O desafio e acabar com a pobreza

São Paulo aceitou a missão de coordenar uma rede mundial de cidades para combater esse mal que afeta metade da população do planeta Por Kjeld Jacobsen  ...

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São Paulo aceitou a missão de coordenar uma rede mundial de cidades para combater esse mal que afeta metade da população do planeta

Por Kjeld Jacobsen

 

Em abril deste ano foi lançada a Rede 10 – Luta contra a Pobreza Urbana – da Urbal, programa financiado pela União Européia que possibilita a troca de informações, experiências e geração de políticas para enfrentar os problemas que afetam as cidades da América Latina e Europa. A opção por São Paulo para coordenar a rede, que terá duração de três anos, aconteceu em setembro de 2002, em concorrência com Roma e Cidade do México. Mais de oitenta municípios apoiaram nossa candidatura, em reconhecimento ao trabalho de inclusão e combate à pobreza que vem sendo feito pela atual administração municipal.

E os desafios da rede são muitos. Segundo dados de organizaçoes multilaterais, 2,8 bilhões de pessoas (metade da população mundial) vivem abaixo da linha de pobreza, com menos de 2 dólares por dia. Desses, 1,2 bilhão está em situação de indigência, problema que afeta gravemente a adminstração das cidades, principalmente as latino-americanas. Nelas habitam 73% das pessoas do continente, o maior índice de urbanização do mundo (dados de 1995). A previsão é que concentrem, agora em 2005, 85% da população total. Aí incluída a maior parte dos cerca de 300 milhões de pobres ou indigentes da AL.

E o problema não é apenas quantitativo. Ser pobre, principalmente em países com redes de proteção social precárias, representa ficar à margem dos benefícios do desenvolvimento humano alcançado no século 21. Num mundo globalizado, da internet, dos microprocessadores, da robótica, das tecnologias de ponta, há quem morra de fome ou tenha sua expectativa de vida diminuída pela falta dos nutrientes necessários, por falta de água tratada, por morar em condições precárias, por estar sujeito a diversos tipos de violência. A solução desses problemas depende de medidas estruturais, principalmente desenvolvimento econômico e redistribuição de renda, mais afeitas aos governos centrais. Mas cabe às administrações locais, como a de São Paulo e das cidades que integram a Rede 10, influenciar as políticas gerais ao mesmo tempo em que adotam programas para minorar o efeito das injustiças.

Como disse o presidente Lula na Conferência de Lançamento da rede, no Brasil temos diversas experiências bem-sucedidas de cidades governadas pelos mais diferentes partidos. “Uma cuida melhor da saúde, outra, da educação, outra, do saneamento. Se você juntar os 5.500 municípios vai ter pelo menos 200 ou 300 experiências da melhor qualidade…” Para ele o papel do governo federal é tentar criar, através dessas boas experiências, uma política pública correta para o país.

Talvez esse seja também o desafio da rede. Juntar todas as boas experiências dos dois continentes e elaborar novas e integradas estratégias para combater a pobreza e a exclusão social. Criar uma nova globalização, que venha para incluir e tornar o mundo mais humano e justo. Como também lembrou na Conferência a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, cada vez está mais claro que uma verdadeira mudança de rumo está acontecendo depois do vendaval do neoliberalismo, inaugurando um novo momento de solidariedade e participação. “Os artífices dessas iniciativas de inclusão social são prefeitos, autoridades locais, a sociedade civil organizada, movimentos de bairro e uma legião de militantes sociais que têm por ideal a instauração de um mundo mais justo aqui e agora”, afirmou.

A pobreza em São Paulo, Roma, Buenos Aires, Paris, Assunção, Bonn e em outras cidades que fazem parte da rede (e mesmo as que não estão no projeto) pode não ter a mesma cara, afetar homens e mulheres de maneira diferente, mas fazem parte da mesma luta por dignidade humana. São Paulo aceitou o desafio de coordenar uma rede de combate à pobreza e ajudar a construir um mundo mais justo. Contamos com a participação de todos para enfrentar esse desafio



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