Dia de Mobilização Global

Fórum Social Mundial em processo Por Moacir Gadotti   Em janeiro de 2008, o processo do FSM experimentou um formato novo de evento, mais global, mais descentralizado,...

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Fórum Social Mundial em processo

Por Moacir Gadotti

 

Em janeiro de 2008, o processo do FSM experimentou um formato novo de evento, mais global, mais descentralizado, organizando um dia de mobilização, preparado durante todo o ano de 2007. Foi uma experiência ousada que, depois de avaliada, poderá se tornar uma atividade permanente do Fórum, incorporando essa iniciativa à reformatação do processo do FSM. Em seu processo, ele está experimentando e incorporando novos modelos de organização, novas metodologias, mais apropriadas à causa que defende. No Brasil, houve manifestações em 19 estados, articulando-se com um movimento global que aconteceu em mais de 80 países, onde foram programadas mais de 700 ações. Calcula-se que mais de 10 mil pessoas participaram, no Brasil, das atividades promovidas neste dia, mostrando que o FSM não é apenas um espaço de discussão e debate, mas também possibilita ações concretas.
Coletivas de imprensa promovidas pelo FSM aconteceram em muitas partes do mundo: Atlanta (EUA), Zurique (Suí­ça), Chennai e Mumbai (Índia), Erbil (Iraque), Roma (Itália), Bruxelas (Bélgica), Cidade do México (México), Havana (Cuba), Ramallah (Palestina), Manila (Filipinas), Seul (Coréia), Beirute (Líbano), Barcelona (Espanha) e em várias cidades do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Natal, Belém, Fortaleza e Recife. Em Belém (PA), sede do próximo FSM, cerca de 6 mil pessoas participaram de uma marcha pela paz, pelos direitos humanos e pela sustentabilidade planetária. O Rio de Janeiro reuniu médicos, poetas, indígenas, associações de moradores, jovens e diversos grupos sociais, levantando a bandeira da luta contra o capitalismo e possibilitando o debate de idéias sobre soluções alternativas, ligadas a temas como ecologia, saúde, direitos humanos e economia. Em São Paulo, um “Sábado-Feira” reuniu mais de uma centena de instituições sociais e grupos culturais compartilhando experiências, idéias e propostas por um outro mundo possível, com rodadas de conversa, palestras, debates, teleconferências, exposições etc.
Esses eventos se caracterizaram por uma grande pluralidade. Tivemos a sensação de estarmos unidos, globalmente, cada um na sua localidade, mostrando o que está sendo produzido pelas lutas locais para mudar o mundo, contra o machismo, o racismo, a degradação ambiental, no combate à injustiça, à desigualdade, à concentração de renda, à miséria, à violência. Esses eventos mostraram toda a força e o enraizamento do FSM nas comunidades. Atores, teólogos, escritores, jovens, entidades, sindicatos, samba e música regional, muitas tendas de economia solidária, venda de produtos artesanais, alimentos orgânicos e de agricultura familiar, mostras de filmes independentes, apresentações de teatro, circo e dança, recreação infantil… pessoas e organizações mostrando a riqueza e a diversidade das novas formas de fazer política e lutar pelos direitos humanos.
E não foi esquecida a conexão mundial, pois, em tempo real, essas manifestações foram interligadas com outras cidades do Brasil e do mundo, por meio do uso das novas tecnologias, expressando as múltiplas vozes da diversidade mundial. As manifestações ocorrem na mesma data em que, na Suíça, na cidade de Davos, as elites neoliberais promoveram o Fórum Econômico Mundial. Com isso, no dia 26, o Velho Mundo, representado pelos produtores de violência, exploração, exclusão, pobreza e fome, foi confrontado por um outro mundo possível, defendido pelas organizações da sociedade civil global.
O importante é que novos atores foram incorporados e conseguimos fazer, virtualmente, a articulação de iniciativas locais com causas globais. Cidadãos, cidadãs, jovens e adultos que não integram nenhuma entidade da sociedade civil organizada e não podiam participar de atividades do FSM até agora, porque dependiam de deslocamentos, de passagens, estadias etc., puderam participar e se integrar a esse processo de tantos que se empenham em mudar o mundo. Com o Dia de Mobilização Global, o FSM mostrou a grande diversidade de movimentos e também a união existente entre eles. Várias linguagens foram utilizadas para além da palavra: vimos cartazes, fotos, links, blogues, sites, panfletos, gravações de rádio, matérias de televisão, vídeos etc., mostrando que existem muitas formas de lutar. Aos poucos, a articulação prevista na Carta de Princípios está acontecendo, nas bases e por sua iniciativa.
O mundo pode ser um lugar melhor graças ao que realizamos, no cotidiano, no dia-a-dia, por meio de nossas próprias forças de luta, livremente organizadas, sem hierarquias, sem burocracias. O Dia de Mobilização Global demonstrou a força de intercomunicação do FSM, simples e eficaz, conectando milhares de pessoas e organizações em todo o mundo, movidos por uma causa comum.
No próximo número falaremos das diretrizes para a organização dos eventos do FSM. F
Notas
Fórum Mundial de Educação da Baixada Fluminense – 27 a 30 de março – Nova Iguaçu (RJ). www.forummundialeducacao.org
Fórum Social de Saguenay-Lac-St-Jean – 2 a 4 de maio – Quebec, Canadá. www.forumsocial02.org.
Fórum Mundial de Educação Santa Maria. Tema geral: “Educação, economia solidária e ética planetária” – 28 a 31 de maio – Santa Maria (RS). www.forummundialeducacao.org
III Fórum Social da Tríplice Fronteira – 5 a 7 de junho – Foz do Iguaçu. comitelocaltriplicefronteira@hotmail.com
Fórum Social Regional de London – 12 a 15 de junho – Ontário, Canadá. www.rsflondon.ca
Leia mais: www.forumsocialmundial.org.br



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