A plataforma do Fórum Mundial de Educação

O Fórum Mundial de Educação teve origem em janeiro de 2001, em Porto Alegre, durante a realização do Fórum Social Mundial. Por Moacir Gadotti   O Fórum...

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O Fórum Mundial de Educação teve origem em janeiro de 2001, em Porto Alegre, durante a realização do Fórum Social Mundial.

Por Moacir Gadotti

 

O Fórum Mundial de Educação teve origem em janeiro de 2001, em Porto Alegre, durante a realização do Fórum Social Mundial. A sua primeira edição, em outubro daquele ano, teve como tema Educação no mundo globalizado. A segunda, ocorrida na mesma cidade, em janeiro de 2003, discutiu Educação e transformação. A terceira, realizada em julho de 2004, também em Porto Alegre, debateu A educação para um outro mundo possível: construindo uma plataforma de lutas. A quarta edição foi realizada em janeiro de 2006 em Caracas com o tema A integração americana e a luta por um projeto educativo emancipatório. Finalmente, em Nairobi, em janeiro de 2007, a quinta edição do FME discutiu sua Plataforma Mundial.
O FME construiu um espaço próprio no campo das lutas pela educação, no interior do Fórum Social Mundial, associando o pedagógico ao econômico, ao social, ao ambiental e ao cultural, resgatando a memória histórica da luta pela educação, constituindo-se numa rede de pessoas, instituições e organizações articuladas em função de um calendário mundial de ações coletivas planetárias por uma alternativa ao projeto neoliberal.
A Plataforma do FME assenta-se em cinco grande eixos:
1. Lutar pela universalização do direito à educação pública com todas e todos os habitantes do planeta, como direito social e humano de aprender, indissociável de outros direitos, e como dever do Estado, vinculando a luta pela educação à agenda de lutas de todos os movimentos e organismos envolvidos na construção do processo do FME e do FSM;
2. Difundir uma concepção emancipadora da educação, que respeita e convive com a diferença e a semelhança, popular e democrática, centrada na vida, associada à cultura da justiça, da paz e da sustentabilidade no mundo;
3. Garantir o acesso à educação e o uso da riqueza socialmente produzida, com prioridade aos oprimidos, silenciados, explorados e marginalizados do mundo;
4. Promover a desmercantilização e controle social do financiamento da educação;
5. Exigir dos governos e organismos internacionais o cumprimento da prioridade que dão à educação em suas declarações, mas não em sua prática.
O FME centrou-se nesses cinco pontos focais, com objetivos precisos de atuação, facilitando a mobilização e a participação cidadã em nível local e mundial.
Para manter o processo do Fórum vivo foi adotada como estratégia a criação de um Grupo de Trabalho para cada um dos pontos da plataforma.
Como método de trabalho busca-se cruzar a plataforma com a agenda de lutas da Via Campesina, da Via Urbana, da Campanha Global pela Educação, do Movimento de Educação de Jovens e de Adultos, do Movimento de Mulheres, do Movimento Ambiental, do Software Livre, da Economia Solidária, da Universidade Popular dos Movimentos sociais, do Movimento pelos Direitos Humanos e outros. Alcançar os objetivos propostos depende de constante mobilização e articulação com os movimentos sociais e populares.
Na mesma ocasião foi adotada a terceira semana de novembro de cada ano como período de mobilização mundial pelo direito à educação.
* * *
Há dez anos, no dia 2 de maio de 1997, Paulo Freire nos deixou. Contudo, seu pensamento e sua práxis continuam vivos no coração e na mente de muitos educadores. Gostaria de, na coluna deste mês prestar uma homenagem a esse grande educador, lembrando o quanto ele foi importante também para o surgimento do FSM, resultado de um intenso envolvimento dos movimentos sociais e populares da América Latina.
Sem as lutas do movimento de educação popular na América Latina, possivelmente não teríamos essa cultura de participação e de organização popular que possibilitaram o surgimento da proposta do FSM. Paulo Freire tem tudo a ver com isso na medida em que ele é parte dessa história. A ele nossa lembrança e nossa gratidão. Paulo Freire vive, dez anos depois.
No próximo número nos ocuparemos da discussão do novo formato do FSM.



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