Um pólo digital no sul de minas

Política de acesso gratuito de internet via satélite no município de Alterosa vem acompanhada de uma política voltada para a formação e qualificação Por Anselmo Massad. De Alterosa (MG)  ...

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Política de acesso gratuito de internet via satélite no município de Alterosa vem acompanhada de uma política voltada para a formação e qualificação

Por Anselmo Massad. De Alterosa (MG)

 

De um lado para o outro, Jaime de Ávila Mendonça, de 24 anos, é dos mais entusiasmados com a novidade. Faz as contas de quanto vai economizar em casa e do que pode mudar em Alterosa, sul de Minas Gerais, a 394 quilômetros da capital Belo Horizonte. Desde 31 de maio, quem passa pela rodovia MG 184, ou se senta num banco da praça Getúlio Vargas, da Igreja Matriz, em frente ao prédio da prefeitura, pode abrir um notebook com acesso a internet sem fio e se conectar à rede mundial. O município entrou para o grupo de cidades digitais, que oferecem acesso gratuito à internet via satélite para os habitantes.
Técnico em informática formado na vizinha Muzambinho, Jaime será o responsável pelo funcionamento dos 200 computadores da sede do pólo de Alterosa da Universidade Aberta do Brasil (UAB), com cursos de extensão das universidades federais de Ouro Preto e de Itajubá. Os mineiros de 32 cidades do sul do estado podem fazer a graduação em administração pública, pedagogia, matemática e física, e pós em gestão de pessoas e projetos sociais ou em práticas pedagógicas, sempre com parte da carga horária cumprida à distância e outra parte presencial. Na avaliação do técnico, a internet gratuita vai chamar a atenção de empresas do ramo das telecomunicações e de tecnologia. Mão-de-obra qualificada mais cursos técnicos criam as condições para que elas se instalem na cidade.
A unidade da UAB, com inauguração prevista para o início de junho e presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi a motivação da prefeitura para buscar parcerias que garantissem o acesso à internet sem fio para toda a população, já que representaria economia para os cofres públicos em acesso de banda larga à internet e uso de voz sobre IP (VoIP), que permite ligações telefônicas pelo computador.
O planejamento começou há seis meses, junto da aprovação do Plano Diretor da cidade. Quem explica as contas é o prefeito Dimas dos Reis Ribeiro (PT). Em frente ao guichê da tesouraria da prefeitura, ele pede a listagem de gastos com telefonia e provedor de internet dos órgãos municipais e conveniados, que sai em uma impressora matricial. Em abril, foram R$ 5.146,34 de telefone – sem contar chamadas para celulares, bloqueadas – e R$ 2.996 de internet; total: R$ 8.142,34.
O investimento na parceria com a Fundação de Pesquisas Científicas de Ribeirão Preto, da USP (Funpec), e com a BST Network, de Curitiba, envolve R$ 84 mil, em três parcelas já pagas, mais doze vezes de R$ 6 mil. Em dois anos e meio, só a economia em relação ao gasto atual será suficiente para superar o investimento. Nesse cálculo, não se leva em conta o gasto para manter o acesso à internet para os 350 alunos de graduação e pós-graduação da UAB. E também deixa de lado o fato de que o acesso será garantido para os 14 mil habitantes.
Em uma primeira fase, serão atendidos os prédios públicos, onde já estão instaladas antenas, mais 180 famílias espalhadas pelo território, cadastradas previamente. Depois, as empresas também poderão ter acesso. Toda a infra-estrutura já está instalada, com a aquisição dos pontos mais altos do território, incluindo um no alto da Serra Negra. A contrapartida exigida é o pagamento dos impostos e taxas municipais, algo possível com o uso de senhas para acesso. O controle tributário vale para o endereço e para empresas no nome do munícipe, ainda que voltado ao uso residencial.
Além disso, o internauta terá de adquirir uma antena e equipamentos entre R$ 200 e R$ 300 para ter acesso à banda de 5,8 GHz, instalada pela Telemar com tecnologia pré-WiMAX. Atualmente, uma única empresa a oferecer o serviço tem taxas mensais de R$ 65 para residências e R$ 80 para empresas, com R$ 200 de instalação.
Para completar, será preciso instalar o sistema operacional GNU/Linux. Foram feitas cópias de uma homologação da distribuição Kurumim 7.0 para a população. Formados pelo curso técnico de informática na cidade, 15 jovens serão encarregados de dar suporte aos cidadãos, mas só estão autorizados a dar suporte a software livre ou a programas originais. “Além de ser uma cidade digital, Alterosa vai se livrar da pirataria”, aposta o paulista Paulo Cabral, secretário de Planejamento, radicado na cidade há seis anos. Mais do que evitar cópias ilegais, o objetivo é ampliar o uso do GNU/Linux.
Cabral mostra um estúdio de TV e ilhas de edição instaladas no Instituto de Desenvolvimento e Pesquisa do Meio Ambiente e Atividades Esportivas (Idema), transferidas para a cidade. O objetivo é de criar um pólo de produção de cultura na cidade.
Alterosa, cuja economia é baseada na agropecuária – com destaque para o café e turismo decorrente do interesse pelo lago da usina de Furnas –, passa a buscar, com políticas integradas de formação, outras atividades.



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1 comment

  1. Poul Gean Terra Marq Responder

    Vocês precisam ir em alterosa e ver como funciona a internet gratuíta. Na praça vc precisa ter um cabo, de pelo menos uns 100 metros, pra plugar, lá dentro da prefeitura, e os que estão usando em casa, precisa de um aparelho de soprar pois ela, internet, é movida a lenha. Tudo que é de graça, em sua maioria, não presta e a internet de lá, passou do que do “NÃO PRESTA“.


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