A contra-ofensiva da oligarquia racista

Análise de Altamiro Borges Por Altamiro Borges   A poderosa oligarquia latino-americana, aliada do “império do mal”, até agora não engoliu os recentes resultados eleitorais na região....

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Análise de Altamiro Borges

Por Altamiro Borges

 

A poderosa oligarquia latino-americana, aliada do “império do mal”, até agora não engoliu os recentes resultados eleitorais na região. A partir da vitória de Hugo Chávez, no final de 1998, este sofrido continente, vítima do tsunami neoliberal, pendeu para a esquerda, com a eleição de vários governantes progressistas e não alinhados aos EUA. Acuada, a elite parte para o desespero e aposta suas fichas na via golpista.
Este processo adquire maior radicalidade na região andina. A Bolívia é palco de violentos conflitos, que já causaram várias mortes. Após sabotar a constituinte, eleita democraticamente, a direita racista estimula conflitos de rua, arma mercenários e sabota a produção para derrubar Evo Morales. Ela também aposta no separatismo, propondo a formação de um novo país com base nos cinco departamentos (estados) ricos em petróleo e gás – Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Cochabamba. O governador de Santa Cruz, Rubem Costas, o chefe dos golpistas, afirma que a nova Constituição “não passa de um papel higiênico usado”.

Manobras do Tio Sam
Para Emir Sader, “a Bolívia concentra hoje as principais ações da direita oligárquica contra os processos de democratização que se desenvolvem na América Latina… Minoria na Assembléia Constituinte, a direita tenta desestabilizar o país, mediante mobilizações violentas, com metralhadoras, pistolas, bombas molotov, querendo bloquear o direito soberano e majoritário do povo boliviano… Usam os mesmos métodos violentos de sempre e se valem da atuação das embaixadas dos EUA e de governos europeus”.
Já o professor Luiz Alberto Moniz Bandeira garante que o atual embaixador dos EUA em La Paz, Philip Goldberg, é um agente imperialista. “Esse diplomata tem experiência em conflitos étnicos e tendências separatistas, que irromperam no Leste Europeu após a desintegração da Iugoslávia. Ele trabalhou na questão da Bósnia, de 1994 a 1996; foi assistente especial do embaixador Richard Holbrooke, o artífice da desintegração da Iugoslávia; e serviu como chefe da missão dos EUA em Prístina, Kosovo (2004–2006). A suspeita em La Paz é de que ele foi designado a fim de conduzir o processo de separação de Santa Cruz de La Sierra, após a aprovação da nova Constituição e em meio à exacerbação das tensões étnicas, sociais e políticas, aguçadas pelo choque de interesses econômicos das distintas regiões da Bolívia”.

Venezuela e Equador
Já na Venezuela, a direita racista, derrotada em duas tentativas golpistas e em dez eleições consecutivas, conquistou uma importante vitória no referendo sobre a reforma constitucional, em 2 de dezembro. Antes dividida, ela conseguiu forjar sólida unidade, contou com os sermões da Igreja e a manipulação da mídia e recebeu ajuda financeira dos EUA – conforme denúncia do estadunidense James Petras. Para rejeitar as reformas propostas por Chávez – que eliminariam o latifúndio improdutivo, reduziriam a jornada de trabalho para 35 horas semanais e garantiriam a seguridade social para os trabalhadores informais –, ela desabasteceu o mercado e promoveu inúmeros atos de vandalismo.
No Equador, a direita também se agita para sabotar a Assembléia Constituinte, que teve início no final de novembro. Dos 130 deputados eleitos em setembro, os apoiadores do governo Rafael Correa têm folgada maioria. O presidente propôs aprovar na constituinte um projeto que “sinalize para o futuro socialismo”, rompendo antigas injustiças no país. Uma de suas primeiras medidas será a dissolução temporária do atual parlamento, dando plenos poderes à constituinte. A oligarquia não aceita tais mudanças e afia as garras.



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