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Decepção à esquerda, O que é o “sim” boliviano ?, Ode à intervenção, Ambições à solta, Jogos de guerra Por   Decepção à esquerda Ex-coronel que se juntou...

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Decepção à esquerda, O que é o “sim” boliviano ?, Ode à intervenção, Ambições à solta, Jogos de guerra

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Decepção à esquerda Ex-coronel que se juntou a uma rebelião popular liderada pelos movimentos indígenas, Lúcio Gutierrez elegeu-se presidente do Equador como um “novo Chavez”. Teve como base forças de esquerda e centro-esquerda, e chegou a ser citado como um dos personagens de virada política na América Latina, com repercus­sões mal recebidas em Washington. Mas logo surgiram denúncias de corrupção envolvendo tráfico de drogas e Gutierrez, depois de ter dado garantias aos americanos de que seria mantida sua base na Amazônia equatoriana, foi defendido por Otto Reich, na época o homem de Bush para a América Latina. “Não há provas”, sentenciou Reich. As decepções entraram em marcha acelerada. Para sobreviver, Gutierrez juntou-se ao que há de mais retrógrado no Equador, ficando sob bombardeio de ex-aliados à esquerda. No dia 17 de outubro, haverá eleições no empobrecido e quase sempre convulsionado país andino. Serão escolhidos 22 governadores de províncias, 89 conselheiros pro­­­vin­­ciais, 219 prefeitos, 893 conse­lhos municipais e 3.970 juntas rurais. Será realizado um plebiscito envolvendo o destino de Gutier­rez. Os resultados dirão se ele tem ou não condições de continuar sendo presidente. Ou se as esquerdas voltarão ou não a prevalecer.

O que é o “sim” boliviano ? O “sim” ganhou no referendo na Bolívia e o presidente Luis Mesa, contestado pelas forças de esquerda mais agressivas, a começar pelos movimentos indígenas, se sentiu mais confortável no palácio. Não é bem o que Mesa está pensando, reagiu Evo Morales, do Movimento ao Socialismo, com forte incidência entre cocaleros, camponeses pobres cuja única base de sustento são as plantações de coca. Nem Mesa e nem Morales podem posar de vencedores absolutos, avisou Jaime Solares, da Central Operária Boliviana, entidade com uma história de grandes lutas. O quadro é esse, ajustado à confusão boliviana, porque cada um interpreta o “sim” à sua maneira. Mesa o tem como autorização para exportar gás natural à vontade (e vale lembrar que a Bolívia guarda as segundas maiores reservas da América Latina). Já Morales, encara o “sim” como sinal verde para a reestatização inclusive do petróleo e a manutenção de controle estatal sobre o gás natural. Mesa é pressionado para mandar ao Congresso nova lei a respeito o mais rapidamente possível. O presidente ameaça renunciar caso o Congresso adote o ponto de vista de Morales e abra um processo de re-estatizações – possibilidade que de fato existe.

Ode à intervenção Há um novo conceito na praça. A “soberania efetiva” foi lançada pelo encarregado da América Latina no Pentágono. Estaria sujeito a um “intervencionismo potencial” o Estado que não exercer “soberania efetiva” sobre todo o território nacional. Na visão do Pentágono, terrorismo, seqüestros e tráfico de drogas tem um denominador comum: Estados enfraquecidos, incapazes de enfrentá-los. Cabe aos americanos “capacitá-los” a exercer a tal “soberania efetiva”. É citado o caso da Colômbia. O governo colombiano teria recuperado o controle sobre todo o território nacional “com a ajuda dos Estados Unidos”. Resumo da ópera: uma verdadeira ode à intervenção.

Ambições à solta Tarija, na Bolívia, é a terra do gás natural e de gente disposta a exportá-lo à granel, não importa o que decida o governo no altiplano. Não se sabe com que base o ministro da Defesa da Argentina, José Pampuro, andou dizendo que os habitantes de Tarija, sobretudo suas “elites”, têm brincado com a idéia de anexação a outro pais. O mais próximo é a Argentina. Não adiantaram desculpas e desmentidos. Ficou a impressão de que há mais do que fumaça por aí.

Jogos de guerra O Chile deslocou tanques e tropas para exercícios na região de Iquique, a 200 quilômetros da fronteira com o Peru. A hipótese de conflito foi a seguinte: forças chilenas estariam se preparando para enfrentar uma coalizão de duas nações inimigas, uma das quais com o objetivo de conseguir acesso ao mar para exportar suas reservas de gás. As manobras militares chilenas, em presença da ministra da Defesa, Michelle Bachelet, pré-candidata presidencial, e do comandante da arma, coincidiram com encontro entre presidente de dois países, Alejandro Toledo do Peru e Carlos Mesa da Bolívia. A dupla assinou acordo apontando para a concessão à Bolívia de “zona especial” na costa peruana, onde será construído um terminal. Com que finalidade ? Exportação do gás boliviano. Chile e Peru travaram a guerra do Pacífico, no século passado, e os peruanos não esquecem que Lima, sua capital, foi ocupada pelos chilenos. Mas dessa vez reagiram com condescendência. “A única guerra na nossa cabeça é a contra a pobreza”, disse o primeiro-ministro peruano.



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