A história que levou Aldo à presidência da Câmara

Desde que começou a ficar evidente a queda de Severino Cavalcanti, base aliada e oposição manobraram para ocupar o cargo do ex-deputado do PP. Saiba mais sobre os bastidores de uma partida que o...

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Desde que começou a ficar evidente a queda de Severino Cavalcanti, base aliada e oposição manobraram para ocupar o cargo do ex-deputado do PP. Saiba mais sobre os bastidores de uma partida que o governo não podia perder

Por Renato Rovai

 

Quando Severino Cavalcanti (PP-PE) recebeu naquela segunda-feira, 5 de setembro, um telefonema de José Carlos Aleluia (PFL-BA), não imaginava que seu caso estava praticamente encerrado. De malas prontas para representar o Congresso Nacional na 2ª Conferência Mundial de Presidentes de Parlamentos da ONU, em Nova Iorque, o pernambucano tinha sido informado, ainda na sexta-feira (2/9), das denúncias do empresário Sebastião Augusto Buani. Aleluia foi claro com Severino. Havia provas e ele estava com uma carta de afastamento pronta para que o presidente da Câmara assinasse. Feito isso, as investigações seguiriam o curso natural. Sem atropelos e evitando desgastes para todos. Severino repetiu o que cansara de dizer durante todo o fim de semana: não iria abrir mão do posto e lutaria para preservá-lo.
Entre o telefonema de Aleluia e a sessão da renúncia, no dia 21 de setembro, seguiram-se outros recados com sinais de acordo. O deputado João Caldas (PL-AL), um dos mais íntimos do então presidente, chegou a dizer que Severino estudava a saída do afastamento. A proposta era a de que deixasse o cargo por quatro meses, tempo suficiente para que as investigações das CPIs fossem finalizadas. Nesse período, articularia sua defesa. E a presidência da Casa ficaria a cargo do vice José Thomaz Nonô (PFL-AL). A oposição saberia recompensá-lo no momento oportuno.
Estava armado o cenário para que o governo Lula fosse completamente à lona. Mas, Severino, a essa altura, já não confiava mais na oposição. Preferiu a renúncia e a certeza de manter Ciro Nogueira à frente do ministério das Cidades. Os contatos com o presidente da Câmara não teriam partido apenas de políticos. “Alguns líderes empresariais o procuraram com a mesma proposta”, sustenta Renildo Calheiros (PCdoB-PE), que teria ouvido nome e sobrenome de alguns deles do próprio Severino.
Quem conversou com Severino após a cassação garante que ele está convencido de que foi envolvido em uma teia tão bem montada que tem certeza de que ela não surgiu por acidente. Tratava-se de uma carta na manga da oposição guardada há algum tempo. Usada apenas quando se imaginava ser o momento oportuno.

Quem comprou, quer o produto

É preciso retornar ao dia 15 de fevereiro para entender parte do final não-feliz do rei do baixo clero. Severino foi para o segundo turno com 124 votos, sete a mais do que o deputado Virgilio Guimarães (PT-MG), que obteve 117. O candidato oficial dos petistas, escolhido em uma reunião de bancada que mais pareceu uma assembléia estudantil sem comando, era Luiz Eduardo Greenhalg (PT-SP) que teve 207 votos. A arrogância governamental contava com 260 naquela disputa. “Jogamos tudo num turno só, erramos. Agora estamos trabalhando com a dimensão dos dois turnos e considerando todas as hipóteses”, afirmava um dia antes da eleição de Aldo Rebelo o deputado gaúcho, Henrique Fontana, novo líder do PT e ligado à esquerda do partido.
Imaginava-se que, no limite, Virgílio e Greenhalg iriam para segundo turno. Na verdade, o governo contava com o bom mocismo da oposição. Mas um movimento da dupla Garotinho-FHC deu outros rumos à disputa. Para se ter uma idéia de como o esquema funcionou, basta checar a votação do então candidato da oposição. José Carlos Aleluia teve apenas 53 votos. Parte da votação que poderia ter ajudou Severino a superar Virgílio.
O ex-governador do Rio de Janeiro fez campanha sem máscara pelo pepista nos corredores do Congresso. FHC, mais discreto, preferiu telefonemas a deputados como Geddel Vieira Lima e Eliseu Padilha, ambos do PMDB, e para alguns tucanos. Achava que era uma boa oportunidade de dar ao menos um bom susto em Lula. Foram os 40 a 50 votos de Garotinho e FHC que levaram Severino à disputa final, onde ele sapecou uma goleada no candidato governista. Greenhalg teve míseros 195 votos contra 300 de Severino.
O que a oposição esperava em troca daquele apoio era que o novo presidente se tornasse aliado no combate anti-Lula. Mas havia algo que interessava mais a ele, cargos. E Severino foi à luta por eles. Conseguiu emplacar diretores de estatais e perdeu o ministério das Comunicações por conta de uma declaração açodada. Em um evento, na Assembléia Legislativa do Paraná, em 21 de março, disse: “Ou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia o nome de Ciro Nogueira (PP-PI) como ministro das Comunicações ou o PP deixa a base aliada e se junta a PFL e PSDB na oposição ao governo”. Lula deixou a reforma política de lado. Mas Severino ficou com a promessa de que quando a bola baixasse teria seu ministério.

A entrevista de Roberto Jefferson

Na segunda feira, 6 de junho, o então presidente do PTB concedeu uma entrevista bombástica à Folha de S. Paulo, onde dizia que, para votar a favor do governo, deputados do PL e do PP recebiam “mensalão”, uma propina de 30 mil reais. Há algumas versões a respeito da história da entrevista. A jornalista Renata Lo Prete, editora do Painel político da Folha de S. Paulo, foi a autora da reportagem que abriu as comportas da crise. Mas diz-se que havia conhecimento antecipado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso do conteúdo do escândalo. Quando veio à luz a fita da propina dos Correios, incriminando Maurício Marinho e Jefferson, o próprio deputado carioca teria avisado FHC de que acionaria uma bomba no colo do governo. E sinalizou a respeito do conteúdo do explosivo. FHC teria ligado para o diretor de redação Otávio Frias Filho, que encaminhou a Renata Lo Prete a ordem para que ligasse para Jefferson solicitando uma entrevista. E que não desgrudasse dele. Lo Prete disse em entrevistas que “quando Roberto Jefferson me chamou, imaginei que tinha algo de impacto a dizer. Ele estava em silêncio havia muitos dias e sob forte pressão. Mas não imaginei que se tratava do ‘mensalão’”. A entrevista foi concedida em uma tarde de domingo, dia 5, no apartamento funcional do deputado, em Brasília. FHC, dias antes, teria anunciado que o governo Lula parecia um peru bêbado. Premonição?
Depois dessa entrevista, o governo ficou pior do que peru bêbado, mas, mesmo assim, Severino preferiu manter a sua vocação de continuar a luta por cargos em vez de entregar o que a oposição esperava. No dia 22 de julho, o pernambucano receberia sua recompensa maior. O ex-governador gaúcho Olívio Dutra, um dos melhores amigos do presidente Lula, deixava o Ministério das Cidades. Assumia Márcio Fortes, nome de Severino. Dali para o discurso da renúncia tudo passou rápido.

As articulações pós-Severino

Duas teses eram discutidas no campo da oposição em relação ao caso Severino. Havia quem defendesse que fosse tratado em banho-maria, o que permitiria à oposição, mesmo sem o controle, manobrar as ações da Câmara. Esse era um cenário. O outro era derrotá-lo. Quando decidiram pela opção mais radical, os governistas perceberam que sofreriam uma ameaça, mas também teriam nova oportunidade. “O PSDB e o PFL avaliaram que era hora de tirar o Severino para colocar algum deles naquela posição-chave. Ficaria em suas mãos dar curso ou não ao impeachment do presidente Lula, coisa que o Severino estava se negando a fazer”, avalia o presidente do PCdoB Renato Rebelo.
Surgiram várias teses. Uma era a de achar alguém que pudesse ser eleito por aclamação e retomasse a agenda legislativa da Casa. Mas quando o PFL fixou a candidatura de Nonô e foi cobrar do PSDB o apoio, a possibilidade de acordo morreu. “A polarização foi um erro, não levou em consideração a natureza da crise. A natureza da crise da Câmara é a fisiologia, os deputados que estão sendo disputados pelo governo e que se alinham por conta de cargos e benefícios”, argumenta o deputado Paulo Delgado (PT-MG), favorável à candidatura de consenso. “O governo não deveria ter aceitado a provocação da oposição quando lançou o Nonô. O que estamos vivendo é um velório prolongado desse tipo de política”.

Temer achou que podia ser

Da renúncia de Severino até a vitória de Aldo Rebelo, o núcleo mais à esquerda da articulação política do governo na Câmara atuou em assembléia permanente. Lideranças do PSB, PCdoB e PT faziam duas reuniões por dia. Uma pela manhã e outra à noite. O presidente do PCdoB diz que desde o início ficou claro que o único nome da base que conseguiria ampliar para além do núcleo duro do governo era o de Aldo. “A candidatura do Arlindo Chinaglia foi lançada só para testar as reações. Sabia-se da inviabilidade de um nome do PT vencer aquela disputa. Aliás, apesar de ser uma grande liderança no Congresso, um dos motivos que levou ao nome do Chinaglia foi que se sabia que ele retiraria para que Aldo pudesse concorrer”, sustenta Renato Rebelo.
Num dado momento, a tese de deputados como Paulo Delgado pareceu que poderia emplacar. O peemedebista Michel Temer tentou se tornar o nome de consenso. Ele acusa o presidente do Senado de tê-lo bombardeado como alternativa. É apenas metade da verdade.
Ao PFL não interessava essa opção. O senador Jorge Bornhausen, aquele dos “trinta anos livre dessa raça”, apostava tudo em Nonô. Achava que a oposição tinha uma chance de ouro de fazer um presidente puro-sangue. E também analisava que ao ficar com a presidência da Câmara o PMDB se fortaleceria muito. Numa visita que Michel Temer fez a Bornhausen para discutir a viabilidade de um consenso em torno do seu nome, tudo isso teria sido dito de forma clara pelo catarinense.
E o prefeito José Serra, que fazia de conta que o PSDB poderia apoiar a solução Temer, também já havia decidido que era a hora de mostrar fidelidade ao PFL. Na última eleição, Serra fez com que os tucanos optassem pelo PMDB como parceiro preferencial para as eleições. Até por isso, teve como candidata a vice-presidente na sua chapa a senadora Rita Camata (PMDB-ES). Isso lhe custou caro. Como se trata de um partido dividido, Serra ficou apenas com parte dele para a sua campanha. Desta vez, todos os sinais do prefeito paulistano são de que, se vier a ser candidato, quer o PFL com ele. E, se possível, uma parcela do PMDB.
“Ao optar por lançar Nonô e inviabilizar o Temer, a oposição nos deu metade do PMDB”, analisa o deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE). Segundo ele, quando se sentiu rejeitado pela oposição, Michel Temer tentou ser o candidato da base do governo. “Mas ele sempre se comportou como oposição a um acordo do PMDB com o governo, sendo assim os partidos da base não aceitavam em hipótese alguma a sua candidatura. Além disso, tentou sair primeiro pela oposição e isso também o inviabilizou como um nome nosso”.
O deputado Cláudio Magrão (PPS-SP) era um dos que avaliava, no dia anterior à eleição, que ainda poderia dar Temer. “Sinto que seu nome pode se tornar consenso. Seria bom que isso acontecesse porque evitaria o confronto”. No entendimento de Magrão, havia algumas dificuldades para que a candidatura de Aldo prevalecesse, mesmo dentro do PT. “Não se deve esquecer que a reeleição do João Paulo, ex-presidente da Câmara, foi bombardeada exatamente pelo Aldo”. Magrão tinha razão. Aldo Rebelo, que agora contou com o apoio decisivo de Renan Calheiros, atual presidente do Senado, jogou contra a reeleição não só de João Paulo mas também de José Sarney. Foi isso que abriu espaço para que Renan se tornasse presidente do Senado. E Severino, da Câmara. João Paulo, porém, enfraquecido, aceitou a candidatura de Aldo como a saída possível.

A confusão partidária

Há dois campos de fato articulados hoje no Congresso Nacional. Um que orbita em torno do acordo tucano-pefelê e outro dos partidos da esquerda governista, PT, PSB e PCdoB. Juntos, esses dois grupos não atingem metade da Casa. Isso é que tem dificultado em muito que sejam construídos acordos mais sólidos.
“Na verdade estava tudo muito solto e em meio a uma grande crise. Com essa eleição o governo que estava como um barco desgovernado na sua relação com o Congresso parece ter assumido o controle do leme”, registrava o deputado Maurício Rands (PT-PE).
O PTB está completamente dividido. De um lado, o grupo do Roberto Jefferson defende que o partido vá para a oposição. E por isso queria apoiar Nonô já no primeiro turno. De outro lado, Walfrido dos Mares Guia, ministro do Turismo, defendia o apoio ao governo. Foi nesse contexto que o presidente Lula chamou o ex-governador paulista Luiz Antônio Fleury Filho para uma conversa. Na ocasião, teria lhe dito que considerava que o PTB tinha o direito de apresentar um nome no primeiro turno da eleição da Câmara e que via com bons olhos a candidatura de Fleury, mas que queria um compromisso do deputado. Caso ele não fosse para o segundo turno, apoiasse Aldo Rebelo. Fleury consentiu. Em bom politiquez, Lula disse: não faça um acordo com Ciro Nogueira, apadrinhado de Severino, no primeiro turno. Se isso tivesse ocorrido, a candidatura de Ciro poderia ter-se tornado perigosa.

Fla x Flu
Em 27 de setembro, terça-feira, no dia anterior à eleição de Aldo, poucos acreditavam que o segundo turno pudesse ser diferente de Aldo x Nonô. “Dessa vez, mesmo que não dê certo, não se poderá dizer que o Lula não se envolveu na articulação política. O governo, que na outra eleição deixou as coisas rolarem, agora está trabalhando duro”, avaliou um membro da Executiva Nacional do PT que tem mandato parlamentar.
O trabalho duro do governo foi notado pela oposição que o acusava de estar barganhando de tudo para eleger Aldo. Falava-se no ministério da Educação para o PP, em milhões de emendas e em centenas de cargos. Em todas as entrevistas que concediam, os líderes dos partidos do governo tinham de se explicar. Numa dessas ocasiões, Henrique Fontana disse: “Lembro-me do quanto o FHC trabalhou para eleger o Aécio, o Luis Eduardo Magalhães e o Temer. Um candidato neutro, só se a gente trouxesse de Marte. Todos aqui têm lado”.
Quando no início da manhã do dia 28, em um discurso exaltado contra Renan Calheiros, Michel Temer foi ao plenário e retirou sua candidatura em apoio à de Nonô, ficou claro que não havia mais chances de surpresas, o Fla x Flu, governo versus oposição, seria o clássico do segundo turno. Ainda havia quem imaginasse que Ciro Nogueira pudesse bater nos cem votos, mas nada. O resultado registrou 182 votos tanto para Aldo como para Nonô; 76 para Ciro; Fleury, com 41; Alceu Collares, 18; cinco votos em branco e três nulos.

A vitória veio do PDT

A candidatura de Alceu Collares (PDT-RS), destacado oposicionista, pode ter garantido a vitória de Aldo Rebelo à presidência da Câmara. Parece curioso, mas é fato. O líder da bancada do partido da Câmara, o baiano Severiano Alves, assinou pelo seu partido o registro da candidatura de Nonô. O ato, não foi debatido na bancada, e gerou grande mal-estar. O ex-deputado carioca Vivaldo Barbosa, histórico pedetista, e deputados como Neiva Moreira, não aceitavam a decisão. Na manhã da própria eleição, no dia 28, em uma reunião da bancada com a Executiva ficou acertado que o partido lançaria um candidato no primeiro turno. E liberaria o voto no segundo. Alceu Collares teve os 18 votos de sua bancada. Nos cálculos do governo, no segundo turno, Aldo teve mais votos que Nonô no PDT. Mas por que o PDT deu então a vitória a Aldo? A diferença pró-Aldo no segundo turno foi de 15 votos, 258 a 243. Ou seja, levando em consideração que metade da bancada do PDT votou em Aldo, isso seriam nove votos. Como em uma disputa de dois candidatos, um voto vale dois, porque migra para o adversário, ter metade dos votos da bancada do PDT significaria tirar uma vantagem de 18 votos. Ou seja, nessa hipótese, Nonô teria 3 votos a mais que Aldo. Outro dado curioso do fator PDT é que o último deputado a se integrar na bancada foi Sérgio Miranda, de Minas Gerais. Miranda foi durante 43 anos do PCdoB, participava de sua Executiva Nacional, mas rompeu por questionar os rumos do partido, dias antes da eleição da Câmara. Miranda teria tido papel fundamental nos debates da bancada para impedi-la de ir com Nonô.

A apuração dos votos

Aldo não foi ultrapassado por Nonô em nenhum momento da apuração, mas o placar foi sempre apertado, e chegou a haver empate em 213 a 213. Nessa hora, muitos deputados do governo suaram frio, no sentido literal. Carlito Merss (PT-SC), que estava na última fileira do plenário, mostrava a mão molhada e trêmula para os jornalistas. “Não acredito que vai ser assim até o final”. A deputada Telma de Souza (PT-SP) saía do plenário dizendo que “era muito baixa para tão alta pressão”. Jamil Murad (PCdoB) sentenciava: “é, infelizmente, se viermos a perder essa o governo acaba prematuramente, porque aí cada deputado vai cuidar da sua vida”.
Foi assim até faltar pouco mais de 20 votos para o final e a virada se tornou impossível. Nessa hora, o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), um dos líderes da candidatura Aldo, já se dava o direito de uma provocação: “Assim foi melhor. Se tivéssemos ganhado de muito o governo iria colocar o salto alto de novo. E chega de salto alto”.

Uma história que merece registro

“Vim aqui para conversar com o senhor porque desde sexta-feira não durmo direito (estávamos em uma quarta). Sabe como são as coisas no PSDB, eles têm 21 deputados estaduais e ao todo vão ter 140 candidatos. Eles querem me abrir espaço para participar só três vezes no horário eleitoral. Assim eu sumo, não vou conseguir discutir minhas idéias. E não adianta conversar com o governador que ele não manda no partido. Lá tem a direção, eles que decidem. Vim aqui para me aconselhar com o senhor, que é uma pessoa da minha confiança. Estou me sentindo muito sozinha, não tenho ninguém para conversar.” Quem falava era a deputada Havanir Nimtz, eleita pelo Prona. Quem ouvia era o líder do seu antigo partido, o deputado federal Enéas Carneiro, Prona.
Durante uns 15 minutos, a então tucana lamuriava-se e dava sinais de arrependimento por ter saído do partido em que se elegeu. Sem gritos ou fala estridente, ambos conversavam como experientes políticos. Enéas fazia-se de desentendido e dizia para Havanir que de fato seria complicado ela se eleger nessas condições. “Sem tempo na TV é de fato difícil. Mas também para o Prona não interessa eleger gente que depois muda de partido, como aconteceu com os deputados federais que se elegeram comigo”. Enéas falava com Havanir como se ela não tivesse feito o mesmo. Havanir respondia: “é mesmo”. E voltava à carga perguntando para Enéas sobre que decisão ela deveria tomar, afinal, o prazo para mudança de partidos se encerrava no dia 30, dali a 48 horas. Enéas dizia se tratar de uma decisão difícil e que ele seria candidato pelo Prona que tem o melhor programa etc, etc. “Também estou pensando em ir para o PP, se não tiver outro jeito. Eles já me ofereceram a legenda, mas também não sei se essa é a melhor opção”. No dia 1º de outubro, a ex-tucana Havanir, que fez um último esforço para voltar ao Prona, anunciou que passava a ser deputada estadual pelo PP, por onde deve ser candidata à reeleição.



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