É a hora das Propostas

O sociólogo Emir Sader é um dos principais críticos do Consenso de Washington e um entusiasta do Fórum Social Mundial Por Anselmo Massad   O sociólogo Emir...

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O sociólogo Emir Sader é um dos principais críticos do Consenso de Washington e um entusiasta do Fórum Social Mundial

Por Anselmo Massad

 

O sociólogo Emir Sader é um dos principais críticos do Consenso de Washington e um entusiasta do Fórum Social Mundial. Para ele, é hora de o FSM pensar em propostas alternativas concretas para uma conjuntura pós-neoliberal. Além disso, considera a vitória de Lula importante marco na construção de um outro mundo.

Revista Fórum – Em que o terceiro FSM será diferente dos anteriores?
Emir Sader –
 A grande virtude do primeiro Fórum foi sua própria existência. A prova de que um outro mundo é possível e de que o modelo econômico de Davos fracassou. O segundo teve seu impacto diante das incertezas após o 11 de setembro. Havia o temor de que a polarização Bush/Bin Laden pudesse parar Porto Alegre, mas o FSM veio com a mesma força. Para o terceiro, precisamos fazer o que começou a ser esboçado no anterior, pensar de fato como chegar a esse outro mundo e imaginar como ele será.

Fórum – Como isso será feito?
Sader –
 Temos duas importantes novidades. A primeira, a formação do conselho do Fórum com caráter mais globalizado. Ainda não o vejo como ideal, mas a amplitude do conselho é muito maior que antes. O antigo, formado quase exclusivamente por entidades brasileiras, passou a ser a Secretaria do Fórum, encarregada das questões operacionais e de organização, enquanto as grandes decisões são tomadas de um ponto de vista internacional. A segunda novidade é que teremos mais fôlego para fazer propostas. Os cinco eixos temáticos articulados dão conta das principais questões que precisam ser discutidas.

Fórum – Por que o senhor considera que há mais fôlego agora que nas edições anteriores?
Sader –
 A participação dos movimentos sociais é fundamental no Fórum, mas fragmenta muito o evento, já que a reflexão das experiências dos movimentos não está articulada com a definição de grandes políticas. Quem vai definir as propostas são os intelectuais. É importante haver esse espaço para pensar o que é uma economia pósneoliberal? Como funciona? Ela retoma o keynesianismo ou trabalha com algum princípio liberal? O que é o mundo desmercantilizado? São questões como essas que precisamos discutir a fundo. Se a grande imprensa – que é contrária ao FSM – não ficasse cobrando do PT explicações por ter ou não subsidiado o Fórum e começasse a cobrar as propostas, eles veriam muitas brechas.

Fórum – Com a vitória de Lula, o que muda para o Fórum?
Sader –
 A vitória do Lula só reforça isso. É o primeiro governo eleito do mundo que quer romper com o projeto neoliberal. Isso obriga o Fórum a propor projetos mais específicos. Foi no Fórum que surgiu a idéia do plebiscito contra a Alca. Agora, teremos de pensar num projeto de integração alternativo, buscando os pontos positivos da experiência européia da moeda única para evitar a dolarização. Isso, é claro, se o (Carlos) Menem não ganhar na Argentina e não dolarizar a economia, o pior cenário possível.

Fórum – O fato de o governador do Rio Grande do Sul não ser mais do PT muda alguma coisa?
Sader –
 Vamos ter que negociar com um governo que não tem o perfil antineoliberal. Mas acredito que não haverá grandes problemas, porque a prefeitura é que cede os espaços e a infra-estrutura. O governo quer que se abra espaço para os liberais, mas não há lugar para esse debate, porque quem participa do Fórum está assumindo formalmente uma carta de oposição ao neoliberalismo. E eles têm o G8, as reuniões do Banco Mundial.



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