Não é hora da esquerda brasileira abandonar a crítica da “guerra às drogas”

Poucos fenômenos sociais contemporâneos são tão óbvios, tão gritantes, tão patentemente escancarados como o fracasso da “guerra às drogas”, capitaneada pelos EUA nas últimas quatro décadas e replicada na América Latina com resultados desastrosos....

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Poucos fenômenos sociais contemporâneos são tão óbvios, tão gritantes, tão patentemente escancarados como o fracasso da “guerra às drogas”, capitaneada pelos EUA nas últimas quatro décadas e replicada na América Latina com resultados desastrosos. Tomem-se quaisquer números: os trilhões de dólares gastos, os milhões de cidadãos não-violentos encarcerados—a grande maioria, claro, negros e pobres–, os milhares e milhares de mortos em violência evitável, o aumento constante da oferta e a completa ausência de qualquer redução no número de viciados ou mesmo de usuários casuais. Até quando esses números terão que esbravejar em nossas fuças antes que o poder público consiga estabelecer uma conversa minimamente racional sobre políticas alternativas para a bagaça?

Nos EUA, que são, como sabemos, a matriz dessa fracassada política, os números carcerários são assustadores: um em cada três adultos negros do sexo masculino está ou esteve preso ou em liberdade condicional, a grande maioria por crimes não violentos associados ao consumo de drogas. A cada 19 segundos, alguém é preso nos EUA por causa de alguma droga. Só no ano de 2009, a criminalização das drogas foi responsável pelo encarceramento de 1.663.582 pessoas nos EUA, e o número para 2011 já está em 1.312.627. Mais de 600.000 foram presas por porte de uma droga relativamente inofensiva como a maconha. O Brasil começa a se aproximar dessa insanidade: nossa população carcerária triplicou entre 1995 e 2010, e ela seria hoje uma cidade maior que várias capitais, como Aracaju ou Cuiabá. Lançamos às nossas superlotadas e imundas prisões jovens não violentos, de 20 anos de idade, que nunca fizeram mal a ninguém e foram pegos com pequenas quantidades de cocaína ou crack. Alguém em sã consciência acredita que eles saem de lá em melhores condições de viverem e serem felizes do que as que tinham quando entraram?

O momento no Brasil é delicado, porque é inegável o retrocesso que teve lugar este ano, já sinalizado aos 21 dias de governo, com a demissão do Secretário Nacional de Política sobre Drogas, Pedro Abramovay, que simplesmente defendeu, numa entrevista a O Globo, a mais sensata das propostas: a possibilidade de penas alternativas a pequenos traficantes não violentos, conjugadas com outras políticas de prevenção e tratamento para viciados. Basta ler a entrevista para ver que Abramovay não defendeu nada que se assemelhasse a um “liberou geral”. O então Secretário, inclusive, enfatizou que, entre os extremos da “guerra contra as drogas” e a legalização, há um amplo leque de opções. Não foi cowboy o suficiente para o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo que, com o apoio da Presidenta Dilma Rousseff, decepou-o antes que ele completasse um mês no novo governo. Dali em diante, o Brasil só reforçou seu descompasso com outros países, como Portugal e Argentina, que têm experimentado políticas mais inclusivas e inteligentes, menos histéricas, proibicionistas e militarizadas para o problema. Já em janeiro deste ano, meu amigo Carlos Magalhães, que entende do assunto, cantou a pedra do retrocesso.

A situação piora ainda mais com a reação infantil de certos setores da base governista – recuso-me a chamá-los de “esquerda” – à entrada do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na campanha pela descriminalização. Não sei se FHC abraçou a bandeira por oportunismo, por estar buscando algo que lhe permita recuperar protagonismo, por ter genuinamente começado a se preocupar com a causa ou para imitar a tradição estadunidense de ex-presidentes liderarem campanhas supra-partidárias difíceis, impopulares, que só eles teriam condições de puxar. O fato é que eu, que defendo a descriminalização desde sempre, não vou abandoná-la porque ganhei um novo aliado de outro partido. A bizarra inversão de valores nos leva a ler coisas como Dilma ataca o crack; Descriminalização é coisa de tucano, como se os tucanos tivessem descriminalizado alguma droga, como se a Cracolândia fosse em Conceição do Mato Dentro, e como se não tivesse sido a esquerda a grande defensora desta bandeira ao longo dos anos. Até mesmo um hilário link de título “Governo da Holanda confirma: maconha faz mal a saúde” andou circulando por comarcas ditas progressistas, como se alguma vez algum defensor sério da descriminalização tivesse negado que as drogas fazem mal à saúde. Fazem, sim. A questão é como lidar com elas, posto que sempre existiram e não deixarão de existir e de ser usadas, não importa quantas vidas o proibicionismo destrua nesta insana campanha.

É fato que a descriminalização completa de tudo não é uma possibilidade num contexto em que outros países continuam proibindo. Mas há alternativas de descriminalização parcial, acompanhadas de políticas educacionais e preventivas, que salvariam muitas vidas ceifadas pelas guerras de gangues, pela violência policial e pelo horror carcerário. A experiência portuguesa é muito boa. Se FHC abraçou uma causa que sempre foi nossa – quando digo “nossa” em política, quero dizer dizer esquerda –, pombas, que ele seja bem-vindo. Saltar para o vagão proibicionista por causa disso, ou omitir-se por conveniência, não é somente infantil. É uma traição aos nossos irmãos e irmãs mais pobres, que são os que pagam o preço do fracasso dessa política. Dilma não parece muito receptiva, mas nós temos aliados no governo. Não tornemos sua tarefa impossível.



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39 comments

  1. marcos Responder

    Como diz Zizek:

    “Com essa esquerda quem precisa de direita”

  2. Fernando Responder

    Grande texto. Nesse ritmo além de um ex-presidente de Direita adotar uma luta da esquerda teremos futuramente uma ex presidenta de esquerda adotando lutas da direita. Uma mistura só.

  3. Ismael Responder

    Voto na esquerda, apesar de alguns pontos não me identificar, como esse. E continuarei votando na esquerda, e sendo contra liberação de drogas.

    Não consigo levar a sério as propostas apresentadas, principalmente ao ver as ditas “marchas”.

    Muito do que se vê é um discurso que joga argumentos pró, mas que na verdade parece simplesmente uma vontade de consumir sem preocupação ou culpa. Culpa pois por mais que se afirme que não, ainda não vi argumentação sólida que comprovasse que playboy consumindo maconha não esteja também armando traficante.

    Considero vergonhoso, beirando o nojo, alguém usar argumentos do tipo “Maconha tem propriedades terapêuticas comprovadas” e semelhantes.

    Que tenha, acredito, de coração. Mas e quem diz isso está preocupado com os pacientes beneficiados ? Não, quer usar o sofrimento alheio para reforçar sua tese.

    “Mas há alternativas de descriminalização parcial, acompanhadas de políticas educacionais e preventivas”

    Avelar, ótimo, mas a Aids não continua contaminando, as pessoas não continuam dirigindo bêbadas (droga liberada) e se matando e a inocentes no trânsito?

    Não vi proposta séria até agora. E o FHC parece sim estar aproveitando para conseguir mais holofote. Apoiado até pela globo, que busca desesperada um oposicionista melhor que serra.

    O FHC apoiar o movimento não mudou minha opinião. Só dá um gostinho todo especial para combater. E também mostra o lado oposto ao que falou: Gente dita de esquerda que até um dia antes falava horrores dele, mas que a partir disso passou a admirar o aposentado tucano como gênio.

    Fico triste por ver gente volúvel assim na esquerda. Mas ao menos fico satisfeito que tenham mostrado a verdadeira face. Clichê, mas se aplica: Melhor qualidade que quantidade nas fileiras.

    1. Gelso Job Responder

      Concordo com o Ismael. Já tive inúmeras oportunidades de fumar o “bagulho”, oferecido por “amigos” em minha juventude e sempre tive personalidade para recusar e é isso que quero ensinar a meus filhos e não aceito ser taxado disto ou daquilo. Foi o FHC que mudou de lado e mais gosto tenho agora de lutar contra o THC(pricípio ativo da maconha). Eu continuo na mesma trincheira e em paz com minha consciência.

    2. Bosco Responder

      Ismael disse: “Culpa pois por mais que se afirme que não, ainda não vi argumentação sólida que comprovasse que playboy consumindo maconha não esteja também armando traficante.” – E o plyboy que tem o seu pé de maconha em casa estará armando traficantes?

      Quanto o pensamento do FHC sobre as drogas não é muito diferente do pensamento do Lula. O ministério da justiça do atual governo joga hoje o jogo do fundamentalismo religioso do quanto pior for o mundo melhor será para as religiões. Afinal, quanto mais atormentado estiver o cidadão, mais ele procurará soluções através do sobrenatural, e mais se submeterá ao dízimo religioso.

      1. Ismael Responder

        Bosco:

        “E o plyboy que tem o seu pé de maconha em casa estará armando traficantes?”

        Se somente consumir, não. Se começar a revender(vender no caso, pois é produtor), sim. Coisa que tem muito playboy sem necessidade alguma na vida que faz, por ser “esperto”, não ser “otário para trabalhar duro”.

        O resto do seu comentário é de uma teoria da conspiração das mais elaboradas. Força aquela visão de que drogas não causam mal, seria tudo fruto de uma grande conspiração teológico-governamental.

        1. José Antonio Meira da Rocha Responder

          Quantas pessoas morreram de maconha, ano passado, mesmo? De tabaco, morreram umas 110 mil pessoas…

          1. Ismael

            Não sei, quantas? Há estatísticas?

            Tabaco é responsável por muita morte de fumantes passivos, bebida influencia seriamente no trânsito. Não discordo, reforço até.

            Ok, tendo isso como verdade, maconha não influencia nos reflexos para o trânsito? E a questão da disputa dos traficantes ? E a questão da droga vir batizada, sabendo-se lá o que se coloca de substancias?

            E fumante passivo de maconha não existe também ? Se for num estádio vai perceber o que falo.

            Tentar tornar maconha uma droga sem problema algum é o pior caminho, mais fácil para contra-argumentar.

        2. Perseu Responder

          Visão ingênua e maniqueísta de mundo. Existem os bons e puros, aqueles que não bebem e nem usam drogas, e aqueles maus e impuros, que geralmente são os usuários de drogas e alcoólatras.
          Os primeiros são os portadores das virtudes do mundo, devendo ser venerados e protegidos a todo custo; os segundos são párias que só trazem malefícios para a sociedade, devendo ser brutalmente reprimidos. Dois exemplos dos primeiros: Adolf Hitler e George W. Bush.

          Peço que rebata com argumentos os pontos destacados abaixo:
          1) Repressão: a maior repressão não diminui o consumo, exemplo são os EUA;
          2) Como a liberação do USO somente de maconha vai piorar a caótica situação da segurança pública no Brasil?
          3) O legislativo holandês é pior(!?) que o brasileiro?

          “Eu prefiro ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

    3. Idelber Responder

      “Por mais que se afirme que não, ainda não vi argumentação sólida que comprovasse que playboy consumindo maconha não esteja também armando traficante.”

      Faltou procurar direito.

      “Não vi proposta séria até agora.”

      Faltou ler os links do texto.

      Gente dita de esquerda que até um dia antes falava horrores dele, mas que a partir disso passou a admirar o aposentado tucano como gênio.

      Aponte pra mim uma pessoa de esquerda que passou a se referir a FHC como “gênio”.

      Apoiado até pela globo.

      A Globo passou a apoiar a descriminalização das drogas? Eu não sabia. Tem um link aí?

      Fico triste por ver gente volúvel assim na esquerda.

      Impressionante o malabarismo, hein? Quem defende a mesma posição sobre as drogas desde 1982 é o “volúvel”? E quem mudou de opinião porque FHC mudou é o quê? Primor de coerência?

      Considero vergonhoso, beirando o nojo, alguém usar argumentos do tipo “Maconha tem propriedades terapêuticas comprovadas” e semelhantes. Que tenha, acredito, de coração.

      Em questões científicas, Ismael, o que você acredita “de coração” importa pouco. Pesquisa importa muito. Uso da maconha no tratamento, por exemplo, do glaucoma, é fato científico comprovado. Informe-se.

      Melhor qualidade que quantidade nas fileiras.

      Não se preocupe. O que menos falta nas fileiras do governismo acrítico hoje é quantidade. Mas vale o aviso: é da essência da quantidade não durar para sempre.

      1. Ismael Responder

        “Faltou procurar direito.”

        Aquilo ali, sério ? …

        Em meia dúzia de palavras basicamente o que ele diz é “não, não é”, pura opinião.

        Quando tenta argumentar cai para aquela bobagem de que as pessoas continuariam usando, como se as drogas fossem necessárias.

        Não são. A humanidade já está aí faz uns bons 6(7?) milênios e viveu a grande parte disso sem. Claro, sempre existiram outras, mas se está aumentando o efeito das novas. Sem nem contar que uma minoria usa e prejudica uma maioria que não usa.

        Mas voltando a “argumentação”. Não falou nada que contrariasse o argumento, de que sim, ao comprar maconha, incentivam o comércio, logo, incentivam a proteção desse, as armas, a guerra de território.

        “Faltou ler os links do texto.”

        Não havia mesmo visto esses, só vejo gente falando da Holanda aqui no Brasil.

        Taí, gostei da proposta de Portugal. Mas alguém aqui realmente apoia esse ?

        Esse da pessoa prestar serviço comunitário apoio. Boa mesmo, não vai pra prisão, mas não sai impune.

        ‘Aponte pra mim uma pessoa de esquerda que passou a se referir a FHC como “gênio”.’

        Não acho legal apontar o dedo, evitar perigo de perseguição, porque não é ninguém famoso. Mas infelizmente vi mais de um, uma pena, como falei, por me desiludir.

        ‘A Globo passou a apoiar a descriminalização das drogas? Eu não sabia. Tem um link aí?’

        Passar documentário no meio do fantástico com grande estardalhaço não significa nada ?

        Que a globo apoia com sinceridade duvido, mas aquela coisa, para apoiar FHC, ela se dispõe.

        ‘Impressionante o malabarismo, hein? Quem defende a mesma posição sobre as drogas desde 1982 é o “volúvel”? E quem mudou de opinião porque FHC mudou é o quê? Primor de coerência?’

        Aqui você que fez malabarismo, distorceu o que eu disse. Falei que volúvel são esses de esquerda, que por FHC apoiar uma das suas bandeiras já saíram a rasgar elogios. Os mesmos que viviam a falar mal. Como acreditar em qualquer coisa que alguém assim diz?

        E não, não foi indireta pra você, parece que foi isso que pensou.

        ‘Em questões científicas, Ismael, o que você acredita “de coração” importa pouco. Pesquisa importa muito. Uso da maconha no tratamento, por exemplo, do glaucoma, é fato científico comprovado. Informe-se.’

        Nova ginástica na argumentação. Esqueceu o trecho que falei que acredito que as pesquisas estejam certas mesmo? Só lembrou para inventar um deboche.

        O que falei foi que usam a comprovação de que a maconha ajuda em alguns casos como se quisessem a aprovação por isso. Deslavada mentira, vai querer dizer que os universitários da marcha da maconha estavam atrás de um novo tratamento para doentes de glaucoma?

        Uma vergonha isso.

        “O que menos falta nas fileiras do governismo acrítico hoje é quantidade.”

        Não falei em fileiras do governo(ou contra esse). E sim de esquerda, no geral.

        1. Carlos Responder

          Ismael, só posso observar que seu argumento não atinge a questão de fundo, apenas faz julgamento moral das pessoas que você pressupõe que defendem a descriminalização. Você as julga (i) por quererem se divertir, e não melhorar a vida dos doentes; (ii) por sua diversão gerar mal para outras pessoas, na forma do tráfico.

          Mas isso nada diz sobre se um mundo com maconha descriminalizada é melhor ou pior do que um mundo atual. Como você notou no seu comentário ao outro blog, o argumento é tão simples que dá até vergonha de ter de expô-lo: a ligação entre a diversão de uns, que não piora a vida de ninguém, e o terror gerado pelo tráfico está justamente na política antidrogas. Removendo-se esta, a diversão – egoísta, imoral, pecaminosa, o que seja – continuará, sem que dela decorra o sofrimento causado pelo tráfico.

          É a esse argumento (até simplório, admito) que queremos deixar em evidência. Mas as pessoas do seu lado parecem mais preocupadas em condenar moralmente o usuário atual por uma violência da qual ele é – fato – a causa imediata, a causa sine qua non. Mas não a causa per quam, a causa maior. Há usuários de muitas outras substâncias nocivas – cigarro, café, discos do Fagner – que não são causa imediata de violência. Não porque sejam moralmente mais sãos, mas porque a substância que lhes dá prazer, na qual são muitas vezes viciados, não precisa ser obtida ilegalmente. Da mesma forma, a Chicago dos anos 20 tornou-se extremamente violenta porque uma substância de que muitos gostam/precisam (o álcool) foi jogada na ilegalidade. A torpeza dos que continuavam a usar o álcool apesar da proibição deveria ter servido de argumento para que aquela nunca fosse revogada, até que os usuários se redimissem e passassem a ter um comportamento reto e irrepreendível?

          Entendo que você não goste dos playboyzinhos que fumam maconha. Eu também não gosto de um monte de gente. Aliás, é sintomático que a primeira atitude quando FHC levanta um argumento não seja ouvir o argumento, mas julgar FHC.

          Mas, deixando FHC e os playboyzinhos de lado e pensando um pouco nos jovens do morro, que é quem acaba levando a maior parte da bucha, só vejo um jeito de melhorar a situação, e não é com mais campanhas contra as drogas e penas mais duras pra todo mundo. Estas, pelo menos, estamos tentando há anos, com sucesso bem próximo de zero. Você conhece algum caso de sucesso, de alguém que mudou de vida depois de dez anos preso por crime hediondo? Algum caso de alguém que não conseguiu obter droga porque o tráfico não encontrou alguém pra substituir um aviãozinho preso?

          É preciso descriminalizar. Aproximar cada vez mais o regime das drogas legais e o das ilegais. Sem publicidade, com campanhas fortes contra, mas disponíveis para quem realmente queira em condições que não transformem setores inteiros da sociedade em reféns dos comerciantes, em alvos perdidos numa guerra estúpida contra um mercado que não vai terminar.

          É simplesmente isso que eu defendo – como não-usuário que inclusive mora na Holanda, onde a droga é legal; odeio ter que argumentar com isso, mas parece impossível ultrapassar o ad hominem. Ou então podemos tentar por mais 50 anos a política que já vem dando errado há 50. Comece a contar os corpos…

          1. Ismael

            “Ismael, só posso observar que seu argumento não atinge a questão de fundo, apenas faz julgamento moral das pessoas que você pressupõe que defendem a descriminalização.”

            Você está enganado, vou mostrar.

            “Você as julga (i) por quererem se divertir, e não melhorar a vida dos doentes;”

            Mal interpretado. Eu falo é do fato de USAREM a melhoria de vida de doentes como DESCULPA para descriminalização. Isso sim, falei e repito, é calhordice. Covardia até, por não assumir que querem por diversão.

            E acho legítimo que queiram por diversão. Mais digno ser sincero, sem subterfúgio.

            “(ii) por sua diversão gerar mal para outras pessoas, na forma do tráfico.”

            Isso acontece, se preferem negar são outros 500.

            “a ligação entre a diversão de uns, que não piora a vida de ninguém”

            Aí começa errado e baseado nisso vai errando até o fim. Na minha opinião, a diversão causa problemas.

            “e o terror gerado pelo tráfico está justamente na política antidrogas.”

            Não é verdade. Está esquecendo que o armamento dos traficantes não é somente para confrontar a polícia e sim os rivais que tentam tomar seus pontos.

            Isso vai continuar com ou sem repressão governamental.

            “Removendo-se esta, a diversão – egoísta, imoral, pecaminosa, o que seja – continuará, sem que dela decorra o sofrimento causado pelo tráfico.”

            Você está colocando como minha opinião algo que não fiz, que é defender uma suposta moral. Repudio Bolsonaro e semelhantes, então por favor, não tente me fazer um semelhante dele.

            É um péssimo hábito de pensar que todos com opinião diferente só podem ser fanáticos ou loucos.

            “Algum caso de alguém que não conseguiu obter droga porque o tráfico não encontrou alguém pra substituir um aviãozinho preso?”

            Eu prefiro que o menino do morro nem pense em trabalhar de aviãozinho porque tem emprego e escola. Essa é melhor solução. Até porque por sua proposta, o menino vai continuar a ser vendendo drogas, ao invés de fazer outra coisa.

            E outras drogas, como fica? Libera ou reprime?

            O discurso varia muito. Horas falam só de maconha, outras vezes já se fala “drogas”, em geral.

          2. Carlos

            Ok, vamos passar a questão do moralismo do que cada um faz com seu pulmão – é bom por uma vez que não seja assim a discussão. Acho que concordamos meu ponto central é que com a descriminalização a droga deixaria de produzir morros dominados, traficantes armados e cadáveres aos montes, não? E você responde:

            “Não é verdade. Está esquecendo que o armamento dos traficantes não é somente para confrontar a polícia e sim os rivais que tentam tomar seus pontos.”

            Mas aí é que está. Isso só acontece porque o tráfico é ilegal, não? Ou ouvimos falar de tiroteio entre os seguranças da Ambev e da Schincariol pelo controle de um bar? Bala perdida porque o pessoal do Itaú atacou um morro dominado pelo Santander? Tem algum motivo pelo qual um comércio legalmente controlado de drogas continuaria a ser feito de fuzil na mão?

  4. Rodrigo N. Responder

    FHC está com 80 anos. Com sorte, tem mais uns 5 de vida.
    Alguém aqui realmente acha que ele está fazendo politicagem e alimentando mumunhas ideológicas entre esquerda e direita a essa altura da vida?
    Sua preocupação com a causa é genuina.
    Que ele seja bem vindo.

    1. Ismael Responder

      “Alguém aqui realmente acha que ele está fazendo politicagem e alimentando mumunhas ideológicas entre esquerda e direita a essa altura da vida?”

      Eu não sei o motivo com certeza. Mas dado o histórico de vaidade do cidadão, pode ser só por isso.

      Estamos falando do homem que vivia a dar pitacos no governo Lula. Oito Anos sem trégua. E rarissimamente algo que somasse a discussão.

      E a justificativa que deu quando perguntado o óbvio, “porque não fez no seu governo?”, foi muito furada.

      Uma vez respondeu que “na época não tinha essa consciência ainda”. Já em outra entrevista falou que a presidente não deveria opinar, que seria assunto para o congresso. Que ele fez o mesmo, por isso se afastou da discussão na época.

      Não mantém coerência nem com duas entrevistas em pouco tempo.

      “Sua preocupação com a causa é genuina.
      Que ele seja bem vindo.”

      Certeza que vem da conveniência? ;)

  5. Tiago Mesquita Responder

    Só acho que a esquerda que mudou de opinião é irrelevante. O PSDB mesmo é contra a legalização e a descriminalização. Só o Fernando Henrique é favorável. Não existem outras forças fora do PT favoráveis a uma política de drogas não proibicionista.

    1. Idelber Responder

      Existem, no PSOL, no ambientalismo, no PSB, e até no PDT, né meu camarada?

  6. fm Responder

    Ismael, seu argumento comporta outra constatação; Apesar das leis proibicionistas, as pessoas continuam dirigindo bêbadas.
    Sobre as propriedades terapêuticas da maconha, é preciso lembrar que também há propriedades terapêuticas nos vinhos. E já vi muitos burgueses também declararem que tomam uma taça de vinho por dia para , exatamente, usufruir dessas propriedades, sem que ninguém as ridicularizassem. Entre eles a mulher do governador de são paulo, geraldo alckmim. A primeira dama do estado de sao paulo se declarou ‘usuária’ de vinho. Sim, ela tem como hábito tomar uma taça por dia desse droga lícita. E a imprensa recebeu sua declaração com elogio ao comedimento.
    Bem, eu não demonizo a maria lúcia, por suas tacinhas. Ela faz muito bem.
    Mas se na história do vinho ele fosse em algum momento proibido e a maconha liberada, hoje a primeira dama de sao paulo estaria se gabando por acender um baseado ao final de cada dia. E motoristas estariam dirigindo , muito loucos e matando pedestres, e a imprensa elogiando o comedimento da maria lúcia.
    Sem dizer que, países como portugal, espanha, itália, alemanha etc, estariam moralmente no lixo. Como estão, por exemplo, Colômbia, Peru e a Bolívia.
    Entretanto , meu caro, vc nunca deve ter visto a polícia no encalço de produtores de vinho.
    O que se respeita, no caso, é a cultura do país, muito diferente do se lê em relação à Bolívia e os cocaleiros, principalmente agora com Evo Morales.
    O que se pode extrair de seu raciocínio é que se a Aids e os acidentes de trânsito por embriaguês embora as campanhas continuem, que se proiba tudo e prendam todo mundo.
    Vc já deve ter percebido que a coisa vai ficar feia?
    Eu concordo que deva haver uma discusão menos polarizada políticamente, e sobre tudo, menos moralista.

  7. Bruno Cava Responder

    Bom artigo. Mesmo que você ache que as drogas sejam a pior coisa do mundo, uma criação do Diabo para corromper a juventude e levar os nossos filhos para o Inferno, dessas premissas é impossível concluir que as drogas devam continuar a ser tratadas como assunto do sistema penal (polícia + justiça criminal + prisão/penas alternativas). Se você é contra as drogas, as vê como ameaças, quer diminuir o risco delas, deveria ser o primeiro a condenar veementemente, e em todos os casos sem exceção (uso, tráfico, financiamento), o tratamento penal do assunto, — que reproduz, perpetua e agrava o problema como um todo.

    1. Idelber Responder

      Realmente, é simples assim, Bruno. Mas, caramba, como tem gente que não entende. O que obscurantismo, o preconceito e a demonização não fazem com um tema que deveria ser tratado como o que é: uma questão de saúde pública.

    2. Valter Ruas Responder

      Perfeito,Bruno! Argumento irrepreensível.

  8. bruna Responder

    Confesso minha cri’itica a FCH agenciando um debate de importancia mundial como este. Desconfio da vaidade dele, da intencao geopolitica dele com isso, da inocencia delcarada de que, so agora, ele tenha essa consciencia de q eh preciso debater, e nao, combater… Bem vindo, com muitas ressalvas.

  9. Ismael Responder

    Um professor universitário e tradutor que ao responder distorce tudo que foi dito e ao citar inventa palavras e tira de contexto ( http://twitter.com/#!/iavelar/status/125065924008095744 ) .

    Achei que se quisesse discussão séria. Mas já vi que é mais um caso em que usam a palavra “Debate” quando na verdade querem é discurso com plateia . Ingenuidade minha.

    1. GelsoJob Responder

      Infelizmente é verdade Ismael. Os adeptos do “liberou geral” não admitem objeções. Quem ousa fazer isso e´tratado como imbecil, careta, mal informado e até de fazer o jogo da direita, quando quem mudou de lado foi um ilustre membro da mesma (aquele que pediu que esquecessem tudo que havia escrito)e que agora é tratado com deferimento e admiração. Realmente não pode haver “Debate”.

  10. Idelber Responder

    Ah, Ismael, você achou que era uma discussão séria? Claro que não era! Era só uma brincadeira!

  11. Manuel Responder

    “É fato que a descriminalização completa de tudo não é uma possibilidade num contexto em que outros países continuam proibindo.” Já escutei isso muitas vezes (acho que a última, no Torre de Marfim), mas nunca entendi exatamente por que. Alguém explica?

    1. Idelber Responder

      Oi, Manuel, a questão é que num contexto em que muitos países ainda proíbem até mesmo o consumo em pequena quantidade, a descriminalização total da produção e da circulação de drogas tenderia a tornar o país que descriminalizasse uma espécie de “reduto” ou mesmo de latifúndio de drogas para abastecer o mercado externo. Enquanto o contexto for esse, há que se considerar alternativas, digamos, intermediárias. Como, aliás, é o caso em todos os países que adotaram (bem-sucedidas) políticas que escapam a essa sandice estadunidense da “guerra às drogas”. Nenhum deles descriminalizou totalmente a produção em grande quantidade, por exemplo.

  12. hugo perpétuo Responder

    em toda civilização sempre existiu religião, prostituição e consumo de drogas. não se resolve muita coisa condenando as pessoas. as pessoas precisam saber que fugir da realidade causa crises de abstinência. proibir o consumo de drogas é quase a mesma coisa que aprovar o ficha limpa – colocar grades onde se deveria ter educação.

  13. Marcelo Job Responder

    Olá Idelber,
    Depois de ler teu artigo e conseguentemente os comentários, peço um aparte e proponho criar um movimento mundial pela livre lobotomização do ser humano.
    Isso com certeza livrará a humanidade das drogas, me explico:
    O bandido nesta história toda não são os que usam e os que vendem a droga, e sim o nosso cérebro, ele adora um prazerzinho, não importa como, ele quer e vai ter, de um jeito ou de outro, com ou sem drogas conseguir isto.
    Essa discussão toda me dá lampejos do refrão daquela musica do Chico Buarque, Geni e o Zepelin,num primeiro refrão ela é assim: Joga pedra na Geni, Joga pedra na Geni, Ela é boa prá apanhar, Ela é boa prá cuspir, Ela dá prá qualquer um, maldita Geni!
    E o outro lado agora:Vai com ele, vai Geni, Vai com ele, vai Geni, Você pode nos salvar, Você vai nos redimir,Você dá pra qualquer um, Bendita Geni!
    Essa dicotomia, essa dualidade de convenções é que me deixa incafifado, esse resquício de influências religiosas que ditaram e ditam o que é certo e o que é errado na humanidade, a droga que é aprovada oficialmente pode, a que não é oficializada não pode, é proibido.
    É fantástico né, mas em todas as guerras modernas atá agora sabe-se que o próprio exército de certas nações fornceram drogas aos seus soldados, no Vietnam forneciam uma droga chamada “speed”.
    Abraços

  14. Ismael Responder

    Carlos disse:
    15 de outubro de 2011 às 22:17

    ‘“Não é verdade. Está esquecendo que o armamento dos traficantes não é somente para confrontar a polícia e sim os rivais que tentam tomar seus pontos.”

    Mas aí é que está. Isso só acontece porque o tráfico é ilegal, não? Ou ouvimos falar de tiroteio entre os seguranças da Ambev e da Schincariol pelo controle de um bar? Bala perdida porque o pessoal do Itaú atacou um morro dominado pelo Santander? Tem algum motivo pelo qual um comércio legalmente controlado de drogas continuaria a ser feito de fuzil na mão?’

    Olha, por tudo que tenho visto, estão propondo descriminalizar o pequeno usuário. Você parece querer dizer que vender e traficar também estaria Ok? Não creio que seja isso.

    Mas ok, vamos dizer que se venda maconha e coca (não diet ;) em farmácia.

    Acredita que o comércio ilegal iria deixar de existir ? A grama da Coca de farmácia valeria tanto quanto no morro? Por pior que fosse a pureza, sempre teria gente comprando lá.

    O comércio ilegal iria existir, a briga entre gangues (não empresas) continuaria.

    É mais um ponto onde toda essa proposta se mostra idealizada. Quando se para para discutir, a utopia vai desmoronando.

  15. Bruno Marcondes Responder

    E olha que tem gente até hoje, com mais de quarenta anos de ‘estrada’ pela esquerda, que ainda defende as concepções racionalistas-historicistas do Georg Lukács para o romance e para a arte.

    E tomo também para mim a afirmação de Zizek, de que ‘com essa esquerda, ninguém precisa de direita’, tamanho o pseudo-intelectualismo de pessoas que não querem arejar.

  16. Idelber Responder

    Marcelo, estou a ponto de dar apoio ao seu movimento …

  17. wagner Responder

    Em princípio sou a favor da descriminalização, e também acho que a guerra contra as drogas já foi perdida há muito tempo. Mas é preciso ter cuidado pra não achar que a simples legalização irá resolver alguma coisa. Na minha opinião não vai resolver nada, por vários motivos:

    Um, quem vive do tráfico vai simplesmente mudar de ramo, ou seja, fazer outra coisa ilegal, ou alguém acha que vão criar empresa com cpnj e nota fiscal? ou arranjar um troco entregando as armas para a campanha do desarmamento e ir procurar emprego na AMBEV-THC?

    Dois, que o fato de ter adolescentes pobres presos por coisas miúdas tem menos a ver com a ilegalidade da droga do que com nosso sistema legal-policial-jurídico, que funciona pra prender pobres, e a legalidade simplesmente levará esse sistema a prendê-los por outro motivo qualquer.

    Três, que se a legalidade pode acabar com os crimes de briga pela posse da produção e distribuição, não vai acabar (e talvez aumente) com os crimes causados pela abstinência, ou seja, quem não tem droga e ‘precisa’ dela vai atrás de qualquer jeito, e sendo legal vai continuar custando dinheiro.

    Enfim, vamos legalizar o que for possível e gastar menos dinheiro inutilmente, mas sem ilusões ou falsas promessas.

  18. Renata L Responder

    Concordo com você, Wagner, no básico. Postei link acima s Lei Seca e seus efeitos nos EUA (postei esse da wikipedia porque tá cheio de referências); o fim da Lei Seca não acabou com os abusos derivados do álcool – mas acabou com o tráfico e tudo o que se seguia dali. O fato de dizer que a mafia americana teria que encontrar outra forma de sobreviver (lembro do filme com Warren Beatty sobre a criação de Las Vegas, por exemplo) não é um argumento para se manter a ilegalidade das drogas.
    A legalização não resolve tudo: mas acaba com uma parte importante do problema.
    Você aponta outro problema também: a criminalização dos adolescentes pobres. Que continuaria. Sim, mas isso é outro problema, não é? Que também tem que ser combatido.

    1. wagner Responder

      O que quis dizer, Renata, concordando com você, é que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Veja que eu não dei “argumentos” para não legalizar as drogas (ou descriminalizar, não sei o que é mais certo tecnicamente). Mas vejo (ou ouço) pessoas dizerem que a legalização vai acabar ou reduzir o crime e terá outras consequências positivas. Acho que não é tão direto assim, isso que quis dizer. Mas, reafirmando, sou a favor da legalização, embora acho que não é nada fácil e o buraco seja muito mais embaixo.

      Por outro lado, a discussão desse assunto é muito positiva, e, queiram os petistas ou não, a entrada de FHC nesse barraco é benvinda, pois traz mais credibilidade ao tema.

  19. carla garcia Responder

    Perfeito o texto, Idelber ! Frequento seus blogs desde a eleição de Dilma e suas posições são sempre norteadoas pour moi. Confesso que o CA ajuda a lavar minha alma das calhordices escancaradas do PIG. Mas as vezes é preciso admitir que as coisas passam dos limites. Aí vem este texto para não deixar-nos perder os PRINCÍPIOS, sendo uma lição de que a política deve ser tratada como idéias e como as discussões ainda permanecem travadas no campo infantil e emocional ao invés de serem tratadas como filosofia.

  20. Ronaldo Responder

    Acho as drogas (e principalmente seu abuso), tantos as lícitas quanto ilícitas uma coisa ruim. Isso é um aspecto da minha moral. Mas jogarei a discussão para um plano maior, já que “moralizar” uma conversa pelo que pude ver por este fórum que também é uma coisa ruim (talvez evidências do desastre ético de nossa sociedade).
    O grande problema a meu ver é que usar drogas, tanto as lícitas quanto as ilíticas, são opções individuais que tem grande impacto no coletivo. Falaram de café… alguém que bebe café (pouco ou muito) causa algum problema na sociedade? se embriaga, causa confusão, fica agressivo ou preguiçoso, perde os reflexos? Isso ocorre com duas drogas lícitas – o álcool (pela embriaguez) e o tabaco (pela fumaça contaminante). Para ambas o governo adota medidas de contenção (que por mais rigor que tenha ainda não são suficientes) – lei seca no trânsito e leis anti-fumo nos estados para ambientes fechados. São hábitos de escolha de cada um que afetam negativamente o coletivo. E o pior de tudo – as consequências dos excessos dessas escolhas individuais pesam (e muito) sobre a sociedade – sistema de saúde pra atender acidentados e doentes, ambulâncias, gastos com fiscalização, campanhas, tudo isso com nosso dinheiro público pra botar freio em pessoas que não sabem se valer das coisas de uma forma moderada.
    E aí, lhes pergunto – a sociedade realmente quer colocar mais uma “arma” na mão das pessoas, que no uso de sua liberdade individual causarão mais impacto negativo à sociedade? sejamos francos, a maconha causa mais problema do que solução. Dependência, interesse por drogas de maior efeito, perda de reflexo e consciência, alterações na saúde, doenças pulmonares. Será que isso compensa alguns usos terapêuticos? Lembremos que remédios só são (ou deveriam ser) usados sobre prescrição.
    Outra questão – o tráfico de drogas. Imaginem vocês uma cultura de resolver as coisas na base da bala e do tiro durante décadas aqui no Brasil, com a descriminalização de um dia para o outro, os nossos estimados traficantes entregariam suas armas e passariam a resolver tudo dentro das práticas comerciais correntes? pagar imposto, não fazer monopólio, princípio da livre concorrência, protestar inamdiplentes no SPC/Serasa, aceitar cheque pré-datado, pagar direitos trabalhistas? muita ingenuidade e calhordice pensar isso.
    Não sou radicalmente contra a descriminalização, acho que o Brasil não tem cultura suficiente pra isso, vide o desastre que já causa o álcool e o cigarro sendo liberados.


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