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Voto arriscado, Guerra privatizada, Falha porque tardia, Câncer em garrafas, Cartão de crédito via Nova Delhi, Monsanto negocia com Ho Chi-Min, O impasse das contra-reformas Por  ...

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Voto arriscado, Guerra privatizada, Falha porque tardia, Câncer em garrafas, Cartão de crédito via Nova Delhi, Monsanto negocia com Ho Chi-Min, O impasse das contra-reformas

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Voto arriscado Um negócio fechado em 99 veio à tona somente agora. A empresa responsável pela maioria das urnas eletrônicas brasileiras foi comprada por um dos principais captadores de recurso da campanha à reeleição de George W. Bush. Dono da Diebold, ele controla agora também a Procomp, a empresa privada com maior participação nas eleições brasileiras.

A imagem pública da Diebold nos EUA não é das melhores. A revista Multinational Monitor, que anualmente elege as corporações mais nocivas do mundo, colocou-a como número 5 no ano de 2003, dada a insegurança de seus sistemas eleitorais. Na polêmica eleição presidencial de 2000 – que elegeu Bush –, as máquinas da Diebold no distrito eleitoral de Volusia, formado por apenas 412 eleitores, contabilizaram mais de 2.800 votos para o atual presidente.

Nos EUA e no Brasil, ativistas de direitos civis reclamam que, sem a impressão de um comprovante de voto para o eleitor, o sistema pode ser manipulado. Aqui, o voto impresso em paralelo, que começava a ser implantado e permitiria a recontagem dos votos, foi varrido do mapa pelo Congresso, que alegou custos altos e demora na votação.

Guerra privatizada Imaginar um mundo onde não existam mais exércitos nacionais não é mais sonho apenas de pacifistas utópicos. Com orçamentos cortados e exércitos cada vez menores, os conflitos ao redor do mundo têm, a cada dia, maior participação de grupos privados de segurança.

No Iraque ocupado de hoje, os exércitos privados são a segunda força – apenas atrás das tropas dos EUA. Estima-se em 10% os mercenários privados. Uma expansão clara, se comparada com a primeira guerra do Golfo quando essa relação era de 100 para um, segundo o jornal britânico The Guardian. Hoje seriam pelo menos 10 mil contratados (segundo outras fontes, este número poderia chegar a 15 mil), configurando um contingente de soldados maior do que o que o exército inglês mantém no país. Dos custos totais das campanhas militares no Iraque e no Afeganistão em 2003, pelo menos 30% teriam sido gastos com contratos privados, revelou o jornal inglês, em uma matéria de dezembro último.

Ainda que muitos dos contratados tenham como missão coisas tão prosaicas como cozinhar para as tropas oficiais ou reparar estradas, calcula-se que no Iraque 6 mil deles sejam encarregados de funções militares e andem armados. Os quatro mortos que tiveram seus corpos arrastados e pendurados em uma ponte em Falluja no final de março, por exemplo, eram empregados da Blackwater USA, uma empresa norte-americana que tem, segundo a Economist, contrato com o Pentágono para treinar 10 mil soldados dos EUA.

Falha porque tardia Tentando dar conta de um estrago já feito, a União Européia (UE) aplicou no final de março uma multa de US$ 613 milhões à Microsoft. A empresa de Bill Gates foi acusada de tirar proveito de seu “quase-monopólio” em sistemas operacionais (Windows) para varrer do mapa os concorrentes que disputavam com ela o mercado de programas que executam músicas e exibem imagens em vídeo (chamados, no jargão dos programadores, de “aplicativos de mídia”). Além da multa – equivalente a menos de 10% de seu lucro anual – , a Microsoft deverá oferecer o sistema Windows sem o Media Player, e abrir informações sobre seu sistema operacional que facilitem a comunicação com outros. Aparentemente pesadas, as punições surtirão, na prática, pequeno efeito.

A Microsoft já anunciou que apelará da decisão e o processo judicial poderá se desenrolar até 2009. Mesmo que este se encerrasse agora, o benefício para as empresas que produzem aplicativos de mídia chegou tarde. A maior delas, a RealNetworks, perdeu a liderança do mercado há tempos e os produtores de som e vídeo digital migraram em massa para o padrão Microsoft. Além disso, a redução no preço da licença do sistema operacional sem o aplicativo de mídia deverá ser muito pequena. O mais provável é que poucos consumidores adotem essa opção.

Câncer em garrafas Desceram pelo ralo os planos da Coca-Cola de conquistar o mercado britânico de água engarrafada. A empresa acabara de introduzir na Grã-Bretanha a marca que é a segunda no mercado estadunidense, a Dasani. Mas, no final de março, foi obrigada a recolher mais de 500 mil garrafas, depois da identificação da presença de bromato, um sal potencialmente cancerígeno, em níveis superiores aos permitidos pela lei. Na semana anterior, a empresa já havia sofrido outro golpe, sendo obrigada a admitir que a água contida nas garrafas de Dasani tem como origem a torneira, e não vêm diretamente de fontes naturais.

Do outro lado do mundo, na Índia, a empresa enfrenta, desde o começo do ano, acusações ainda mais graves. Foram identificados no seu produto-chefe, a Coca Cola, pesticidas em níveis trinta vezes maiores do que os permitidos pela União Européia. Os testes foram realizados por institutos independentes e pelo próprio governo indiano.

Cartão de crédito via Nova Dehli As novas tecnologias de comunicação baratearam também as ligações telefônicas internacionais. Quem está se aproveitando disso são as grandes empresas dos EUA e da Inglaterra, que têm montado centros de atendimento telefônico na Índia. Após cursos para perder o sotaque local, os indianos atendem telefonemas para tirar dúvidas de produtos, receber reclamações ou solicitar um simples cartão de crédito.

Assustado com a perda de empregos locais, o Governador do estado de Oregon, Ted Kulongoski, cancelou o contrato de uma estatal com a eFunds Corp, uma empresa de atendimento telefônico que direcionava as chamadas para a Índia. A eFunds entrou na justiça e derrotou o governador. O argumento: as regras do GATT (o acordo que deu início ao processo de formação da OMC) não permitem que governos estabeleçam esse tipo de restrição.

Monsanto negocia com Ho Chi-min O Vietnã deve ser o segundo país comunista a integrar a instituição-símbolo do neoliberalismo. ‘’Não há nenhum entrave para o acesso vietnamita’’, garante Rufus Yerxa, vice-diretor da OMC. Yerxa, ex-presidente do conselho diretor da Monsanto, define como “ótimas as conversas com o Partido Comunista do Vietnã’’, do antigo líder revolucionário Ho Chi-min.

O ex-executivo da maior produtora mundial de agrotóxicos – e que teve um estouro nos lucros produzindo o agente laranja, desfolhante usado na guerra do Vietnã que deformou milhares de pessoas – está confiante no fim das barreiras agrícolas do país.

O impasse das contra-reformas Raras vezes as urnas falaram tão claro, e foram tão pouco ouvidas. No final de abril, um furacão eleitoral desabou sobre o governo de direita do presidente francês Jacques Chirac e de seu primeiro-ministro, Jean Pierre Raffarin, empossados há menos de dois anos. Disputava-se o governo e os conselhos das 22 Regiões administrativas do país. Mas se avaliava, antes de tudo, a política de redução de direitos sociais e previdenciários, e de desmonte dos serviços públicos – marcas registradas da coalizão no poder. Os dois partidos governistas (União Democrática Francesa – UDF – e União para um Movimento Popular – UMP) mantiveram apenas uma das 14 Regiões que controlavam. A opo sição (uma frente em que se destacam os partidos Socialista, Comunista e Verde) passou de oito para 21 governos.



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