Qual é a moral?

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Viceja na mídia tupiniquim um quase incontrolável e puro desejo por ética e moral. Recentemente, um semanário que não prima exatamente por respeito a princípios muito nobres estamou em sua capa manchete “Moral Torta”, atribuindo aos petistas praticamente a introdução de um novo e refinado padrão de corrupção no país, que envergonha a todos por sua sordidez e cinismo.
Ninguém mais adequado para falar sobre esses temas do que um professor de Ética como Renatu Janine Ribeiro. Em entrevista à Fórum, edição 28, ele alertava que a opinião pública ainda não amadureceu o suficiente para perceber que a questões morais podem (e são) manipuladas pela mídia. “Isso cria um sistema, uma conturbação, uma indignação que é muito grande e que não corresponde necessariamente ‘a verdade das coisas”, dizia.
De fato, essa confusão é o que se pode ver hoje, com uma moral bastante peculiar desses veículos zelosos em relação aos bons costumes de nosso país. Arthur Virgilio ameaça bater no presidente da República. Independentemente de se tratar do presidente, se fosse outro cidadão qualquer, esse tipo de ameaça feita em plenário seria quebra de
Decoro? Para o Congresso e para a mídia não. Alguns chegaram a, descaradamente, elogiar “autenticidade” do senador “valentão”.
E o que dizer do repulsivo Jair Bolsonaro? No ano passado, em uma sessão solene (sic) na Câmara, o parlamentar homenageou militares que participaram da repressão à Guerrilha do Araguaia. Entre outras excrescências do seu discurso, se referiu à ministra Dilma Roussef, que foi presa e torturada, dizendo: “não falarei do seu passado particular nesta Casa. Se tentar reagir, exporemos seu passado. A tortura que V. Exa. Sofre foi fruto de abstinências”. Reações indignadas da grande imprensa à tal torpeza? Capa de revista?
Não se pode admitir nem aceitar como normal que autoridades atentem contra a lei ou a sociedade. Mas é preciso dar um basta em um tipo de “moral seletiva” que só serve para desviar a atenção das fundamentais escolhas políticas que se fazem o dia-a-dia do país e passam longe das vistas da sociedade. Talvez porque não interesse que isso vá para as manchetes.



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