Sociedade do medo

Após a tentativa frustrada de golpe contra o presidente Hugo Chávez na Venezuela, as posições dentro da arena política se acirraram bastante. Por   Após a tentativa...

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Após a tentativa frustrada de golpe contra o presidente Hugo Chávez na Venezuela, as posições dentro da arena política se acirraram bastante.

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Após a tentativa frustrada de golpe contra o presidente Hugo Chávez na Venezuela, as posições dentro da arena política se acirraram bastante.
As classes mais altas do país, receosas de alguma medida mais radical que viesse a ser tomada pelos chavistas, armavam planos mirabolantes para sua “defesa”.
Um deles em especial se destacava pelo medievalismo tático. Em caso de “invasão”, alguns condomínios de Caracas já tinham na cobertura uma estrutura armada para resguardar o território. Algumas latas de óleo se encontravam espalhadas perto de um equipamento que servia para esquentar o líquido. Como a primeira providência, em caso de “ataque”, seria desligar
os elevadores, os chavistas se veriam obrigados a subir pelas escadas. Enquanto os moradores esperariam helicópteros para resgatá-los, alguns ficariam despejando óleo escada abaixo.
O patético estratagema mostra um pouco da paranóia da elite venezuelana, que temia que a vingança dos de baixo pudesse chegar até seus calcanhares. O estado de São Paulo viveu um pouco desse medo na segunda-feira, 15 de maio. O que no fim de semana era um confronto entre uma facção criminosa e a polícia se transformou naquele dia em uma ameaça surda, que pairava no ar e atemorizava todos. A classe média alta de Pinheiros e dos Jardins teve por alguns momentos a sensação que toda pessoa da periferia paulistana tem diariamente, em meio a regiões excluídas onde a presença do Estado se faz
por meio da bala.
Mas os endinheirados de São Paulo – ou a “elite branca”, como diria o governador paulista – ainda não faz armadilhas medievais, tem preferido outros métodos. Na semana do dia 15, enquanto moradores das regiões mais pobres praticamente viviam em Estado de Sítio, uma rádio destacava que “moradores próximos a uma delegacia dos Jardins estão apavorados por conta de possíveis ataques”. Ou seja, prefere-se a não-notícia do crime que não houve no centro ao terror real das bordas da cidade.
E enquanto legítimos defensores de direitos e integrantes de movimentos sociais eram atacados pela grande mídia, parcos grupos de gente saudável, bonita e bem vestida saíam à rua pedindo “paz” e repressão para que tudo continue exatamente do jeito que está. Seria a elite venezuelana mais sutil?



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