A economia viável

Longe de ser um paliativo, economia solidária é solução concreta para promover a justiça social Por Anselmo Massad O primeiro passo para construir uma outra globalização é fazer com que a economia funcione sob valores mais...

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Longe de ser um paliativo, economia solidária é solução concreta para promover a justiça social

Por Anselmo Massad

O primeiro passo para construir uma outra globalização é fazer com que a economia funcione sob valores mais humanos. E a economia solidária pode ser o principal agente dessa transformação. “Mas para isso é preciso derrotar a idéia de que a economia se reduz ao mercado e que só ele é capaz de produzir riquezas”, aponta o francês Jean Louis Laville, da rede Crida. Ao contrário do que propõe o neoliberalismo, a solidariedade é criadora de riquezas materiais e culturais e funciona nas mais diversas atividades.

Essa compreensão é importante para que a economia solidária não seja condenada a um paliativo, uma forma de caridade para atenuar os efeitos da pobreza sem combater as suas causas. “Esse movimento tem uma história que vem desde o século 19 e deixa evidente essa possibilidade”, afirma Laville.

O economista argentino José Luis Coraggio lembra que solidariedade econômica significa também democratizar o acesso à produção bem como à política e a outros setores da sociedade, constituindo uma forma de radicalização da democracia. “Não há democracia política sem democracia econômica e nem a econômica sem a política. Elas dependem uma da outra para existir”, garante.

“É preciso estar alerta, no entanto, para o risco da inserção no mercado, que não deixa de ser capitalista”, afirma Carola Reintjes, da Rede de Redes de Economia Alternativa e Solidária. “Não somos contra o lucro, mas contra o lucro capitalista, que é colocado como o único objetivo. A economia solidária deve se voltar antes para a produção de bens públicos para a comunidade”, define. Para que isso se concretize, é necessário que seja formada ampla rede. “Precisamos interligar as comunidades locais no espaço da solidariedade global de forma dinâmica e usando as novas tecnologias de maneira adequada”, lembra Coraggio.

Esse intercâmbio de que fala deve ocorrer de forma distinta nas várias escalas: local, nacional, continental e internacional. Isso porque os interesses das empresas, ainda que solidárias, variam de acordo com sua realidade. “Para questões da América Latina, precisamos de redes na América Latina. Para questões mundiais, precisamos de redes mundiais”, explica.



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