Mais ousadia na educação

Editorial Por   Uma concepção bastante limitada para educação é pensá-la como um pacote de conteúdos específicos que o professor repete ano a ano. Para a formação...

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Uma concepção bastante limitada para educação é pensá-la como um pacote de conteúdos específicos que o professor repete ano a ano. Para a formação do docente e do aluno, é preciso muito mais. Trazer a comunidade e seus problemas, desafios, características culturais etc. para dentro da escola. E a escola para dentro da comunidade. A educação precisa ser pensada com (e como) música, dança, teatro cinema, literatura. Com (e como) pega-pega, futebol, natação. Com (e como) garantia de cidadania, acesso a bens públicos, ampliação de democracia. Nas periferias urbanas, onde estão os mais altos índices de violência, não estão os aparelhos culturais e esportivos. Não há praças, parques, teatros, cinemas. Muitos cidadãos que vivem nelas nunca assistiram a um filme na tela grande e não sabem nem como acontece uma peça de teatro. Piscina, só na novela.

Uma formação mais ampla cria desejo. Desperta. Gera esperança e faz com que se acredite na transformação. Aí que vale a pena destacar iniciativas como o CEU, da Prefeitura de São Paulo.

Elas demonstram que é possível pensar a educação como aliada primeira na luta pela inclusão social. Como propulsora de uma vida melhor, como marco de beleza e centro de excelência nas áreas onde reina a ausência do Estado. É a escola, ali, cravada com equipamentos de primeira, se fazendo ver, mostrando que é possível construir outros caminhos na vida individual e coletiva.

Precisa-se de ousadia na educação. Novos modelos. Que as escolas sejam cada vez mais atraentes e os professores, mais respeitados e dignificados com salários justos. E que uma ação não restrinja a outra. Complementem-se.



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