A nova face do MST

João Paulo Rodrigues é uma das principais lideranças do MST e simboliza uma geração que começa a mudar a forma de agir e pensar dos militantes sem terra Por Nicolau Soares  ...

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João Paulo Rodrigues é uma das principais lideranças do MST e simboliza uma geração que começa a mudar a forma de agir e pensar dos militantes sem terra

Por Nicolau Soares

 

Aos três anos de idade ele já vivia em um acampamento de sem-terra, antes ainda do nascimento do MST. Com a fundação do movimento, João Paulo Rodrigues começou a se envolver cada vez mais com um problema secular do país, o acesso à terra. Hoje, é uma figura de destaque dessa luta, sendo representante da direção nacional do MST em Brasília, local que, principalmente após a eleição de Lula, se tornou uma das principais áreas de ação dos sem-terra.
Uma amostra da atuação de João Paulo no movimento pôde ser vista durante a realização da Marcha Nacional do MST no mês de maio. Além de caminhar boa parte do tempo com seus companheiros, ele esteve presente em 28 audiências com ministros, além de participar de encontros com os presidentes da Câmara e do Senado e com o próprio presidente da República. Durante alguns raros momentos em que conseguiu descansar, João Paulo concedeu essa entrevista à Fórum. Simpático e comunicativo, o líder sem-terra fala sobre a evolução do movimento nos últimos anos, analisa a atuação do governo Lula e fala sobre as perspectivas de que finalmente possa se efetuar uma reforma agrária de fato no país.

Desde muito novo você entrou em contato com a luta pela terra. Como isso influenciou sua formação?
Tive duas felicidades na vida. Fui para o acampamento muito novo, com três anos. Não me lembro da vida de antes, quando morava na cidade. Isso me ajudou muito, pois, para mim, o campo sempre foi minha realidade. Depois, em 1986, meu pai, hoje dirigente, já era integrante do MST e nossa casa se transformou no alojamento do movimento na região. Cresci conhecendo todas as histórias do movimento. Aos sete anos tinha contato privilegiado com o conjunto dos dirigentes, o que me deu condições de conhecer, mesmo jovem, a bandeira, os hinos, as músicas, palavras de ordem, até um pouco da ideologia. Acompanhava todas as reuniões e atividades. Aos 10 anos, tive oportunidade de participar oficialmente de uma ocupação organizada pelo MST. Claro que não tinha muito o que fazer, mas ajudava de uma forma ou de outra.

Você tem contato com o movimento praticamente desde o seu início. O que mudou no MST desde a sua fundação?
Tivemos dois momentos, antes e depois de 1997 [para os militantes do MST, o ano de 1997 é marcante por amplificar as reações ao massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1996. O assunto chega a ser tema de uma novela da oito da Rede Globo]. Àquela altura, poucas pessoas sabiam de fato o que era o MST e não conseguiam vê-lo como um movimento social forte e organizado. Andar com o boné do MST não trazia reconhecimento, o PT e a CUT eram as referências para a esquerda. A partir daquele ano, passamos a ser reconhecidos inclusive internacionalmente, o que abre portas para entrar em certos ambientes, mas fecha outras também. Hoje, é muito mais fácil dialogarmos do que antigamente.

Os objetivos das lutas estão mais amplos?
O MST sempre se propôs lutar por reforma agrária para transformar a sociedade. Mas hoje está mais claro que precisamos também lutar por mudanças sociais, contra o imperialismo, a Alca, o modelo econômico. Contra o inimigo latifúndio, conseguimos um bom combate. Já contra modelo econômico, precisamos de outros aliados. Por isso, surge oportunidade de fazer aliança com outros setores da sociedade. É muito mais fácil hoje fazermos uma aliança com o movimento hip-hop do que no início do MST. Temos ainda a possibilidade de fazer uma aliança com a torcida daquele “timeco”, a Gaviões da Fiel (risos). Hoje sentamos com setores dos trabalhadores ou de partidos para discutir. Claro que temos de ter cuidado com a máxima de que os fins justificam os meios, mas temos clareza sobre os objetivos e as alianças são muito importantes para nós.

O movimento tem lideranças muito jovens como você. Há mudanças ideológicas trazidas por essas novas lideranças?
Uma parte da nossa militância, a velha-guarda, os dirigentes que iniciaram o MST, cresceram e se formaram politicamente dentro de outra conjuntura. Saíram da ditadura militar e ajudaram a organizar o movimento. A maioria tem uma formação política dentro de sindicatos, movimentos da igreja católica e partidos políticos. Isso acaba sendo muito rico, pois constituímos dois espaços de formação, o partidário e sindical e o do movimento social. Era uma época diferente. Hoje, as pessoas vêm sem nenhum tipo de militância e são formadas pelas linhas políticas e elementos ideológicos do movimento. Porém, essa nova militância é uma síntese do que é o MST. Acho que não é melhor nem pior, mas tem essa marca. O discurso é familiarizado com o movimento da atualidade, enquanto as lideranças mais antigas, formadas há trinta anos, trazem elementos do movimento sindical, coisas boas, e alguns vícios que vão sendo corrigidos. Ter essa nova geração mesclada com os velhos companheiros é uma riqueza.

Mas há setores do movimento que surgiram (como o de relações internacionais) ou se valorizaram mais tarde (cultura e comunicação). Seria devido a uma influência dessa nova geração?
Não são coisas novas, elas já surgiram com o MST. Sempre houve um setor de comunicação, de educação, de saúde, necessidades do acampamento e que exigiam estratégias bem definidas. Mas precisamos de muito mais. É preciso construir um modelo próprio para o camponês, algo que nunca foi pensado na história do país. O mesmo para educação. Não basta querer que todos tenham ensino, precisamos combater o princípio de querer levar as pessoas do campo para estudar na cidade, pensar uma pedagogia própria dos camponeses. Para isso, é preciso ter suas próprias escolas para formar quadros que possam implementar a pedagogia adequada. Educação é um elemento estratégico. Outro importante setor é a comunicação, por isso utilizamos veículos como o jornal Sem-terra. Hoje, com a internet, é preciso ser inventivo para trocar informações, daí surge a idéia de usar o teatro, músicas, rádios comunitárias como formas de comunicação.

Havia expectativa de cerca de 30 audiências com integrantes de ministérios, um desempenho invejável para qualquer movimento social do mundo. O que se conseguiu com essas reuniões?
Foram 28 audiências em que debatemos questões que vão muito além da terra. Só não sentamos com Agricultura, Fazenda, Itamaraty, Desenvolvimento, Previdência, Turismo, Comunicações e Banco Central. Das estatais, não sentamos com a Petrobras, além das agências reguladoras. Com o restante, conversamos com quase todos: BNDES, Saúde, Integração, Casa-Civil, quase sempre com os próprios ministros. Foram duas semanas de audiências. E foi uma situação diferenciada, com uma pauta clara e uma mobilização da envergadura que foi a marcha nacional. O MST vem a Brasília com dois objetivos. Promover um debate público sobre a necessidade de construir um programa de reforma agrária e mudanças na política econômica e, ao mesmo tempo, para protestar. Mesmo agora, antes da marcha chegar à Brasília, nossa avaliação é de que ela é vitoriosa porque conseguiu promover o debate político. Todos eles estão cientes hoje do que é o MST, quais são os princípios organizativos, os objetivos e os problemas dos assentamentos.

Quais são os resultados práticos esperados dessa mobilização?
O resultado é difícil de quantificar, porque muitas delas geraram grupos de trabalho que farão novas reuniões. O que deu para perceber é que politicamente há uma grande simpatia dentro do governo pela causa da reforma agrária. O ministério da Cultura, por exemplo, pela primeira vez se propôs a criar uma pasta exclusiva para o setor nos assentamentos da reforma agrária; nas Cidades, há a proposta de elaboração de um programa de habitação específico; na Segurança Alimentar, conseguimos o financiamento de pequenas agroindústrias via programa Fome Zero. Ou seja, há uma preocupação que vai muito além do Incra, de que o conjunto das políticas públicas tem de ser centralizada também nos assentamentos. Possivelmente, pode não haver resultados imediatos do ponto de vista econômico. Primeiro, porque todos os ministérios estão quebrados. Todos reclamaram do contingenciamento e da forma como o governo mantém seus recursos. Mas colocar na pauta de todos os ministérios a reforma agrária é um avanço desta marcha. Na medida em que você conversa com vários ministérios ao mesmo tempo, você consegue unificar a pauta dentro do MST.

Não houve audiência com o Ministério da Agricultura. Qual seria a pauta com o Roberto Rodrigues?
Primeiro, que ele saia do cargo (risos). Segundo, convencê-lo de que a monocultura é um problema para o Brasil, em especial por estar a serviço apenas da exportação. Não temos propostas para o agro-negócio. Outro ponto é que o governo não pode renegociar a dívida com os agricultores. São 30 bilhões de reais que os ruralistas querem renegociar e a fonte disso é o Tesouro Nacional. Enquanto isso, o orçamento do Incra para a reforma agrária foi de 2 bilhões.

Na sua opinião, para o governo, a Marcha foi bem ou mal-vinda?
Acho que foi bem-vinda, todos elogiaram. O próprio Lula disse que acha importante, que outros movimentos deveriam ter iniciativas semelhantes porque o Estado precisa disso para funcionar. Burocracia pressupõe que haja pressão. Não estamos em uma conjuntura revolucionária em que temos força para tomar o poder de fato, nem para dizer que o Lula é nosso inimigo, ou pensar em pôr um governo do MST ou de qualquer outro movimento de esquerda. A conjuntura é adversa, não há movimento de massas e temos de acumular forças em meio à classe trabalhadora. Todas as conquistas sociais e econômicas que conseguirmos são boas, não podemos apostar no quanto pior, melhor.

Que avaliação política o movimento faz do governo? Falta unidade de ação aos ministérios?
O João Pedro Stédile foi feliz quando disse que o governo não tem projeto claro do ponto de vista econômico e social. Cada ministério tem seu projeto. O que se discute com o ministério da Pesca não tem sintonia com o que é conversado com o da Reforma Agrária, a Embrapa não anda junto com o ministério da Educação. É uma pena. O modelo econômico também não fecha com os programas sociais que existem em cada ministério. É bem verdade que existe uma vontade política de cada um, mas, ao fim, a equação acaba não fechando. Querer resolver os problemas sociais só por meio do crescimento econômico poderá trazer alguns resultados a longo prazo, se não houver crises externas, mas as desigualdades tem que ser resolvidas com a intervenção do Estado. Não é o mercado que vai fazer isso.

Você acha que o governo traiu os movimentos sociais?
Havia uma grande expectativa sobre o governo Lula de que ele poderia ajudar a resolver parte dos problemas do povo brasileiro. Isso mudou, porque é um governo de coalizão com setores de direita, tem um limite muito grande do ponto de vista de elaboração de um projeto estratégico de desenvolvimento nacional. Além disso, se elegeu em uma conjuntura difícil para a esquerda, para a luta de classes. O governo não apostou em fazer uma aliança com o povo para governar, escolheu fazê-la dentro do Congresso Nacional que, infelizmente, é um ambiente podre. Ali, não se constroem alianças ou maiorias sem pagar um preço econômico ou político, sem entregar ministérios e estatais em troca de votos. Isso tem consumido o governo, que passa parte do tempo com o Congresso e outra parte olhando para o risco Brasil. Esse cenário inviabiliza a possibilidade de o país dar um salto de qualidade. Porém, o MST acredita que o governo é aliado na luta pela reforma agrária. Temos nossas divergências, mas o movimento tem autonomia e isso nos dá tranqüilidade de criticar o governo quando não consegue realizar o que prometeu e, ao mesmo tempo, de apoiar áreas que dão certo como a política internacional e o ministério da Justiça, que está desempenhando um bom trabalho no combate à corrupção.

Mas então qual seria a alternativa para o governo? Há como sustentar uma ação política mais efetiva sem contar com o Congresso?
O problema é anterior. O PT, na última década, fez uma opção por tentar chegar ao poder a todo custo por meios institucionais. Com isso, inviabilizou a organização do povo brasileiro. O partido não conseguiu cumprir seu papel de organizar uma parte da sociedade e escolheu a busca de votos e aí é preciso negociar dentro da área do Estado, sem apoio do povo. O melhor modelo alternativo, dentro de uma democracia burguesa, é o estilo Chávez de governar. Ele conquistou uma base de apoio popular a partir de um conjunto de ações de enfrentamento contra a elite e deu poder ao povo, por meio de conquistas nas áreas de educação, saúde, reforma agrária. Nós não pudemos viabilizar algo semelhante por causa do modelo econômico. Mas se o Lula conseguisse aumentar o salário mínimo, fizesse a reforma agrária, não tenha dúvida de que teria muito mais força para realizar esse enfrentamento e colocar o Congresso Nacional na defensiva. O Lula perdeu todas no Congresso e vai continuar perdendo até as eleições, independentemente da posição dos movimentos sociais. Ali, já há um projeto claro de eleger um partido de direita que dê continuidade à governabilidade do país. Lula é aceito pelos pobres para governar, mas a elite brasileira dentro do Congresso tem preconceito contra os pobres, contra o Lula, contra os sem-terra, sempre vão querer que um deles governe, não vão querer terceirizar essa tarefa.

Você citou a política externa com o uma das áreas em que o governo mais avançou. Quais seriam esses avanços?
Temos um ministro qualificadíssimo, competente, que é o Celso Amorim, funcionário de carreira. Não é nenhum revolucionário, mas é sério. A simbologia do governo nesse setor se torna fundamental quando analisamos três movimentos. Primeiro, o fortalecimento o Mercosul, de extrema importância para o país e a região. Segundo, as relações multilaterais com países da Ásia e da África na OMC, mesmo com nossas divergências em relação à organização do comércio dentro da lógica econômica. Por fim, do ponto de vista político, sinais importantes foram dados com o posicionamento contra a guerra do Iraque, o apoio à Venezuela, a Cuba e aos países árabes. Há 500 anos o país é dependente ou dos europeus ou dos norte-americanos. Ainda há erros, como a ida dos militares brasileiros para o Haiti. Foi uma ação desnecessária, que não contribui para construção da democracia do país nem para o povo brasileiro, que passa a ser visto como invasor.

Quanto à reforma agrária, o governo alega não ter recursos, daí as dificuldades de implementação. Qual a sua avaliação a respeito?
Acho que ainda não existe reforma agrária no governo Lula. Há um plano importante de metas que resolveria o problema de grande parte das famílias acampadas, mas que não foi cumprido, não pela falta de vontade do ministro ou do presidente. A área econômica é outro mundo, outro governo, eles ainda acham que estão na era Fernando Henrique Cardoso. Adotaram fundamentos complicados na macroeconomia. O primeiro problema é a dependência em relação ao capital internacional, ao investimento que vem de fora para comprar os papéis da dívida brasileira. Para garantir que os papéis vão ser pagos, o governo adota duas medidas: garante que não haja qualquer turbulência política e promove reformas para evitar que o investidor tenha problemas. E, para atrair o dinheiro, eleva os juros. Outro aspecto é a necessidade de se investir todo ano para produzir matéria-prima em monoculturas de exportação. Todas as taxas e impostos possíveis são cortados para apoiar esse setor, inviabilizando o resto da agricultura brasileira. O terceiro problema é a política fiscal, a tese de que o país não pode gastar muito, adotar o superávit primário de 4,25% ao ano. Parte de toda a riqueza produzida pelo país vai para o pagamento da dívida pública interna e externa. Mas alguns resultados melhoraram. O risco país diminuiu, vieram mais recursos, a agricultura conseguiu produzir, alguns empregos foram gerados. A longo prazo é o modelo errado, mas se tudo continuar bem, o Lula corre o risco de ganhar as eleições ainda assim. Mas nós acreditamos que é preciso fazer mudanças radicais, com algumas rupturas e por isso era importante eleger o Lula.

A ruptura seria desses três pontos?
Sem dúvida. O Brasil pode dar um salto na produção sem necessidade de investimento internacional. A segunda medida é abaixar os juros, a maior taxa de juros real do mundo. Terceiro: acabar com essa frescura do superávit primário. O Brasil tem muitos problemas sociais para guardar 90 bilhões por ano para fazer pagamento de juros. Se investidos na educação, para elevar o nível de consciência do povo, é possível mudar o cenário em que apenas 8% dos jovens têm condições de fazer faculdade, muito mais do que criar meia dúzia de vagas na universidade pública. Do ponto de vista de infra-estrutura, não existe mais rodovia, nunca mais foi feita uma ponte, não há planos de moradia, de saneamento. Com esses recursos, se poderia gerar empregos. Poderia também desenvolver as forças produtivas, em especial, a pequena agricultura. A reforma agrária é a forma mais barata de se gerar empregos, mas infelizmente, não é prioridade do governo, diferente do agronegócio, que teve 3 bilhões de reais para rolar a dívida para este ano, enquanto o orçamento da reforma foi apenas 2 bilhões.

Como foi a construção dessas pautas? Um processo. A maioria delas já está pronta nas bases. Estamos há algumas semanas reunidos com a representação dos estados para acertar. Em geral a pauta é mais política, menos técnica. Se precisamos de garantia de uma cesta básica de 40 quilos por mês, o problema técnico é do Estado. O povo não pode ficar à mercê do discurso de que não pode porque não pode.

A maioria, cerca de 80%, dos manifestantes da marcha são de acampamentos e não de assentamentos, que parecem concentrar a pauta de reivindicações. Para os acampamentos, quais são os pontos?
É o fortalecimento do Incra para garantir a vistoria, o cumprimento da meta de assentamentos – mais de 100 mil famílias do MST –, cesta básica, lona para os acampados…

As cestas básicas são para os acampados? Sim, para os assentados queremos crédito.

Ocorreu um questionamento sobre a verba passada pela prefeitura de Goiás para a realização da marcha. O que acha disso?
Achamos que é uma briga ideológica da imprensa para desmoralizar o MST. A Agrishow está pedindo 15 milhões de reais para o Lula para um evento que será realizado em Ribeirão Preto e ninguém questiona. A Petrobras repassa 1 milhão por mês para o Flamengo formar um time fraco daquele. Repassaram 7 milhões para a fundação Ayrton Senna num patrocínio para a festa de aniversário do piloto. Agora, se para uma marcha de sem-terra o governo oferece banheiro, água (que é direito até dos animais) e ambulância… Foram as únicas coisas que o governo das prefeituras de Goiânia e Anápolis nos passaram. Claro que isso tem um custo, mas é o mínimo que o Estado de direito pode fazer para garantir que os movimentos sociais possam se mobilizar. Agora, a Ivete Sangalo faz um show no GDS [GDF (governo do distrito federal?) Confirmar na fita] para 300 mil pessoas, quem tem acesso a tudo isso bancado pelo estado. Multiplique por 17 dias e você terá o mesmo valor.



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