Dilema que persegue Israel

A análise da política internacional de Newton Carlos Por Newton Carlos   O correspondente da The Eco-1967, tomada da Cisjordânia – da com o dilema citado acima....

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A análise da política internacional de Newton Carlos

Por Newton Carlos

 

O correspondente da The Eco-1967, tomada da Cisjordânia – da com o dilema citado acima. O mesmo nomist em Jerusalém, Graham “Judéia e Samaria” – e uma reversão. que inquietou Ben Gurion passou a Usher, lembrou o dilema que perse-O partido Trabalhista, laico, no poder inquietar Sharon. gue Israel desde a sua criação, o de desde a fundação de Israel, foi subs-A anexação pura e simples da ser um Estado judaico sem a terra tituído pelo Likud, embriagado com Cisjordânia comprometeria a própria de Israel ou ter a terra de Israel sem a idéia de um “Grande Israel”, não existência de Israel. O Kadima, cria­ser um Estado judaico. Ben Gurion devolvendo nada. Uma de suas ala-do por Sharon como um “centro” en­recomendava a primeira opção, cuja vancas mais impiedosas foi o general tre a total intransigência do Likud e o vigência foi abalada pela guerra de Ariel Sharon, que acabou às voltas pacifismo dos trabalhistas, faria cortes estratégicos a partir de um triunfo nas
eleições de março e de consolidada a sucessão de Sharon, inválido após um derrame. Anexar somente áreas onde questões de segurança predomi-se concentram as grandes colônias nam no debate político, mas Isra-judaicas, com massa populacionalel tem um novo inimigo: a pobreza. É capaz de garantir o predomínio. No o que mostram, a cada ano, relatórios restante da Cisjordânia, com cerca de do National Insurance Institute, agência do governo responsável pela segurida­de social. Amir Peretz, o novo líder do Partido Trabalhista, agrupação com marcas de nascença de centro-esquer-da e que exerceu o absoluto domínio da política israelense até os anos 1970, trata de escapar dos termos vagos so­bre uma “nova geração” no comando do trabalhismo. Garante que ele vol­tará às suas raízes de luta contra desi­gualdades. Como não se via há muito tempo em Israel, questões sociais e econômicas conseguiram ter alguma presença na campanha eleitoral.
Peretz e os seus prometem fazer
o possível para que essa presença aumente, o que levou destacado ar­ticulista do Jerusalem Post, o mais im­portante jornal de língua inglesa de Israel, a prever o colapso do “novo” trabalhismo. “Somos hoje uma socie­dade de livre-mercado e ponto final”, sentenciou o escriba. O Kadima tra­tou de explorar a imagem de Peretz de velho seguidor de um socialismo ain-da voltado para conceitos de lutas de classes do século XIX, com crença em economia centralizada e nacionaliza­da e num Estado forte, com poderes reguladores. O Haaretz, no entanto, diário liberal, independente, reduto de intelectuais, se diz convencido de que não faltará senso de realidade ao “novo trabalhismo” em sua jornada.
“É preciso acabar com os demônios étnicos, lidar com as desigualdades”, diz Peretz. A realidade, no caso, está a seu lado. Quase uma em cada cinco 15 mil judeus, seria feito um “desen­gajamento” civil. Sairiam os colonos, mas ficariam os militares, ao contrário do que aconteceu em Gaza. Um ex­chefe da segurança interna de Israel, Avi Dicdhter, membro proeminente do Kadima, disse antes das eleições que os movimentos já estavam todos traçados e logo ganhariam vida. Tudo por imposição unilateral, nada de ne­gociações, sobretudo com os radicais de Hamas controlando a Autoridade Palestina (AP) e se recusando a reco­nhecer a existência de Israel.
Com a retenção de quatro amplas áreas da Cisjordânia ficariam defini­das as fronteiras definitivas de Israel. Os palestinos alegam que o desenho da anexação, áreas como se fossem manchas interligadas por corredores, sob cerco de Israel, tornará inviável a formação de outro Estado. Duzen­tos mil colonos já vivem em parcelas incorporadas a Jerusalém leste, tidas como partes da “capital eterna” de Is­rael, embora em sua geografia futura os palestinos assinalem como capital a mesma Jerusalém leste. A vida do Kadima não será fácil com os colonos judeus. Na Cisjordânia, terras ances­trais de Israel, as resistências à deso­cupação nas 17 colônias será muito maior do que em Gaza, espécie de terra de ninguém.
Quase uma em cada cinco famílias de Israel vive abaixo da linha da pobreza. A média é de uma em cada três crianças. “Sinal vermelho, está a perigo a sociedade israelense”, foi o desabafo de um ministro diante das in­formações levantadas pelo National In­surance Institute. Nos anos 1950 e 1960 Israel foi um dos países mais igualitá­rios entre os “ocidentais”. Tornou-se um dos mais injustos a partir dos anos 1980. É a arma de Peretz. Por enquanto ele se mostra com pouco poder de fogo, diante da obsessão com segurança.
A central operária Histadrut, de onde emerge Peretz, foi acossada pelo neoliberalismo e perdeu a condição de instrumento do controle social de grande parte da economia do país. Os kibutzim, espécies de cooperativas nas quais estava embutido o sonho de criação de um Israel “socializante”, perderam o significado. Cada vez se parecem mais com empresas comuns. Um importante filósofo chegou a chamar os kibutzim de “aldeias de po­voadores da utopia”. Pelo menos um deles, o “Shamir”, já negocia ações em Wall Street e na Bolsa Nasdaq, de alta tecnologia e é dono da empresa Shamir Optical Industry.

 



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