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As múltis se associam aos estados nacionais para que seus lucros se sobreponham aos direitos humanos da população mundial Por Maria Angélica Ferrasoli A companhia de alumínio Alcoa, uma das maiores do mundo no setor, tem...

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As múltis se associam aos estados nacionais para que seus lucros se sobreponham aos direitos humanos da população mundial

Por Maria Angélica Ferrasoli

A companhia de alumínio Alcoa, uma das maiores do mundo no setor, tem entre seus planos a construção de três grandes represas na Amazônia brasileira. Elas garantiriam a energia para a fábrica da empresa em São Luiz (MA), mas, para isso, inundariam reservas indígenas dos povos Surui-Aiwekar, Karajá, Apinajé, Gavião, Krahô e Krikati, assim como outras áreas de proteção da floresta. A denúncia, que passou longe da grande imprensa nacional, está no sítio da organização norte-americana Corpwatch e foi destacada por seu representante, Joshua Karliner, na conferência Corporações Multinacionais.

Embora aliviado por que o plano da empresa não está (ainda) sendo levado adiante, o alerta da Corpwatch é representativo do quanto as empresas transacionais vêm se impondo ao cotidiano das populações mundiais, contribuindo para piorar condições de trabalho e meio ambiente e, conseqüentemente, interferindo na saúde física, psicológica e até mesmo na vida cultural das sociedades. “Hoje essas corporações substituem o poderio que a Igreja mantinha junto ao Estado. Temos as múltis e o Estado atuando juntos em favor do lucro”, destacou Kevin Danaher, autor de livros sobre a democratização da economia mundial e representante da Global Exchange (EUA).

A forma como essa associação explosiva interfere na situação dos trabalhadores e da sociedade em geral é presente, em maior ou menor grau, em todos os países do planeta, vítimas da precarização das relações de trabalho e da degradação do espaço físico. “Defendemos que exista, no mínimo, um código de conduta assinado entre sindicatos e empresas. Nele estariam estabelecidas questões básicas de relacionamento, incluindo o direito ambiental. E também há necessidade de uma legislação que organize o conflito trans-fronteiriço, para que seja possível levar o apoio a trabalhadores de um país para o outro”, apontou Marcelo Malentacchi, representante da Federação Internacional de Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas da América Latina e Caribe (Fitim).

Outras tentativas para fiscalizar as poderosas empresas globais são a divulgação de suas ações via internet e até mesmo a possibilidade de compra de suas ações para interferir nas diretrizes. “De certa forma, todos os países latino-americanos convivem com problemas semelhantes, nos quais as corporações transnacionais criam situações em que a vida se tornou um privilégio”, destacou Marta Ojeda, representante da Coalition for Justice in the Maquiladoras (trabalhadoras de empresas que manufaturam bens para exportação aos EUA), do México. A conferência foi mediada por Njoki Njoroge Njeho, da 50 Years is Enough Network (Quênia).



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