Diálogos na fila do juízo final

Crônica de José Roberto Torero Por José Roberto Torero   O leitor desta última página certamente já sabe que no dia do Juízo Final teremos uma imensa...

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Crônica de José Roberto Torero

Por José Roberto Torero

 

O leitor desta última página certamente já sabe que no dia do Juízo Final teremos uma imensa fila. Será a maior de todos os tempos. Maior do que as dos bancos, que as dos postos de saúde, que as das escolas em dia de matrícula. Ali, todos os homens que já existiram estarão esperando por seu Julgamento. Não haverá exceções. Lá estarão os Ernestos Che Guevara e Geisel, as Terezas Collor e de Calcutá, o Xuxa e a Xuxa.

A Bíblia, porém, não deixa claro como será a organização desta fila. Alguns teólogos dizem que será por ordem alfabética, outros têm certeza que será por data de nascimento, e alguns outros afirmam que será por sorteio mesmo.

Numa modesta contribuição, sugiro que sejamos divididos de acordo com nossas profissões, assim teremos algo em comum sobre o que falar durante os séculos de espera. Os mecânicos poderão conversar sobre carros, os arquitetos sobre pirâmides, e os candidatos à presidência poderão falar sobre grampos telefônicos:

Serra: Você por aqui!? Quem é vivo sempre aparece.
Roseana: Não estamos mais vivos.
Serra: Mas você está ótima para um defunto.
Roseana: Nem adianta elogiar.
Serra: Não vá me dizer que você ainda está com raiva?
Roseana: Grrrr!
Serra: Minha cara, já lhe disse milhares de vezes que eu não tenho nada a ver com o dinheiro que encontraram no cofre do seu marido.
Roseana: Não se faça de bobo. Meu telefone estava com mais grampo que peruca de travesti.
Lula: E eu, então? Sendo investigado “sem querer”.
Ciro: O meu telefone estava tão grampeado que eu atendia dizendo “Bons dias”. Já punha no plural para incluir o araponga.
Serra: E vocês acham que eu tinha alguma coisa a ver com estes grampos?
Roseana, Ciro e Lula: Claro!
Serra: Como é que eu posso ter algo a ver com grampos se eu nem tenho cabelo?
Ciro: O humor nunca foi seu forte…
Lula: Péssimo trocadilho…
Roseana: Até meu pai faria um desses…
Serra: Mas vocês não podem pensar que eu tive algo a ver com aquelas escutas telefônicas.
Roseana: Quem saiu ganhando foi você.
Lula: O Nelson Jobim e o Aloysio Nunes, os ministros da justiça, eram seus amigos.
Ciro: E a Polícia Federal era federal.
Serra: Ora, meus amigos, a vida é cheia de coincidências.
Roseana: Eu bem que avisei que tudo o que tinha acontecido comigo poderia se repetir.
Serra: Quem não deve não teme.
Lula: Queria ver é se você fosse investigado por um ano e meio sem saber. Aposto que aquela história da empresa do seu amigo Ricardo Sérgio não iria ser esquecida.
Serra: Será que já não é a nossa vez?
Ciro: Não adianta mudar de assunto.
Lula: Primeiro foi o grampo do caso Sivam, depois o do BNDES, depois os adversários políticos. Se grampear for pecado, o elevador para o inferno vai ficar cheio.
CLICK!
Roseana: O que foi isso?
Lula: Parecia barulho de gravador.
Roseana: De novo, Serra?!
Ciro: Que mania!
Serra: Hã? Do que vocês estão falando? Eu não escutei nada.



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