Por que me orgulho de ser colunista da Revista Fórum

Hoje é um dia de festa pra nós aqui na Fórum. A revista, nascida sob inspiração do Fórum Social Mundial de 2001 e da ideia de que um outro mundo é possível, completa agora...

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Hoje é um dia de festa pra nós aqui na Fórum. A revista, nascida sob inspiração do Fórum Social Mundial de 2001 e da ideia de que um outro mundo é possível, completa agora 10 anos. Ela esteve presente em todas as edições do FSM. Só quem já viveu ou, pelo menos, pensou um pouquinho sobre, o cotidiano de uma publicação independente como a nossa, num dos países de maior concentração de propriedade sobre os meios de comunicação, poderá avaliar o que um aniversário desses significa. A bagaça funciona sem grandes grupos empresariais por trás, sem rabo preso com ninguém e, modéstia às favas, produz conteúdo de alta qualidade. Se você ainda conhece pouco do que fizemos aqui, é só visitar as cento e uma edições da revista.

Quando recebi o convite do Renato Rovai para ser colunista da Fórum e, depois, fazer blogue e matérias para o site, não foi sem hesitação que aceitei. Eu havia fechado o Biscoito Fino e a Massa e estava pronto para dar um tempo da internet. Eu tinha sido convidado para fazer parte de vários portais independentes que se estabeleceram no Brasil ao longo da década, mas havia recusado os convites porque nunca quis envolver ninguém nos meus balacobacos periódicos, e sempre achei que funciono melhor solo (um coração anarquista convive com esta cabeça trotsquista). Com a Fórum foi diferente porque, além de eu já ter encerrado o meu próprio blogue, havia aqui um projeto político com o qual eu me identificava. E em três anos de colaboração, tudo o que escrevi aqui, no site e na revista, foi com completa liberdade – sem censura ou constrangimento de qualquer tipo. Sugestões de pauta, sim, claro. Nós nos reunimos o tempo todo para decidir juntos o que fazer. Mas “não faça isso, não diga aquilo, pode criar problema”, jamais.

Somos uma revista de esquerda, para quem – e acredito poder falar em nome do Renato, do Glauco e da Adriana ao dizer isso – muita coisa mudou para melhor no Brasil durante os últimos oito anos e meio. Mas tampouco temos rabo preso com ninguém e aqui, além das análises críticas à mídia e à direita, você também lerá críticas à condução do Ministério da Cultura, a obras do governo federal como Jirau e Belo Monte e a desastradas escolhas do PT como o apoio a Márcio Lacerda. Ao contrário de outras vozes de esquerda, dedicamos espaço sistemático, constante, a questões relacionadas ao feminismo e ao meio ambiente, ao combate ao racismo e à homofobia. Não entendemos essas questões como problemas menores, laterais ou circunstanciais, nem como epifenômenos que se resolverão por si sós quando o socialismo chegar. Não cobrimos tudo, a batalha diária é dura – eu faço outras coisas, Renato também, Glauco também, Adriana também – mas, do que cobrimos, temos orgulho. É só ver a matéria de 2005 do Glauco sobre o chamado mensalão para ver que o trabalho feito aqui tende a permanecer, a sobreviver o teste do tempo. Os arquivos do blogue do Renato estão cheios de furos, notícias dadas em primeira mão, antes da chamada grande imprensa.

Criticamos e analisamos as distorções, manipulações e parcialidade da mídia brasileira e lutamos por um marco regulatório nas comunicações, mas aqui você não encontrará o maniqueísmo obsessivo de atribuir ao chamado “PiG” todos os males para, logo depois, utilizar mentiras disseminadas por esse mesmo “PiG” quando são convenientes para um governismo acrítico. Não acreditamos na chantagem de que criticar os descalabros do atual MinC, por exemplo, é “ajudar a direita”. A direita já está no MinC.

É claro que nem sempre concordamos em tudo entre nós, mas posso dizer que, se eu tivesse que apontar, entre todas as pessoas que escrevem sobre política na internet brasileira, aquela que mais provavelmente terá uma posição que coincide com a minha na maioria dos temas, eu diria o Renato Rovai (eu acrescentaria a jornalista Cynara Menezes, da Carta Capital e meu amigo Marco Aurélio Weissheimer [eu xingo tanto o jornalismo e as três pessoas em quem mais me sinto representado politicamente são jornalistas; significa?]). Não digo isso porque trabalho com o Renato. A relação causal é inversa: só vim trabalhar com ele porque eu já havia visto que esse era o caso em 2010. A cada acontecimento político, quando nos reunimos para decidir pauta, essa convicção se reforça.

Por todos esses motivos, faço neste post algo que nunca fiz na internet, que é convidá-lo a comprar um produto: está em promoção a assinatura da Fórum. Você pode comprar a assinatura anual de R$ 90 por R$ 50 ou a bianual de R$ 170 por R$ 99. No momento em que a revista chega às bancas, nós disponibilizamos todo o conteúdo aqui, grátis. Mas é claro que com a revista em papel você leva muita coisa mais: pode lê-la em qualquer lugar, emprestá-la a amigos, formar sua coleção, comprar uma assinatura como presente para alguém etc. Se quiser ajudar este projeto a se fortalecer, a gente agradece.

A festa dos 10 anos da Fórum acontece no dia 24/09, das 10h às 20h, na Casa Fora do Eixo, em São Paulo, e você pode pegar o seu convite grátis aqui.  Ao longo do dia de hoje, no Twitter, vamos celebrar o aniversário com promoções e links acompanhados da tag #Forum10. Se você usa o Twitter, apareça por lá e compartilhe textos da Fórum dos quais você gostou. Tim-tim que a gente merece.



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4 comments

  1. Marilia Balbi Responder

    Parabéns revista Forum! Estive no primeiro Forum Social na esperança de um mundo possível! Não vamos desistir nunca, principalmente com uma revista que faz importante reflexão sobre a sociedade, a política e os caminhos para um mulhor melhor: responsável, ético, sustentável e fraterno, minhas bandeiras também. Felicidades pelos 10 anos de revista! abs, Marilia Balbi

  2. Antonio Holzmeister Oswaldo Cruz Responder

    O merchan funcionou e fiz assinatura da revista.

  3. Moacyr Responder

    Só li alguns exemplares da Forum na época da campanha da Dilma, ano passado, e a achei uma revista panfletária, tendenciosa e obtusa quanto a uma crítica efetiva dos problemas do Brasil. Pareceu-me evidente o patrocínio do governo, o que, por si só, já a anula.

    Atualmente a única publicação de uma esquerda inteligente, independente de partidarismos, e realmente engajada com a questão social que leio é a Le Monde Diplomatique Brasil.

    1. Luís Responder

      Mais tendenciosa, panfletária e obtusa que a Carta Capital? Duvido muito.


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