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Brasis na França, ambiente de luto, articulação mundial pela água pública, liberdade de expressão em perigo Por   Brasis na França Desde 1985, a França promove as...

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Brasis na França, ambiente de luto, articulação mundial pela água pública, liberdade de expressão em perigo

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Brasis na França
Desde 1985, a França promove as Saisons Culturelles Étrangères en France (Temporadas Culturais Estrangeiras na França) para homenagear diferentes países. Em 2005, o Brasil é o país escolhido pelo governo francês para apresentar a sua diversidade cultural aos franceses e demais povos europeus. O Ano do Brasil na França, iniciativa lançada em meados de janeiro, que tem como tema “Brasil, Brasis”, começa oficialmente em março, com uma exposição sobre o “Brasil Indígena” no museu do Grand Palais, em Paris, e prossegue até dezembro. Mais de 400 projetos brasileiros – entre eles, trabalhos propostos por organizações não-governamentais brasileiras – de teatro, cinema, dança, grupos folclóricos, fotografia, gastronomia, esporte, música, artes plásticas, design e literatura terão a chance de divulgar o seu trabalho e a riqueza da cultura brasileira durante essa temporada na França.

A proposta do governo brasileiro para a Temporada Cultural 2005 do Brasil na França é a de mostrar aos europeus as diversas facetas do país. A intenção é, também, fugir do estereótipo do Brasil como país do carnaval, do samba e do futebol e apresentar uma imagem mais rica e ampliada da sociedade brasileira. As exposições e os espetáculos acontecerão em espaços culturais por toda a França.

A temporada será também uma grande oportunidade para as ONGs brasileiras divulgarem e difundirem a sua experiência na França, fazerem novas parcerias com organizações francesas (e européias, de maneira geral), trocarem experiências com as instituições de lá e até conseguirem, por intermédio da exposição das suas atuações, novos financiadores.

Ambiente de luto Semanas após o assassinato da missionária Dorothy Stang, em Anapu (PA), outra morte anunciada voltou a despertar a indignação de ambientalistas e organizações de direitos humanos: Dionísio Júlio Ribeiro Filho, diretor da ONG Grupo de Defesa da Natureza, foi brutalmente morto a tiros no dia 22 de fevereiro, perto da Reserva Biológica do Tinguá, em Nova Iguaçu (Baixada Fluminense), estado do Rio de Janeiro. Seu Júlio, como era conhecido, atuava no local há mais de 40 anos, defendendo os recursos naturais da região. De acordo com os colegas de trabalho, ele recebia ameaças de morte há anos, por conta de sua luta contra a extração ilegal de palmito jussara (em extinção), a exploração dos areais, a especulação imobiliária, a caça e o tráfico de animais silvestres. Em entrevista à Rets – Revista do Terceiro Setor (que pode ser lida em http://rets.rits.org.br), o advogado Sebastião Reis, secretário-executivo do Grupo de Defesa da Natureza, falou sobre o assassinato do colega e revelou que toda a diretoria da instituição vem trabalhando sob ameaça: “Todas as pessoas da direção do Grupo de Defesa da Natureza correm risco de vida”, afirmou. “O Márcio [Márcio Castro das Mercês, outro ambientalista da entidade que sofre ameaças recorrentes] deve ser o próximo, se nada for feito”, alertou.

Articulação mundial pela água pública Difundida nos últimos Fóruns Sociais Mundiais, a idéia da água como um direito humano, e não um produto a ser comercializado, ganhou nesta edição de 2005 um plano de ação. Durante o debate “Estratégias para aglutinação das redes e organizações em uma plataforma global de água”, rea¬lizado no último dia do evento (31 de janeiro), diversos grupos – entre eles, a Rede Vida, uma aglomeração interamericana de organizações e pessoas que lutam contra a privatização da água e se dedicam à sua defesa como um direito humano – elaboraram a “Plataforma Global de Luta pela Água”. O objetivo principal do debate foi reunir o maior número possível de organizações em uma plataforma comum, adotando princípios e propondo ações conjuntas para 2005 e 2006.

As organizações apontaram as empresas transnacionais, as instituições financeiras internacionais e a Organização Mundial do Comércio (OMC) como principais responsáveis por essas políticas excludentes e de privatização nos países em desenvolvimento, e identificaram a necessidade de articulação em escala mundial para reagir contra essas políticas.

“Com a gestão concentrada nas mãos de grandes empresas internacionais, orientadas pelo Banco Mundial, a água tem se tornado cada dia mais um serviço privado e indisponível para a população”, alerta o coordenador da Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental (capítulo nacional da Rede Vida) e presidente nacional da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae), Silvano Silvério da Costa.

Trabalhar para que a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheça a água como direito humano, evitar que a água seja discutida na OMC, tentar influenciar a política do Banco Mundial e manter a água nas mãos de empresas públicas são algumas das prioridades apontadas pela plataforma. Uma campanha global contra as empresas transnacionais, como a francesa Suez, que detém parte do comércio de água no mundo, também foi definida como prioridade nos documentos.

“Faremos frente a essas empresas, promovendo plebiscitos para definir se a água deve ficar nas suas mãos, mostrando as conseqüências desastrosas de suas ações pelo mundo”, afirma a plataforma.

Liberdade de expressão em perigo O Intercâmbio Internacional pela Liberdade de Expressão (Ifex, da sigla em inglês) produziu o relatório “Liberdade de expressão em perigo”, no qual alerta sobre os riscos de a segunda etapa da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação (CMSI) acontecer na Tunísia. O estudo aborda as violações contra os direitos humanos e a liberdade de expressão cometidas pelo governo daquele país, denúncias que poderiam comprometer seriamente a realização do evento, marcado para novembro na capital, Túnis.

O relatório é fruto de uma missão de investigação feita à Tunísia, de 14 a 19 de janeiro, por membros do Ifex, uma rede de 64 organizações regionais, nacionais e internacionais.



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