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Farmácia Solidária, Comer com sabor, Raiva é energia, Comida sem veneno E Outros Sítios

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Farmácia Solidária, Comer com sabor, Raiva é energia, Comida sem veneno E Outros Sítios

Farmácia Solidária
Uma iniciativa do Sindicato dos Químicos de São Paulo mostra que é possível conseguir levar serviços básicos à população. A Farmácia Solidária é uma parceria do sindicato com a Ágora. Os medicamentos são vendidos a preços bem menores que os das farmácias comerciais.

No Brasil, apenas um terço da população tem acesso a medicamentos. Isso muito se deve aos altos preços. As farmácias comerciais cobram 300% mais que a Farmácia Solidária.

“Uma iniciativa dessa só pode funcionar se for ligada a uma entidade com objetivos sociais, como é o caso do sindicato e da Ágora”, aponta Francisco Chagas, diretor do sindicato dos Químicos e responsável pelo projeto. “Isso garante uma certa estrutura, como água, luz, telefone, e exime da necessidade de lucros. Além disso, negociamos diretamente com os laboratórios”, completa.

A farmácia trabalha atualmente com 95 medicamentos, mas o objetivo é chegar a 350, o que, segundo Chagas, abrangeria 95% de todas as doenças conhecidas. O crescimento não deve ficar apenas na variedade, mas também no número de farmácias. Atualmente existe apenas uma, na sede do sindicato, em São Paulo (R. Tamandaré, 348, 2º andar – Liberdade). “Mas estamos discutindo com a Secretaria Municipal de Saúde a instalação de uma farmácia nos mesmos moldes em cada distrito da capital”, conta Chagas.

Comer com sabor
Um movimento ecogastronômico. É assim que o presidente e fundador do movimento Slow Food, Carlo Petrini, define sua empreitada a favor do direito ao prazer proporcionado pela culinária. A idéia é atacar o comportamento que Petrini define como “mordere e fuggire” (morder e fugir). Aquele hábito contemporâneo de comer sem desfrutar o sabor.

Tudo começou com um protesto, em 1986, contra a instalação de uma lanchonete do McDonald’s na Piazza di Spagna, centro histórico de Roma. Hoje, o movimento já conta com mais de 65 mil adeptos em 45 países. Mas a luta contra o fast food não é a sua única bandeira. O Slow Food é contra a padronização industrial e a globalização da comida, defendendo a culinária regional como forma de resistência.

O movimento divulga as suas idéias através do sítio http://www.slowfood.it e conta também com uma revista (Slow) e um boletim informativo de vinhos, além de promover eventos internacionais.

Raiva é energia
a máquina que move o mundo, o tilintar
de moedas virtuais, cartões de crédito,
senha bancária, fobias sexuais, papos de velhos
sapos peludos, papudos otários dando
de espertos, mirando a terra como campo
de erros, onde crescem heras que enfeita,
os muros, enquanto monturos de gente
azedando no lixo, emporcalham a festança
dos donos de seguros, como se a vida fosse algo
seguro, como se estrelas não se acendessem
no escuro,
(Ademir Assunção)

Poema do livro Zona Branca (editora Altana)
Pode ser adquirido pelo email zonabranca@uol.com.br

Comida sem veneno
Sem crédito ou equipamentos comparáveis aos dos donos de grandes propriedades, os assentados ligados ao Movimento dos Sem-Terra (MST) construíram uma alternativa. Além de viável financeiramente, é também mais saudável. São produtos orgânicos e naturais, que não utilizam agrotóxicos.

Seja com adubo orgânico seja com outras técnicas, muitos assentados (normalmente organizados em cooperativas) especializaram-se nesses produtos. O MST tem duas Lojas da Reforma Agrária, uma na capital paulista e outra em Lins (SP). Nas lojas, são vendidos de vinho a feijão, passando por leite e salame.

Além disso, o MST ainda tem a Bionatur, cooperativa de assentados do Rio Grande do Sul que produz e revende sementes orgânicas de diversas frutas e legumes.

Lojas da Reforma Agrária
São Paulo – R. Brigadeiro Galvão, 28 – Campos Elíseos – fone: (11) 3666-4451
Lins – R. Osvaldo Cruz, 179 – centro – fone: (14) 3532-5488
Bionatur
Fones: (53) 245-7140 ou (53) 9967-1855 com Artêmio Parcianello. Aceitam-se encomendas de todo o Brasil

Outros Sítios
www.alainet.org
Agência Latino Americana de Informação traz essencialmente notícias sobre movimentos sociais e direitos humanos. A proposta da agência é também estimular e auxiliar na organização dos movimentos.

www.agenciacartamaior.com.br
Uma agência de notícias alternativa. As notícias são mais trabalhadas que nas agências tradicionais, além de artigos e colunistas fixos. Há também diversas entrevistas disponíveis em vídeo. Sítio está em português.

www.movimientos.org
A página da Comunidade Web de Movimentos Sociais abriga diversos sítios de movimentos populares da América Latina. São movimentos rurais, associações de mulheres, de negros. Há informações relacionadas ao Fórum Social Mundial. Disponível em português, espanhol e inglês.

www.portoalegre2002.org
Os debates e questões que cercam o Fórum Social Mundial estão neste sítio. É uma iniciativa do Le Monde Diplomatique e da IPS (Inter Press Service). Ambos têm uma postura mais crítica em relação aos impactos que o modelo neoliberal provoca. Disponível em português, espanhol, francês e inglês, porém nem todos os artigos estão disponíveis em todas os idiomas.

Na era da tecnologia é preciso uma nova ética
por José Chacon

A ONU definiu estratégias para barrar os efeitos predatórios do atual modelo econômico: a Agenda 21, a Declaração sobre Florestas, a Convenção sobre a Biodiversidade e a Convenção sobre Mudanças Climáticas. Hoje somos 6 bilhões. Mas para que todos tivessem acesso ao padrão de consumo dos 25% mais ricos do planeta (80% dos recursos naturais) teríamos que reduzir a população para 2 bilhões. É necessária uma mudança de paradigmas de consumo e de produção, que satisfaça a todos a um baixo perfil de consumo de energia e de recursos naturais.

Essa discussão é recente e requer nova filosofia e nova ética para a humanidade. Quem poderia supor, no século XIX, que os avanços tecnológicos se transformassem em ameaça para a vida no planeta, em lugar de trazer benefícios para todos e de democratizar o acesso ao bem-estar social? O homem daquela época acreditava que devia dominar a natureza. Já o homem atual percebe, perplexo, que deve harmonizar-se com ela, e não exaurir seus recursos, sob pena de pôr em risco a própria sobrevivência.

Nosso último e mais ousado passo foi seqüenciar o genoma humano. “O conhecimento dos nossos genes poderá evitar doenças, mas também nos levar à eugenia. (…) Quem somos nós para determinar quais devem ser preservados ou eliminados?”, alerta a professora de Genética da USP, Lígia Pereira.

A mesma lógica que leva à exploração do homem pelo homem pode levar à guerra nuclear. Urge rever o conceito de progresso. É o que defendemos no livro Brasil 21- uma Nova Ética para o Desenvolvimento. Acreditar que um outro mundo é possível, como apontou o I Fórum Social Mundial, não pode ser mera utopia. E a situação do Brasil, nesse sentido, é privilegiada. As maiores possibilidades de enfrentar o desafio energético estão nos trópicos, utilizando a energia solar e a biomassa. Com 36% das florestas tropicais em seu território, o Brasil é também campeão em biodiversidade.

A estratégia de desenvolvimento sustentável implica, sobretudo, nova mentalidade e consciência de que somos parte da natureza. Em todas as áreas corremos contra o tempo para adaptar o avanço da ciência a novas concepções filosóficas.

José Chacon é presidente do CREA-RJ e coordenador do Movimento da Cidadania pelas Águas (www.chacon.eng.br)



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1 comment

  1. Fatima Cabral Responder

    Adorei este texto sobre Consuelo de Paula. Ela realmente é maravilhosa e nos mostra onde mora o brasil, nos mostra a beleza quase inacreditável da nossa música


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