Nacionalidade negada

Nações indígenas lutam pelo reconhecimento de seus direitos e denunciam interesses comerciais estrangeiros em suas reservas Por Cristiano Navarro Peres Uma nação pode ser identificada pelos seus limites geográficos, língua, costumes e cultura. Entretanto, mesmo preenchendo...

380 0

Nações indígenas lutam pelo reconhecimento de seus direitos e denunciam interesses comerciais estrangeiros em suas reservas

Por Cristiano Navarro Peres

Uma nação pode ser identificada pelos seus limites geográficos, língua, costumes e cultura. Entretanto, mesmo preenchendo todos esses requisitos, as nações indígenas não são reconhecidas pelos governos. “Não se trata de separatismo. Não queremos criar um Estado dentro de outro, apenas ter direito à nossa terra, nossa língua, nossa cultura, aos serviços sociais, como educação e saúde. Enfim, ser respeitados como cidadãos”, explicou Aurivan dos Santos, da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo, um dos debatedores da Conferência dos Povos Indígenas.

Apesar da precariedade em que vivem, os índios ocupam territórios de grande interesse econômico. Grileiros, latifundiários, empresas que comercializam água, exploradoras de petróleo, mineradoras, garimpos e indústria farmacêutica os cobiçam. Por isso, só em 2001 aconteceram dez homicídios contra lideranças indígenas em território brasileiro, segundo dados fornecidos pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).
Estima-se que na chegada dos portugueses ao Brasil, em 1500, existiam mais de 6 milhões de índios em território nacional. Hoje o número não ultrapassa os 550 mil, menos de 0,5% da população brasileira. Esses nativos pertencem a 235 povos, falam 180 línguas diferentes e ocupam 741 territórios, na maioria invadidos ou não demarcados.

Destaque na defesa da causa indígena desde a insurgência do Exército Zapatista de Libertação Nacional, em Chiapas, os mexicanos também têm seus direitos desrespeitados. “Onde estão os indígenas existe cerco militar, que consome o dinheiro público e representa os interesses comerciais internacionais. Trata-se de mais uma intervenção americana como nos casos do Plano Colômbia e da Operação Panamá”, denunciou Aldo Gonzáles, do Congresso Nacional de Indígenas do México.

Blanca Chancoso, da Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador, lembrou que através da educação o indígena pode afirmar sua identidade. “No meu país, onde 50% população é de índios, temos conseguido a inclusão pela língua, mas isso não é o suficiente. É preciso conquistar os diversos espaços de representação na arte, cultura e educação”, defendeu.

 



No artigo

x