Números pouco animadores

Educação em debate Por Tagil Oliveira Ramos   Um dos grandes problemas do sistema de ensino público brasileiro é a evasão escolar. Anualmente, uma multidão de estudantes...

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Educação em debate

Por Tagil Oliveira Ramos

 

Um dos grandes problemas do sistema de ensino público brasileiro é a evasão escolar. Anualmente, uma multidão de estudantes abandona a escola. Divulgada no começo de junho, a Sinopse da Educação Básica de 2003, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, (Inep/MEC), Anísio Teixeira mostra números alarmantes relativos ao período letivo de 2002. Cerca de 2,8 milhões de alunos do ensino fundamental no Brasil abandonaram a escola, número praticamente igual à quantidade de alunos que concluíram o ciclo de estudo.

O levantamento faz um mapa do ensino público no país, mostrando distorções, carências, bem como recuos e progressos nas condições de ensino. A Sinopse reúne dados dos vários níveis e modalidades de ensino da educação básica coletados pelo Censo Escolar. As informações, apresentadas por unidade da Federação, referem-se a matrícula, funções docentes, estabelecimentos, turmas, rendimento e transporte escolar.

A Sinopse revela que 55,3 milhões de pessoas estavam na educação básica em 2002, distribuídas em 212 mil escolas, com quase 2,5 milhões de professores. A média de 4,5 docentes para cada 100 alunos ainda considerada insuficiente para atender às demandas por educação.

O ensino fundamental tinha 34,4 milhões de estudantes, seguido do ensino médio, com 9,1 milhões. Na creche estavam 1,2 milhão de crianças e na pré-escola, 5,6 milhões. Na educação especial, em escolas especializadas ou em classes especiais, o número de matrículas era de 359 mil. No sistema de integração, no qual a criança fica em sala comum, havia 145 mil estudantes.

Para o presidente do INEP, Eliezer Pacheco, “é necessário uma escola que garanta a permanência e o sucesso escolar do estudante”. Os dados mostram que houve alguma ampliação no acesso ao ensino fundamental e médio nos últimos anos, mas a situação ainda está muito aquém do desejável. Os desafios apontam para a implantação de políticas de melhoria da qualidade.

Na Sinopse, os dados relativos ao ensino fundamental mostram a realidade dura vivida por quatro milhões de alunos reprovados. O índice é alto, 14,6% dos alunos aprovados, o que soma 27,8 milhões. Eliezer aumentou em relação ao período passado, que era de aproximadamente 3,8 milhões.

As cifras educacionais do país não revelam tudo. A diversidade de realidades inclui, numa mesma mensuração, tanto uma escola-modelo na cidade de São Paulo, equipada com laboratório e internet, como outra que não possui nem carteiras, nem luz elétrica, no interior do Piauí.

Mas é possível apurar algumas dessas distorções entre regiões. O Nordeste, por exemplo, tem o maior número de reprovados: cerca de 1,8 milhão de alunos (45% do total). Já a Região Sudeste possui 938 mil, cerca de (23% do total). A relação mostra a desigualdade de condições existentes entre as escolas de diferentes regiões. Dos 2,8 milhões de alunos que abandonaram a escola, mais da metade (cerca de 1,5 milhão) era da Região Nordeste.

O alto índice de abandono está diretamente relacionado com as condições de estudo oferecidas. Um primeiro problema diz respeito ao excesso de alunos por sala de aula. Incapazes de atender à grande demanda, sem verba para a contratação de mais professores e para a ampliação física da estrutura, as escolas passam a entupir as classes, trabalhando com turmas superdimensionadas, o que não garante o mínimo para o aprendizado.



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