinceramente, poderia ter saído da boca de Heloísa Helena sim), se abre as portas para que uma alternativa política, que está mais a direita do que você gostaria, ocupe esse espaço.

    1. Maurício T. Responder

      Gente que pensa que o Estado deve gastar só o que “a sociedade consegue” lhe entregar, esquece que nessa sociedade tem uns que podem entregar muito mais do que outros, e se eles não agissem como sequestradores, cobrando resgate pelo fruto de exploração do trabalho, o Estado poderia gastar muito mais. Quem pensa assim é amigo do grande capital sim senhor, e o Palofi é um deles.

      1. Varela Responder

        Maurício, se o Estado gasta mais do que a sociedade consegue lhe entregar, vai ter que adotar uma das alternativas: i) buscar dinheiro emprestado com os donos do grande capital (que só emprestarão para seus amigos), empurrando o custo para as gerações futuras, ou ii) imprimir moeda e deixar os mais pobres suportarem esse custo através de mais inflação.

        No mundo real, os recursos são escassos.

        1. Maurício T. Responder

          É típico de quem defende o status quo alegar que o interlocutor se refere a algo irreal, naturalizando a estrutura de poder.

          No mundo da chantagem rentista é que os recursos para gasto público de efeito intergeracional são escassos. E esse mundo não é o único possivel, o “mundo real”. É apenas o melhor mundo para estes parasitas.

          É bom repetir que o gasto público que provoca o déficit ( que horror!) tem efeito intergeracional, não é simplesmente uma dívida que as gerações futuras recebem.

          E para financiar o déficit, o capital tem de retribuir o benefício que o trabalho lhe oferece ao empregá-lo. Tem de recompensar o fato de poder se valorizar em um território, que tem uma população e um Estado. Não fosse por isso, o Capital estaria desempregado.

          Está certo quem diz que ficou mais fácil pensar na extinção da espécie do que em alternativas ao governo das coisas sobre o homem.

  4. Renata L Responder

    Ufa.
    Uma opinião petista que eu podia ter assinado.
    Já tava me sentindo meio Simão Bacamarte e tava pronta a me internar junto com os outros.
    Aí na sexta saí com meu cunhado (petista) e vislumbrei alguma esperança: opinião direta, simples. Como se espera de gente que lutou a vida toda por ideais. E hoje, chego aqui e encontro este. Viva. Adiante.

  5. aiaiai Responder

    Caríssimo professor,

    Neste caso, não concordo com você de forma alguma. Não houve sequer denúncia…foi só uma suspeita de que algo poderia ser ilícito, mas como o palocci explicou não é. Ganhar dinheiro não é pecado e não é ilegal. Os que se movimentaram para tirar o palocci de lá não estão preocupados com o fato dele ter ganho dinheiro: querem destruir na nascente o governo Dilma já que não lhes restou arma alguma a não ser a denúncia vazia na imprensa de oposição (toda ela, diga-se de passagem).

    Ouvi a entrevista dele e achei que foi muito esclarecedora. Eu trabalho como consultora e por vezes finalizo vários projetos ao mesmo tempo e tenho um faturamento acima da média. Denunciem-me!!! Ele teve que fechar contratos antes do tempo para poder assumir como ministro. Se há problema ou mal feito, não foi mostrado, nem sequer apontado. A denúncia é apenas de ter ganhado dinheiro muito rápido. Oh, saudades da UDN.

    Eu não estou aqui para defender o palocci e sim a Dilma. Usaram o palocci para chamarem a presidenta de fraca, inepta e covarde. Talvez vc tenha informações melhores do que as minhas. O que eu vi, foi isso.

    Mas, agora, não há o que fazer. A cada denúncia vazia da imprensa vamos esperar a adesão de uma parte da esquerda que engole o moralismo falso da oposição e deixa a presidenta – que tanto lutamos para eleger – sem outra saída que não seja trocar ministro.

    Quem será o próximo? Pode ser a própria gleisi. Hoje mesmo já tivemos essa “denúncia” veiculada:
    http://exame.abril.com.br/economia/politica/noticias/o-marido-paulo-bernardo-doou-r-15-mil-a-campanha-da-esposa-gleisi

    Não é preciso provar nada, nem mesmo investigar: basta levantar qq coisa q pareça levemente amoral e pronto, tá feito!

    Vamos para o abraço, comemorar com josé agripino mais uma vitória da oposição que trabalha apenas para desestabilizar o governo Dilma e parar de vez com a inclusão de milhões de pessoas na cidadania brasileira.

    http://www.youtube.com/watch?v=oPees7qjaVA

    divirta-se com o vídeo acima!

    1. Idelber Responder

      Aiaiai, você tem o direito de ganhar quanto dinheiro quiser dando consultoria. Mas se for ex-Ministra da Fazenda, estiver exercendo mandado de deputada, e já tiver sido nomeada Ministra-Chefe da Casa Civil, e tiver ganho R$ 10 milhões em um mês, multiplicando seu patrimônio por 20 durante 4 anos, deve, sim, explicações, porque o indício de mistura entre público e o privado é óbvio.

      Você pode gritar o quanto for sobre presunção de inocência, mas enquanto vivermos numa democracia, agente público deve esse tipo de explicação, sim. Pode até ser inocente de tráfico de influência mas, se não demonstrá-lo, vai ficar sangrando. E o sangramento do governo foi ele quem causou, não quem descobriu o fato. Vamos parar de culpar o termômetro pela febre.

      1. renato Responder

        Ai que saudades do biscoito.

      2. galo Responder

        E se o Lula quiser ser candidato ao Governo de São Paulo nas próximas eleições?

        Como ele se explicará?

        – O Lula está faturando milhões dando “palestras” à grandes empresas.
        – O Lula multiplicará, em breve, o patrimônio dele por 10.
        – O Lula acabou de deixar o governo.

        E aí?

        Seguindo o seu critério de “moralidade”, o Lula não poderá ser candidato a nada mais na vida !!!

        Acorda…Idelber!!!

        Por pior que o Palocci é ele não poderia cair agora e ainda mais por uma denuncia da midia sem a devida investigação.

        O governo Dilma acabou…e você e os moralistas de plantão terão que dormir com esse barulho…

        1. Idelber Responder

          Uau, “o governo Dilma acabou”! Caramba, eu achei que essa era uma frase “do lado de lá”! Virou o bordão do lado dos supostos defensores do governo? Dê uma olhadinha de novo na frase do texto que diz “O problema é que, cegando-se para os fatos, você começa a confundir os lados também”. Pense nela. Mas pense mesmo.

          Que analogia, essa entre Lula e Palocci, hein, Galo? Você não consegue mesmo perceber a diferença? Vamos tentar desenhar?

          1. Lula não está exercendo mandato. Palocci era deputado quando deu suas consultorias.

          2. Lula está dando palestras abertamente, com valor por palestra amplamente divulgado, totalmente compatível com o que é o prestígio de um ex-presidente da dimensão dele. As consultorias de Palocci não eram bem assim, né?

          3. Lula não está dando consultoria tendo sido já nomeado ministro de um governo, acarretando indícios claros de mistura entre público e privado.

          Uma analogia entre X e Y pressupõe um mínimo de semelhança entre o X e o Y, meu caro Galo. Arrume outro Y para sua equação. Pensar um pouquinho não faz mal, não.

          1. Galo

            Ôpa!!!

            1) “Palocci era deputado quando deu suas consultorias”.
            Onde é que está escrito, na constituição meu caro Idelber, que um Deputado Federal não pode exercer uma atividade privada?

            2) “As consultorias de Palocci não eram bem assim, né?”
            O faturamento, dos trabalhos privados do Palocci, foram TODOS devidamente registradas na receita federal e municipal.
            Onde é que está escrito, na constituição meu caro Idelber, que ele tem que divulgar, publicamente, para quem ele está trabalhando e quanto está ganhando.

            3)”…dando consultoria tendo sido já nomeado ministro de um governo”
            As consultorias eram por resultado e foram feitas ANTES dele ser nomeado ministro.

            O Lula não está acima do bem e do mal, meu caro.

            O caso Palocci abriu “jurispudência” para que, todos os que são de esquerda serem crucificados, se ganharem dinheiro depois de deixar o governo.

            Para os urubus da midia, agora, não importa como a pessoa ganhou o dinheiro, não importa o quanto ela estudou ou trabalhou.

            Seja ele quem for…se for de esquerda, será crucificado.

            Essa história do enriquecimento, após deixar o governo, ainda pesará muito sobre os governos de esquerda. Você que foi ingenuo e deixou o seu odio, cegá-lo perante a importancia dos fatos…se lembrá-la por muito tempo dessa fogueira em praça pública, feita com o Palocci, que você ajudou a alimentar.

            A hora do seu amigo Fernando Pimentel está chegando…

            Porque Palocci foi derrubado em 2005?
            Foi pelo escândalo do caseiro? Certo?
            Mas o que o caseiro denunciou?
            Que o Palocci se reunia com várias pessoas envolvidas em denúncias de corrupção em Ribeirão Preto.

            Quer dizer que o Palocci, sendo prefeito de Ribeirão Preto, por 2 mandatos e depois Ministro da Fazenda, além de ser formado em medicina conseguiu em sua vida um patrimônio de 300.000,00?

            Mas este é um patrimônio de muitas pessoas com carreiras muito menos “nobres”.

            Quer dizer que os ares de suspeita de benefícios de corrupção por parte do Pallocci que toda imprensa fez parecer naquela época era, apenas, mais um factoide?

            Quer dizer que aquilo era tudo mais uma mentira?

            Ou seja, o que ocorreu hoje prova que tudo que envolveu o caso Palocci de 2005 era fumaça!!!

            No mais Idelber, o mais de atrapalha é essa sua soberba…

  6. Nelson Canesin Responder

    Fico com a análise do Eduardo Guimarães http://migre.me/50VVL

    1. Ricardo Responder

      Nelson Canesin, tenho impressão, participou de programa eleitoral de Marta Suplicy quando de sua última candidatura à prefeitura, ao ser “coincidentemente intrevistado” na rua e claro, foi só confetes. Suspeitíssimo este! É também membro fundador do MSM…

  7. Neide Responder

    Oi Idelber,

    concordo com você. E, digo mais: sabe quem contribuiu muito com a queda do Palocci? O próprio.

    abraços.

  8. Kátia Responder

    Idelber, acho que você se pauta no PIG. Pra começar Vaccarezza é um líder escolhido por Lula e por Dilma, e defende em todos os momentos o Governo.
    Acompanhei e colaborei em sua campanha, e ao contrário de alguns companheiros, seu discurso sempre foi a eleição de Dilma em primeiro lugar.
    Onde ele ia, defendia Dilma, Lula e o Governo do PT com propriedade.
    Enquanto que outros companheiros visavam apenas a sua eleição.
    Só pra constar quem coloca na mesa as votações é o PResidente Marco Maia. Ele tem o poder de dizer o que pode ou não ser votado. Mas como ele é fraco politicamente sobra pro Líder Vaccarezza defender o Governo, e se colocar na frente da oposição, pra proteger a casa. Ele sempre fez o papel de líder. Tavez por isso ele seja sempre visado.
    Enxergue a politica, como ela é e não como vocês querem que ela seja. Até porque vocês falam, falam, mas sempre se pautam na mídia.
    Abraços!!
    Kátia

    1. Idelber Responder

      Kátia, o PIG é aquele telejornal das Organizações Globo onde o Palocci ESCOLHEU dar a entrevista exclusiva? Ou é a Carta Capital, que foi o único semanário que deu matéria investigativa sobre o fato? Estou confuso sobre qual é o PIG.

      E você confunde atribuições de Presidência da Câmara com atribuições de líder do governo. Meu texto não diz nada sobre colocações de votação na mesa. O fato de Marco Maia ser ou não ser fraco politicamente não tem nada a ver com a defesa do governo “sobrar” para o Vacarezza, pelo simples fato de que a defesa do governo não é atribuição do Presidente da Câmara. É atribuição do líder do governo. Se o argumento em favor do líder do governo é de que a defesa do governo “sobrou” para ele, vamos mal. Essa É a tarefa do líder do governo: defender o governo, ora.

      E o fato de ter sido escolhido por Lula e Dilma não confere infalibilidade a ninguém. Um pouquinho mais de substância nos argumentos, per favore.

      1. Araquem Responder

        Além disso, o Vacarezza não é nenhum santo.

        “… As sementes “Terminator”, também chamadas de “suicidas”, não se reproduzem mais de ume vez e, na prática, tornam o agricultor escravo da Monsanto, de forma ainda mais aguda do que ocorre com as sementes transgênicas tradicionais e os herbicidas equivalentes. Mais informações sobre a Terminator: http://www.aspta.org.br

        Pois a Monsanto — que tem até diretoria de direitos humanos, acredite se quiser! — usou seu lobby para tentar aprovar, através de um PL do deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP), o uso das sementes “Terminator” no Brasil.”

        Mais detalhes em http://www.reformaagraria.blog.br/2010/12/22/vaccarezza-apresenta-pl-redigido-por-lobbista-da-monsanto/

        1. Idelber Responder

          Exatamente, Araquem. Não só o projeto do Vacarezza atende à Monsanto. O projeto é de coautoria da advogada da Monsanto: http://www.mst.org.br/node/11078

          Mas vai ver que o MST também é parte do tal PIG …

  9. Mari Responder

    Desculpe Ildbere mas concordo com o “aiaiai”.
    Presunção de inocência existe por uma razão. Porque é impossível provar que uma pessoa é inocente. Impossível provar que NÃO FEZ uma coisa. Não importa quantas evidências ele encontrasse neste sentido, nunca seria suficiente.

    O Palocci já tinha sido condenado pela imprensa e opinião pública antes de tudo. Aumento de patrimônio, história descabelada de laranja do apartamento… Não há nenhum fato, nenhum indício concreto, apenas suposições e achismo.

    Não acho que ele tivesse que vir a público prestar explicações sobre faturamento, clientes, detalhes. Não teria sido suficiente pra satisfazer a oposição e a imprensa, muito pelo contrário.
    Acho que ele tinha que prestar explicações à Justiça, como estava fazendo.

    Acho uma pena ver que a imprensa tem tanto poder assim, criar um escândalo DO NADA e fazer um ministro cair. Se isso aconteceu agora, pode acontecer com qualquer um mais pra frente.

    1. Idelber Responder

      “Se isso aconteceu agora, pode acontecer com qualquer um mais pra frente”.

      Pode acontecer com qualquer um que for ex-Ministro da Fazenda, estiver exercendo mandato de deputado, já tiver sido nomeado Ministro-Chefe da Casa Civil, e tiver ganho R$ 10 milhões em um mês, multiplicando seu patrimônio por 20 durante 4 anos, sem dar explicações. Se não houver fatos como esses– e ninguém contestou a veracidade deles, nem o fato de que o Ministro não explicou nada–, o poder de sangramento em cima do governo não será o mesmo.

      Se tudo isso não é “indício concreto” para você, Mari, não sei o que é indício concreto. O que seria? As empresas privadas terem uma sala na Casa Civil?

  10. Mariana Silveira Responder

    Não há moral nem direito na política.

    Então, com essa sua firula de realismo e idealismo, sofisma e tautologia, poderia ser mais claro, com o final do seu último parágrafo? Ele não fecha com este teu sofisma, parece o diálogo de Céfalo, em a República.

    Você precisa definir seu argumento se é lógico ou ideológico dentro de uma corrente no Partido. Sabe o que ficou, firulou, firulou com uma uma lógica fajuta para dizer, não gosto da corrente que ele representa e deve ser eliminado. Em outras palavras, joga seus companheiros às feras se ele não é possível dialogar, mesmo que para isso tenha que se alinhar a forças contrárias. Talvez isso possa explicar a dualidade de opinião, rechaçada de sofismas disfarçadamente permeada de retórica para argumentar. Uma pena.

    1. Idelber Responder

      “Dualidade”? Que dualidade há no meu post, cara-pálida? É impressionante um comentário desses, com essa salada de termos — “idealismo”, “realismo”, “lógico”, “ideológico”, “sofisma”, “tautologia”– que no final das contas não apresentam um contraargumento ao meu texto, vir dizer que o meu post “poderia ser mais claro”….

      Deixe-me desenhar: o texto não diz que eu não gosto da corrente do Palocci e por isso ele deve ser eliminado. O texto diz que ex-Ministro da Fazenda, que estava exercendo mandato de deputado, e já tinha sido nomeado Ministro-Chefe da Casa Civil, ganhar R$ 10 milhões em um mês, multiplicando seu patrimônio por 20 durante 4 anos, é coisa que exige, sim, explicações, porque o indício de mistura entre público e o privado é óbvio. Isso é o quê? “Sofisma”? “Tautologia”? Acho que você deveria consultar o significado dessas palavras no dicionário.

      E não fui eu quem “jogou um companheiro às feras”. Enquanto Palocci sangrava, eu resenhava clássicos latino-americanos por aqui. Quem se jogou às feras foi ele. Que eu saiba, foi ele quem escolheu fazer consultoria milionária sendo deputado e Ministro nomeado da Casa-Civil, e depois foi ele mesmo quem escolheu dar exclusiva na Globo, sem explicações. Quem são as “feras”?

      Pelo jeito, acho melhor deixar o coitado do Céfalo grego em paz, minha cara, e cuidar dos a-céfalos de aqui e agora.

  11. Roberto Pereira Responder

    Arre!

    Pensei que era só eu que tava ficando louco de não achar lá muito normal um Deputado Federal brasileiro em pleno mandato dando “consultoria” milionário pra quase todas as maiores multinacionais do país, inclusive a do simpático Dick Cheney.

    Será que nos EUA tem deputado federal dando consultoria remunerada pra Halliburton assim na cara dura?

    Se alguém puder informar, eu agradeço.

  12. Renata L Responder

    Pois é. Isso que eu dizia (lá em cima) quando falava da sensação de ter virado Simão Bacamarte. Porque minha conversa no twitter com um petista foi assim:
    eu – Vc continua defendendo o Palocci?
    ele – porque não continuaria?
    eu – porque ele multiplicou o patrimônio dele por 20 em 4 anos.

    e bom, pra mim bastava. E, claro, alguém pode -e vai – me dizer que não é meu partido, não é minha corrente, não é meu… que tá no poder. E nem é mesmo. Mas espero sinceramente que se isso acontecer algum dia ao partido ao qual pertenço, eu esteja com a mesma posição. Como o autor desse texto aqui. E outros petistas que conheço.

    A questão não é de corrente. Não é de tendência. Não é de “fogo amigo”.
    A questão é outra. Infelizmente.

  13. aiaiai Responder

    Só citei o meu caso para apontar porque eu acho normal que ele tenha faturado mais no mês em que decidiu sair do negócio pois ia ser ministro. Achei bastante plausível as explicações dele para isso.

    Quanto ao julgamento político, eu concordo que é do jogo democrático que a aposição tente achar indícios para desestabilizar o governo. O que eu acho estranho é o próprio partido que está no poder usar esses indícios – achados pela oposição – para fazer sangrar um ministro que era muito importante para o país e com isso desestabilizar o governo.

    O PT deveria ter exigido explicações do Palocci mas não deveria ter demonizado ele só porque ele multiplicou seu patrimônio. Para o PT querer a cabeça de um ministro deveriam haver provas contra ele. A verdade é que essas provas não existem. Até onde eu sei, ele apresentou as explicações para a Procuradoria Geral da República e esta declarou que não havia sequer indícios mínimos para uma investigação maior. O PT nem esperou por isso. Abriu fogo contra o Palocci antes de ouvir a PGR.

    Vamos aguardar novos casos. Aposto que eles virão.

    1. Idelber Responder

      Aiaiai, me mande um link com uma declaração de alguma pessoa importante do PT “demonizando” o Palocci. Eu não conheço. Conheço declarações bem tímidas, bem razoáveis, bem ponderadas, de gente como Jaques Wagner ou Raul Pont, dizendo que a evolução de patrimônio “chamava a atenção” e que era razoável esperar explicações. Não é exatamente a minha definição de “demonizar”.

      Percebe que ao colocar a queda do Palocci na conta do PT você está não somente brigando com os fatos, mas fazendo exatamente o contrário do que você quer fazer, que é fortalecer o governo? Dê mais uma pensadinha na frase “O problema é que, cegando-se para os fatos, você começa a confundir os lados também.”

      Eu acompanho o PT de dentro ou de perto desde 1982. Acredite, minha amiga, o segredo desse partido sempre foi a crítica aberta, a pluralidade e o rechaço às tentativas de sufocar o debate. Foi por isso que o PT vingou e, por exemplo, o PCB, não. Beijo.

  14. Francisco Figueiredo Responder

    Parabens! No meio dessa tempestade voce, o Rodrigo Vianna e o Rovai tem conseguido manter a sobriedade e realizar uma analise seria, sem clima de Fla-Flu, sobre o caso Palocci. Nem PIG nem PIF (Partido da Imprensa Favoravel)!

  15. marcos nunes Responder

    A ratificar que, em meio a isso tudo e a outras coisas mais e más, fica patente que o PT precisa reencontrar (ou só encontrar mesmo) seu caminho político; em se tornando (como de fato já se tornou) um partido igual aos outros, com todos os seus caciques e tratar inocentes úteis e inputeis como índios, não recuperará a credibilidade perdida. Mas talvez os “líderes” do PT estejam se lixando para a credibilidade, com as burras (e os burros também) cheios de dinheiro.

    1. Idelber Responder

      Nem todos os líderes, Marcos, nem todos. Só para constar uma homenagem que pretendo fazer com mais destaque em breve: Olívio Dutra voltou à UFRGS e vai às aulas diariamente de ônibus. Dois para ir, dois para voltar. Olívio é fundador do PT e presidente de honra do PT-RS. Enquanto ele estiver lá, é garantia de que ainda vale lutar pelo legado.

      1. marcos nunes Responder

        As exceções costumam confirmar a regra.

      2. Leonardo Fazito Responder

        Tem o Dutra e tem o Patrus também, Idelber, que voltou pra ALEMG no mesmo carguinho (concursado, é bom que se diga, pra evitar fogo amigo e inimigo) de assessor legislativo do qual ele se licenciou para exercer suas outras funções públicas.

  16. Giovanni Gouveia Responder

    Perfeito, Idelber.

    Alguns dos que “choram” a saída de Palocci, por certo aplaudiriam quando Stalin deu as costas na Guerra Civil Espanhola, afinal ter-se-ia que garantir a governabilidade.

    Só queria fazer um adendo, no penúltimo parágrafo também cabe: o recuo do kit anti bullying homofóbico

    Reitero, Palocci caiu porque tinha pé de barro.

  17. Flavia Tunes Responder

    “Todos sabemos da sanha midiática contra o governo Lula/Dilma. Principalmente por isso, o sr.Palocci deveria ter tido um pouco de brio e menos gana pelo poder. Já estava defendendo o leite das suas crianças (caso as tenha) e não precisava se abancar na principal cadeira ministerial e se transformar num alvo mais que perfeito. Talvez tenha confiado demais nas suas pantufas bicudas…
    Ninguém é ingênuo o bastante para acreditar que a turma golpista irá se acomodar. Pelo contrário, ficou mais assanhada ainda. Vem muito bombardeiro por aí. Por isso, cabe ao governo não ofertar munição gratuitamente.
    Também não é por ter aprovado a saída de Palocci que alguns se transformaram em traidores ou “amiguinhos” da oposição. Trata-se de coerência, no meu entender. Se o PT não é visto mais como um partido ético, a culpa não é dos que exigem que o seja. É hora de resgatar essa bandeira, inclusive, lutando por reformas políticas que impeçam, ou pelo menos dificultem, práticas oportunistas e imorais.”
    Este comentário que fiz em um blog que “denuncia” o direitismo dos apoiadores da saída de Palocci, provocou uma patada de aleijar. Porém, é uma opinião legítima, creio.

    1. Idelber Responder

      Flavia, as patadas andam rolando soltas. Receba minha solidariedade.

    2. Ricardo Responder

      Eu vi, Flavia, foi canalhice. Isso quando não “entram” como troll… verdadeiro mal-exemplo de cidadania!

  18. Mirabeau Bainy Leal Responder

    .
    .
    Bem que se poderia aproveitar esta discussão e lançar uma campanha para alterar a legislação,

    para que seja proibido a todos os agentes públicos, em todos os níveis (municipal, estadual e federal),

    manterem negócios particulares, enquanto no exercício do cargo ou função pública.

    Se a Lei não for modificada, vão continuar ocorrendo casos similares ao do Palocci,

    em todos os poderes e em todas as instâncias legislativas e governamentais.
    .
    .

    1. Rodrigo N. Responder

      Não espere isso do PT. Nunca.
      Reformas e mudanças que afetam o status quo e ameaçam a popularidade não é com eles.

  19. thor Responder

    Idelber, dessa vez terei de discordar.

    Elencaram ai em cima boas razões para que um mínimo de presunção de inocência e legalismo seja mantido na política. O uso indiscriminado de denuncias vazias e assassinatos de caráter é preocupante, e foi o que aconteceu. Feito com Palocci, só se incentiva mais o uso desse expediente. Não é nada implausível que com o conhecimento dele, e sem quebrar a lei, ele acumulasse meros 10 milhões de dólares. Algumas consultorias sobre fusões de empresas- nas quais um deputado normalmente não influi- bastam para acumular esse patrimônio.

    Depois, mesmo o Palocci sendo o elemento mais a direita do governo Dilma, ele estava afastado da parte econômica e sendo usado como articulador político, onde, vamos concordar, costumava ser bastante hábil. Sua queda é um grande setback pro governo, e muito provavelmente vai aumentar o apetite do PMDB, a sensação de poder dos nanicos, e tenho absoluta certeza que o novo Código Florestal vai sair pior do que sairia sem esse escândalo.

    Por fim, a verdadeira discussão que deveria ser posta é a da condição dos servidores públicos. A remuneração é centenas de vezes inferior a do setor privado nos altos escalões, e o revolving-door é uma preocupação que transcende em muito o Palocci. Carreiras mais recompensadoras conjugadas com medidas mais restritivas para o servidor (quarentena, compromisso de sigilo, etc) é a forma de tornar uma questão moral, legal, e ai sim dar substância a essas acusações.

  20. Rodrigo N. Responder

    Antes, defendia-se o PT em toda e qualquer circunstância. O partido estava acima de qualquer suspeita. Eram os donos da moral. Os reis da ética. A salvação dos pobres.
    Agora, chega-se ao completo absurdo de se criticar “parte” do PT alinhada com a “direita tucana”.
    Isso é patético. Isso é um insulto a inteligência de quem lê esse texto.
    Não sejamos hipócritas. Dilma demitiu o amigo as lágrimas em rede nacional.
    Encaremos a realidade: a ala ideológica-revolucionária do PT respira por aparelhos, está fadada a extinção. Estacionou no tempo. É incoerente. Não tem visão do mundo atual. Não tem projeto para o país.
    Não se questiona mais o capitalismo. Agora é capitalismo sim, mas desde que seja mandado, regulamentado e coordenado por mim. Ridículo! Já vai tarde!
    Esse partido chegou ao topo do poder com a promessa de dar voz ao povo trabalhador. E o que fez? Protagonizou uma sequência vergonhosa e, parece, inesgotável de escândalos, de corrupção, de falta de ética.
    Há ainda os arrogantes que desmoralizam quem não compra o discurso lulista do “Brasil Potência”.

  21. Idelber Responder

    Resposta ao Galo, lá em cima:

    Meu chapa, qual soberba? Isso se chama argumentos.

    “Onde é que está escrito, na constituição meu caro Idelber, que um Deputado Federal não pode exercer uma atividade privada?”

    Se você tivesse lido o texto direito, veria que não estou falando do que “está escrito”, não estou falando de Direito ou de leis. Estou falando de política. Po-lí-ti-ca. E na po-lí-ti-ca, um deputado do Partido dos Tra-ba-lha-do-res tem que se explicar, sim, se der consultoria privada como deputado que lhe renda multiplicação por 20 de seu patrimônio. Especialmente se acabou de sair do Ministério da Fazenda.

    “Onde é que está escrito, na constituição meu caro Idelber, que ele tem que divulgar, publicamente, para quem ele está trabalhando e quanto está ganhando.”

    Não está escrito em lugar nenhum. Se tivesse entendido o texto, saberia que não estou falando de Constituição, mas de política. E está pressuposto politicamente que um deputado, ainda mais deputado ex-Ministro da Fazenda, multiplicar o patrimônio por 20 dando consultoria a gigantescos grupos privados, e estiver exercendo mandato pelo Partido dos Tra-ba-lha-do-res, será cobrado por isso. E se não estiver explicações, fica em saia justa mesmo.

    “As consultorias eram por resultado e foram feitas ANTES dele ser nomeado ministro.”

    FALSO. Em dezembro de 2010 Palocci já era nomeado Ministro-Chefe da Casa Civil. Em dezembro de 2010 Palocci recebeu R$ 10 milhões por consultorias.

    Crime? Não. Mas este não é um post sobre Direito Penal. É um post sobre política. Volte com argumentos políticos e a gente conversa.

    1. marcos nunes Responder

      Hipoteco minha solidariedade nessa discussão; o “Galo” tem que entender que, politicamente, um filiado ao PT não pode enriquecer à sombra das atividades que exerce quando é eleito ou nomeado para funções públicas, sobre as quais deve satisfações contínuas, principalmente se suas ações profissionais paralelas se confundem com suas ações políticas.

      Se o Palocci quer ser rico, ok, rasgue a ficha de filiação ao PT e vá prestar suas “consultorias” à vontade, sem dar satisfações a ninguém, ou, pelo menos, até ser pilhado em algum delito civil ou criminal (não duvido que tenha praticado ambos enquanto prestou – ou ainda presta – as tais “consultorias”).

      Só que tem um problema aí: já pensou na hipótese desse dinheiro “ganho” por Palocci ter relação com financiamentos ilegais de campanhas, ou ser fruto direto de ações de campanha, ou ainda relacionado ac transferências de montantes a paraísos fiscais?

  22. Carlos Responder

    O artigo é direto e certeiro!
    Parabens Idelber.

  23. Renata L Responder

    Pois é..
    último comentário do Idelber (até aqui) não deveria ser necessário.
    Mas é.
    Que pena.
    Porque parece evidente, né. Tem o ditado antigo: “À mulher de César não basta ser honesta: tem que parecer honesta”.
    Ainda mais quando se trata de César (ou da eminência parda de César).
    Do condutor da política econômica do governo.
    De um homem público do primeiro escalão.
    Consultoria?
    Clientes?
    Patrimônio multiplicado por 20?
    Nada disso foi contestado – são fatos notórios.
    Pode-se dar nó em pingo d’água pra explicar. Mas justificar… aí são outros 500.

  24. ruy marcondes garcia Responder

    Acho que nunca vi uma coisa mais fora do lugar do que a presença do milionário ex-ministro Palocci no lançamento do programa Brasil Sem Miséria.
    Foi um acinte e um deboche aos inúmeros membros do governo que trabalharam com afinco para formular o programa, muitos deles militantes do PT, e, principalmente, aos milhões de miseráveis deste País.
    Como é possível simplesmente ignorar que ele usou o Partido e o cargo que ocupou, jogando pela janela, inclusive, os milhares de votos que recebeu para se eleger deputado federal, para multiplicar seu patrimônio pessoal dando “consultoria” para a fina flor do empresariado nacional?

  25. Jorge Guedes Responder

    Melhor publicar aqui (pode apagar o lá de cima).

    Idelber, você repete sistematicamente argumentos da oposição, de maneira leviana. Ele recebeu R$ 10 milhões em dezembro depois de encerrar as atividades da empresa, não por serviços prestados no período. Palocci explicou isso em entrevista nacional, você pode não acreditar, mas deveria ter a dignidade de fazer constar essa explicação. O tempo inteiro você pôe esses caquinhos piguianos em seu texto. Você menciona também, num comentário, a entrevista do governador da Bahia, que foi descontextualizada pela mídia, pois J Wagner havia dito, na mesma entrevista que se solidarizava com Palocci e acreditava em sua inocência. O que Wagner disse era simplesmente que chamava a atenção os valores, o que é óbvio. Palocci foi coordenador da campanha de Dilma Rousseff, não era um joão ninguém inútil. Ele foi peça fundamental no primeiro governo Lula para estabilizar a economia bombardeada pela sabotagem tucana dos últimos anos fernandistas, absorvendo calado críticas à política econômica como se ele fosse o responsável por elas, e não Lula.

    Quanto à multiplicar o patrimônio por 20, é preciso ver a base de onde este partiu. Se um fulano tem 0 reais na conta bancária e quatro anos seguintes, tem 20 reais, terá multiplicado seu patrimônio por 20. Não existe duração “ética” para se ganhar dinheiro no Brasil. Obviamente que, se não temos nenhum negócio antes, e se abrimos um negócio e esse negócio dá certo, nosso patrimônio se multiplica várias vezes. Palocci tinha 300 mil reais declarados há 4 anos, e 4 anos depois, tinha 20 vezes mais. 4 anos é o tempo médio para uma empresa brasileira, na área de serviços, atingir a maturidade.

    Entendo sua crítica propriamente ideológica a Palocci, mas a quantidade de clichezinhos bobocas, como “o capital não tem amigos, só interesses”, é lamentável. Falar é fácil, a realidade concreta é outra. Por sorte, a Dilma encontrou uma boa solução e fez do limão uma limonada, mas nem sempre terá essa sorte.

    Também lamento por sua reentrada de maneira tão agressiva na blogosfera, fazendo críticas tolas a um imaginário “progressista”, quando na verdade a maioria dos blogueiros progressistas ingressaram nesse moralismo de botequim. Pareceu-me rancoroso, vingativo, pequeno.

    Ser empresário não é crime. O governo federal tem vários programas incentivando trabalhadores a abrirem seus próprios negócios e ensinando empreendedorismo. O brasileiro é, culturalmente, um empreendedor, e os negócios próprios até hoje representam talvez a maior geração de emprego no país. Portanto, o lance de contrapor mentalidade de empresário versus mentalidade de trabalhador, é somente um esquerdismo infantil de gente confortável (e egoísta) em seu emprego.

    Por fim, conforme vi num comentário num blog, essa carolice gosmenta, pró-pobreza, que surgiu no caso Palocci é de uma hipocrisia e idiotice revoltante. Os valores que circulam na economia brasileira hoje são várias vezes maiores que em qualquer outra época do passado. Rola mais dinheiro hoje. Só o PT movimenta hoje bilhões de reais em doações de campanha e fundo partidário. O que tenho visto não é uma pregação às “origens ideológicas” do PT, que a rigor nunca foram contra o capital ou revolucionárias, e sim um saudosismo folclórico e jacú dos tempos em que o partido financiava-se com venda de brochinhos, perdia eleições e os trabalhadores não tinham um partido que os representassem. Como dizia Brizola, o PT é a UDN de macacão. Eu acrescentaria, de macacão comprado no shopping…

    1. marcos nunes Responder

      Puxa, eu não sabia: quer dizer que eu posse entrar hoje no PT com meu patrimônio zero e, daqui a 10 anos, ser demitido de uma secretaria já milionário, depois de uma bela carreira de empreendedor, que usa das prerrogativas de cargos políticos para amealhar clientes, sem sequer saber o significado da palavra “edital”?

      Putz, vô correndo assinar minha ficha de filiação ao PT. Ou ao DEM, ao PSDB, ou, PSB, ou, sei lá, qualquer um desses aí…

  26. Carlos Henrique Machado Responder

    Jorge Guedes

    A questão não está na ampliação do patrimônio de Palocci. Se tudo isso fosse ligado à sua vocação empresarial e se não existissem as reveladoras verdades de caráter ético que uma pessoa evolui de forma estantânea porque tramita no território do poder e nas forças do capitalismo.

    Você queria o quê, a permanência desse movimento? É esta a lógica que esse novo capitalismo vem impondo ao Estado e que você crê ser o objetivo de todo pequeno, médio e grande empresário? Ingenuidade é querer agredir o brochinho, o sonho e acreditar que isto significa um pensamento miúdo.

    A nova gleba da riqueza fácil tem nos mostrado que esse inseparável caminho de uma quase integração orgânica entre corporações e políticos, ou melhor, políticos fabricados por corporações tem sido o caminho estantâneo para as empresas se tornarem praticamente herdeiras desta forma de alimento estatal.

    Acho que vale sim esta saudável crítica do Idelber e falar, sobretudo hoje, como devem desempenhar o seu papel os partidos de esquerda. Tem que ser repudiada essa forma de expansão de patrimônio pessoal, tendo como moeda de troca oportunidades privilegiadas. Temos que pensar num modelo político com regime representativo construído mediante a uma ética diante da própria sociedade. Não se pode simplificar uma racionalidade hegemônica aonde o agente do Estado se confunde com o gestor do mercado. Não dá. Foi identificado o subito enriquecimento de Palocci em suas atividades privadas que estão ligadas à sua convivência entre o alto poder e o mercado.

    Quem dera que tudo fosse, no meio empresarial, uma mera questão administrativa e que bastaria apenas uma placa em cima da lojinha que toda a produção e consumo passaria a ser regra de uma bem-aventurada vida empresarial. Ninguém chega com seus ganhos à órbita em tempo fulminante, dependendo apenas de uma produção, de uma estratégia de negócios. Dentro da nação dos alto negócios, o cotidiano político não é nada civilizado. E digo mais, é indispensável que se tenha fluxos dentro de um espaço político subordinado a seus interesses. Isso tem que ter um freio.

  27. fm Responder

    Eu não sei sei se essa ideia de que a coisa deva ser simplesmente ‘política’ se descola de a coisa ser moral, ou ética.
    Nestas questão morais, para mim, esse cara já deveria ser ejectado na indicação, ou antes. Ai sim seria uma atitude política.
    O Pt não se descola de Palocci. Ok , até entendo a indignação quanto a afirmação de que ‘Há duas coisas que acontecem no Brasil quando cai um ministro petista: Ricardo Noblat comete uma barriga e a culpa da queda é atribuída à esquerda. Não falha nunca.”
    Isso é um padrão
    Mas, de uma forma ou de outra, o palocci é um produto da esquerda que defendemos. Ele estava lá quando apoiamos o lula, a dilma etc e tal.
    O caso concreto é que Palocci falhou duas vez, e em tempos muitos pouco distantes. E mesmo assim esteve na casa civíl
    ‘encher as burras de dinheiro misturando o público com o privado é que era uma traição ao espírito original do Partido dos Trabalhadores.’
    Palocci deveria saber disso. Acima de tudo o Pt deveria saber disso.
    O caso é que Palocci foi nomeado para a casa civíl no governo Dilma, o que o que indica que o PT , ou não sabia, ( coisa que não acredito) ou deixou rolar.
    Palocci é do PT , e o PT, agora, é isso teremos que engolir.E foi isso que representou a indicação de Palocci. Contra qual não houve contradições. Pelo menos no nível de agora.
    Mas você levanta uma questão, sobre a importância do capital na vida política no Brasil, e se Palocci deixou de ser útil ao capital, e foi defenestrato, quem mais estaria comprometido com o capital e será o próximo a ser demitido ou não?
    Afinal o capital não se deixará sem representação

  28. guilhermeScalzilli Responder

    E por que Palocci?

    Antonio Palocci caiu por falta de apoio político. Sua nomeação equivocada para um cargo estratégico, a resistência de setores influentes do PT e a inabilidade no trato com a base aliada selaram seu destino desde muito cedo. A disputa pelos cargos nos diversos níveis governamentais, as derrotas do Planalto em votações polêmicas e os preparativos para as eleições municipais de 2012 apressaram o desfecho do imbróglio. O enriquecimento do ex-ministro serviu apenas como o pretexto “republicano” que faltava ao discurso dos adversários.
    Se houvesse lídima preocupação ética no debate, o público já saberia que a lista dos misteriosos clientes de Palocci envolve financiadores da própria mídia corporativa e de muitas campanhas eleitorais, inclusive de petistas célebres. A imprensa oposicionista, que num passado recente se chocou diante de certos “dossiês”, elucidaria o vazamento nebuloso dos dados que fundamentaram as acusações. E a curiosidade acerca do crescimento patrimonial alheio provocaria uma febre de estudos comparativos sobre centenas de parlamentares, ministros, governadores e prefeitos.
    Por que apenas Palocci deve tais explicações ao eleitorado? A esquerda precisa que a Folha de São Paulo alavanque seus escrúpulos morais? Vamos investigar, companheiros?
    É impossível aceitar a idéia de que os fundamentos do Direito não cabem no universo político. Mesmo que a presunção da inocência pareça irrelevante para o caso específico, a rapidez com que ela foi desprezada revela apenas um autoritário pendor para o linchamento e nenhum anseio real de justiça. É o pior exemplo que o STF poderia conseguir às vésperas de julgar os acusados do tal “mensalão”.
    Questionar a fragilidade e o oportunismo dos ataques a Palocci não significa defendê-lo. Em vez de refugiar-se nas acusações de patrulhamento ideológico, a blogosfera que ajudou a fritá-lo poderia ao menos evitar o maniqueísmo reducionista dos veículos tradicionais.

    1. Idelber Responder

      Guilherme, se há uma coisa que não falta ao Palocci é “habilidade no trato com a base aliada”. Ele é famoso por ter essa habilidade. E o enriquecimento foi um “pretexto”? Você chama R$ 10 milhões em consultoria durante um mês, já nomeado Ministro, de “pretexto”? É uma ideia bem curiosa de “pretexto” E o que tem o pleito municipal de 2012 a ver com isso? Você acha que ele foi fritado pelos adversários petistas dele em Ribeirão Preto? Que salada, eu não entendi nada.

      E qual foi a blogosfera que “ajudou a fritá-lo”? Nome do autor e link ao post, por favor. Vamos dar nome aos bois.

  29. guilhermeScalzilli Responder

    Idelber, minhas respostas aos seus questionamentos foram publicadas lá no blogue. Espero sua visita.
    Um abraço do
    Guilherme

  30. Chico Cerrito Responder

    Nem sei se Palocci é vítima do PIG, isso não me interessou, jamais gostei dele.
    Tenho certeza que sua atuação nunca foi de esquerda e sempre estranhei seu prestígio junto à Lula e Dilma, aliás achei péssimo a presidenta, desde ainda candidata, ter essa companhia.
    Espero que desapareça da vida política, ele e todos os santos de pau oco, os que se fazem parecer de esquerda mas são na verdade, como Palocci, defensores do deus-mercado-acima-de-todas-as-coisas e arautos dos valores da burguesia elitista, egoísta, preconceituosa e concentradora de renda.
    Ótimo artigo.


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