Baião de dois

Dicas culturais de Marco Frenette Por Marco Frenette   Mestre das prosas “Juque! o outro não teve tempo de acabar o insulto: um soco bem colocado nos...

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Dicas culturais de Marco Frenette

Por Marco Frenette

 

Mestre das prosas
“Juque! o outro não teve tempo de acabar o insulto: um soco bem colocado nos queixos atirou-o por cima de uma das mesas do bar. No meio da confusão (…) um garçom encaminhou o agressor para o (…) depósito de víveres e bebidas. (…) só quando os seus olhos se habituaram à meia escuridão do local, que percebeu nas prateleiras as latas de foie gras e mortadela, os queijos, ‘and lo! creation widened in man’s view’, a bateria impressionante dos Black Label e dos White Horse ali ao alcance da mão. – Eta, sabiá da mata! O sol quando nasce é para todos! Quebrou o gargalo de uma garrafa numa quina de madeira e o whisky começou a rolar dentro e fora da boca. Um desperdício de roquefort completou aquela orgia sem mulheres.”
Assim começa “Reis Vagabundos”, um divertido e alucinante conto de Manuel Bandeira, presente na coletânea Crônicas da Província do Brasil. É um livro ímpar, com textos sobre Ouro Preto, Aleijadinho, Bahia e arquitetura colonial. Traz também vários obituários e perfis de personagens da boemia carioca, como Zeca Patrocínio (filho do abolicionista José do Patrocínio) e o sambista Sinhô. Com essa obra de 1937, a CosacNaify inicia o projeto de republicação da prosa do poeta recifense. Logo sairão mais duas coletâneas – Flauta de papel (1957) e Andorinha, andorinha (1966) e pelo menos mais dois volumes de crônicas inéditas em livro. Com a volta ao mercado dessa alta prosa, ficará claro que Bandeira foi um mestre cronista e que merece figurar ao lado de outros grandes nomes do gênero, como Drummond, Mário de Andrade, Rubem Braga e Fernando Sabino.

Sobre o fim do mundo
Em novembro chega às telas brasileiras o documentário Uma Verdade Inconveniente, com narração de Al Gore. É um impactante libelo contra a falta de consciência ecológica. Dirigido por Davis Guggenheim (o mesmo de seriados como Alias e 24 Horas), o filme explica em detalhes – e com imagens impressionantes de degelos, enchentes e migrações em massa – que a poluição poderá acabar com a Terra como a conhecemos. A única salvação está na diminuição das emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases, que geram um aquecimento global que causará mudanças climáticas cada vez mais catastróficas. Gore foi vice-presidente de Bill Clinton de 1993 a 2001. Nesse período, foi negociador dos Estados Unidos para o protocolo de Kioto, que fixa uma redução global dos gases que causam o efeito estufa. O protocolo entrou em vigor em fevereiro de 2005, mas não é aceito pelo governo Bush. O objetivo primeiro do filme era influenciar a opinião pública americana. “Só existe um planeta. Todos, democratas e republicanos, vivemos nele”, diz Gore. Mas a mensagem serve para todo o mundo. No trailer lê-se o seguinte: “Se você ama seu planeta, se você ama seus filhos, você precisa ver este filme”. Soa alarmista, mas quem vê o documentário se convence de que a humanidade ainda não tem noção do que a espera.

Em busca do Candango Mesmo acontecendo depois do Festival de Gramado e das Mostras de São Paulo e Rio, a 39a edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro terá seis longas inéditos concorrendo ao troféu Candango. Entre eles estão Cleópatra, uma interpretação da vida da rainha do Egito por Júlio Bressane, e Querô, adaptação do romance homônimo de Plínio Marcos pelo cineasta paulistano Carlos Cortez. Também haverá 12 curtas-metragens, a exemplo de Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba, de Thomas Farkas e Ricardo Dias. Criado em 1965, o Festival de Brasília é o mais antigo do país e teve entre seus fundadores o crítico Paulo Emílio Salles Gomes, então professor da UnB. O Festival vai de 21 a 28 de novembro, no Cine Brasília. Programação completa no site da Secretaria de Estado de Cultura do Distrito Federal: www.sc.df.gov.br.

Solar dos atores O Rio ganhou um novo centro cultural, o Solar Botafogo. Localizado no bairro que leva seu nome e ao lado do Teatro Poeira (de Andréa Beltrão e Marieta Severo), o espaço tem sala de espetáculos para 200 pessoas, café concerto, galeria de arte vertical e salas para ensaios e cursos. O Solar nasceu da iniciativa dos atores Cláudia Lira e Leonardo Franco, que apostaram todas as fichas na compra e reforma de um casarão do século 19 (com a necessária recuperação da fachada original) para abrigar esse novo endereço cultural dos cariocas. Já está programada uma exposição coletiva com três atores-pintores: Taumaturgo Ferreira, Guilherme Leme e Analu Prestes. Em janeiro, estréia a primeira peça no Solar, Campo de Provas, com texto inédito de Aimar Labaki. Mais informações: www.solardebotafogo.com.br

Underworld
A dupla inglesa Underworld é um dos pontos altos da história da música eletrônica mundial. Nos anos 1990, Rick Smith e Karl Hyde inovaram o gênero ao inserir sintetizadores e outros elementos tecnológicos no roque underground britânico. Quem assistiu ao filme Trainspotting – excelente conto moderno sobre as limitações mentais e sociais dos junkies – conhece um pouco do Underworld, pois sua música “Born Slippy” é destaque na trilha sonora. A dupla vai se apresentar na festa de comemoração dos 13 anos da casa noturna paulista Sirena. A balada começa ao meio dia de 15 de novembro e vai até a madrugada do dia 16, com a presença de uma penca de bons DJs, a exemplo de Flávio Effe e Rafael Milan. A festa será no Helvetia Indaiatuba, na rodovia Santos Dumont, saída 66, Indaiatuba – SP. Mais detalhes: ww.sirena.com.b



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