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Tradição indígena com fibras; tempo de peixe, tempo de manga;, ter um novo papel Por Juliana di Tomazo   Tradição indígena com fibras “Foi com os meus avós,...

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Tradição indígena com fibras; tempo de peixe, tempo de manga;, ter um novo papel

Por Juliana di Tomazo

 

Tradição indígena com fibras “Foi com os meus avós, eles eram índios.” Assim, Romarize Klein, mais conhecida como Roma, contou como aprendeu o artesanato a partir de fibras vegetais que hoje gera complementação de renda a ela e a muitas famílias da região norte do Rio Grande do Sul, em Maquiné.

Na época dos seus avós, a produção se restringia a chapéus e balaios. Hoje, é diversificada, não só no que diz respeito aos produtos – utensílios domésticos e decorativos –, como no tipo de fibra que se utiliza. A maioria dos objetos é feita a partir da palha da bananeira e da samambaia-preta, mas pesquisas estão sendo realizadas para diversificar ainda mais a matéria-prima.

Desde 2001, a população local conta com o apoio da ONG Ação Nascente Maquiné (Anama), que realiza pesquisas para avaliar a sustentabilidade do extrativismo e a diversificação na utilização de fibras vegetais. Além disso, a partir da percepção de que grande parte da tradição do artesanato de fibras naturais perdia-se, promoveram-se oficinas, realizadas pelas próprias artesãs que, como Romarize, ainda dominavam a técnica do artesanato. Assim, foi possível proporcionar a um maior número de pessoas uma complementação de renda e resgatar parte da história daquela comunidade.
A bióloga Rumi Kubo, da Anama, diz que “a idéia foi a de aliar preservação ambiental e justiça social.” A produção é comercializada em lojas de Porto Alegre e também pode ser adquirida pelo tel. (51) 3212-0537 ou através do emailsamambaiapreta@hotmail.com.

Tempo de peixe, tempo de manga A piracema, período da reprodução de peixes em que a pesca fica proibida, sempre foi um problema para a população ribeirinha do Estado de Mato Grosso. Nessa época do ano a economia local dessa região praticamente pára. Ou parava.

O período da piracema coincide com o da colheita de manga. O pesquisador da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Nicolau Priante, desenvolveu uma técnica de secagem das frutas, com enorme economia no consumo de lenha, que está mudando a vida local. Boa parte da comunidade hoje se organiza em torno da Cooperativa de Pescadores e Artesãos de Pai André e Bonsucesso. Além das frutas passas e doces regionais, feitos a partir da manga, banana e do abacaxi, a cooperativa comercializa pescados, húmus de minhoca e castanha de caju.
Priante diz que além da maior rede de supermercados de Mato Grosso, supermercados Modelo, que garante a comercialização dos produtos em 2005, a cooperativa passou a receber também o apoio da Petrobrás, através do programa Fome Zero.
“Com esse patrocínio, pretendemos aumentar, em um ano, o número de cooperados de 38 para 200.” Parte desses futuros cooperados são da comunidade de quilombolas de Mata-Cavalo, que já estão trabalhando.

Para mais informações escreva para nicolaup@terra.com.br.

Ter um novo papel Ensinar a fazer papel reciclável, esse é o instrumento de inclusão social utilizado no projeto “Usina do Papel”, que trabalha com meninos e meninas em situação de rua e moradores de comunidades de baixa renda de Porto Alegre. Josmere, educadora do projeto há 13 anos, explica que “durante 10 meses eles participam de oficinas, aprendem a fazer papel e depois se tornam agentes multiplicadores em suas comunidades.” A maior parte do papel produzida por eles é adquirida por artesãos organizados na cooperativa Coppas, que se encarregam em transformar as folhas em objetos, como o abajur, produzido pela artesã Heloísa Franco. Folhas de papel e objetos podem ser adquiridos na loja Vitrine do Papel, localizada na Usina do Gasômetro em Porto Alegre, ou também pelo telefone (51) 3212-5979 ramal 212. f



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