Vozes do Fórum

Seria impossível publicarmos as opiniões, idéias e desejos de todos aqueles que fazem o FSM. Mas aqui estão depoimentos de algumas das personalidades que estiveram em Porto Alegre e representam o pensamento de muitos...

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Seria impossível publicarmos as opiniões, idéias e desejos de todos aqueles que fazem o FSM. Mas aqui estão depoimentos de algumas das personalidades que estiveram em Porto Alegre e representam o pensamento de muitos dos que lutam por uma nova realidade.

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Entendo que o primeiro grande desafio do Fórum é mundializar-se ainda mais. O segundo desafio seria o da democratização, com uma maior transparência nas decisões e ampliação da representação dos movimentos e entidades no Conselho Internacional. O terceiro desafio é a produção de ações coletivas, com maior interação entre os participantes do Fórum e promoção de campanhas, como as que já existem a favor da paz.
Boaventura de Sousa Santos
sociólogo português

Desde o primeiro evento, conseguimos avanços muito grandes. Hoje, acabou o pensamento único. Todos acreditam que há escolhas a serem feitas. Mudou também a dinâmica da sociedade civil. Antes, os sindicatos só falavam com outros sindicatos, as organizações dos movimentos de mulheres só conversavam entre si etc. Hoje, esses movimentos perceberam que têm temas comuns e os trabalham de forma articulada. Além disso, foi reforçada a dinâmica internacional dos movimentos. A estrutura do Conselho Internacional, baseada em redes, horizontalizada, leva a uma interligação entre temas nacionais e internacionais. É a primeira grande aliança entre essas entidades num processo mundial.
Oded Grajew
idealizador do FSM

Acredito que os princípios do FSM devem ser mantidos, de construir movimentos voltado para os pobres, para lutar contra a desigualdade, pela democracia, pelos direitos humanos. Mas em algumas questões não se pode ser neutro e é preciso tomar posições. A rotatividade do Fórum, como ocorreu na Índia, é uma boa idéia, porque ajuda a construir o movimento social do país. Fala-se da África, da Ásia, da Europa, da América Latina. Mas me pergunto por que ninguém cogitou levar o Fórum para a América do Norte. É de lá que vêm a maioria dos nossos problemas, especialmente dos Estados Unidos. Por que não organizar o FSM nos Estados Unidos? Por que não expor os problemas onde eles estão?
Bheki Ntshali-Ntshali
Secretário geral da Cosatu
(Congresso de Sindicatos de
Trabalhadores da África do Sul)

O Fórum não pode tomar posições, de outro modo deixaria de ser um Fórum e se tornaria uma organização. Deve-se manter a condição de espaço aberto, onde a diversidade seja preservada. Já temos organizações suficientes no mundo, não precisamos de mais uma. O que não temos é outro espaço aberto, como é o Fórum. Sou favorável de que haja um momento no último dia em que todas as propostas e posições das redes e movimentos sejam postas juntas, para que se façam as convocações e chamados. É preciso organizar o trabalho para chegar a consensos. Se em alguns pontos não chegarmos a um consenso, pode haver duas posições diferentes, o que não vai ser tão bom, mas pode acontecer.
Vinod Raina
Jubileu Sul, Índia

Nós, os teólogos e religiosos do mundo, estamos sempre participando das intervenções propiciadas pelo FSM, justamente porque vemos aqui a possibilidade de conscientizar os povos para o momento histórico que estamos atravessando. Fundamentalmente, temos de superar a pobreza, erradicá-la do mundo. Isso é conscientizar, e torna-se possível a partir das redes, dos partidos, das ONGs, das comunidades de base, dos voluntários ao longo do planeta.
Leonardo Boff
teólogo

 



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