Dia de mobilização global

Fórum Sociam Mundial em processo Por Moacir Gadotti   Cândido Grzybowski, José Corrêa Leite e Oded Grajew, em um artigo divulgado pela internet comentando as posições de...

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Fórum Sociam Mundial em processo

Por Moacir Gadotti

 

Cândido Grzybowski, José Corrêa Leite e Oded Grajew, em um artigo divulgado pela internet comentando as posições de Walden Bello e Francisco Whitaker sobre a “encruzilhada” do FSM, discutidas, nesta coluna, no mês passado, sustentam a necessidade de uma “retomada vigorosa de movimentos de grande visibilidade”. Eles concluem posicionado-se por um modelo organizativo do FSM como “espaço aberto” e como “método de ação política democrática”. Construir uma alternativa a esse método, dizem eles, “seria romper com a vasta coalizão e prática das experiências comuns que conformaram o Fórum e voltar à competição entre iniciativas formuladas a partir das diversas experiências particulares”.
O dia 26 de janeiro de 2008 foi estabelecido pelo Conselho Internacional do FSM, em Nairóbi, em janeiro de 2007, como um “dia de mobilização e ação global”. É provável que a mídia mundial dê mais visibilidade a esse evento planetário do que deu ao Fórum de Nairóbi. Não dependemos dessa visibilidade para agir, mas, certamente, se não formos “vistos”, alguma coisa estará errada com nossa estratégia de mudança global. A visão estratégica do FSM deve vir acompanhada de um vigoroso plano de comunicação. É importante realçar que a missão do FSM é o altermundismo. Diferentemente dos movimentos chamados “antiglobalistas”, o Fórum veio justamente para aglutinar movimentos dispersos e realizar o sonho de “um outro mundo possível”.
O dia de mobilização é o ponto de chegada de uma semana de ação, mostrando toda a pluralidade, diversidade e riqueza de alternativas e propostas contra o neoliberalismo, a guerra, o colonialismo, o racismo e o patriarcado, que geram violência, exploração, exclusão, pobreza, fome, desastres ambientais e a negação dos direitos humanos. Esse dia aglutinará diferentes atividades planejadas por entidades, movimentos e redes que se manifestarão em todo o planeta, articulando suas conexões nacionais e internacionais por meio do site www.wsf2008.net. Essa mobilização conjunta terá como eixo de luta o enfrentamento da globalização capitalista.
O cenário da globalização capitalista foi bem descrito por Zygmunt Bauman em seu livro Globalização: as conseqüências humanas, publicado pela editora Zahar em 1999. Ele sustenta que o Estado-nação teve sua base material destruída, sua soberania e independência anuladas, sua classe política apagada, tornando-se um “mero serviço de segurança para as megaempresas” (p. 74). O Estado é fraco se considerarmos os seus serviços para a comunidade e forte no atendimento aos interesses do capital. As empresas e corporações transnacionais é que têm força política. Mas elas precisam do Estado-nação para o acúmulo do capital e o Estado faz o serviço sujo para elas: a repressão. Para o acúmulo, o capital precisa de exploração econômica, que faz diretamente por meio do controle dos salários, e de dominação política, que ele exerce por meio do Estado-nação.
O professor Francisco de Oliveira, ao ser entrevistado pelo jornal Folha de S.Paulo, afirmou, há alguns meses, que, com a globalização “os governos nacionais tornaram-se irrelevantes”. De fato, eles estão se transformando em prestadores de serviços do poder econômico. O Estado-nação, como “forma do capital” (a expressão é de John Holloway) cumpre o papel repressivo de que precisa o capital e que ele não pode exercer diretamente. Isso não significa que a política não importe mais. Importa. Ela é uma arena de luta entre capital e trabalho. A luta no interior do Estado-nação não deixou de ser relevante com a globalização capitalista, mas ela não prescinde da mobilização popular.
A globalização é o ápice de um processo de internacionalização do capital impulsionado pelas novas tecnologias, principalmente as tecnologias da informação. O capitalismo globalizou-se. Global também deve ser a luta contra ele e por uma outra globalização. Os grandes movimentos altermundistas iniciados nos anos 90 do século passado, como os de Seattle, Melbourne, Praga, Quebec, Genebra, Colônia, Washington, Bologna, Praga, Gênova, Cancún e outros, promoveram grandes manifestações, que foram retomadas pelo FSM 2008, aglutinadas numa aliança mundial contra a globalização neoliberal e por um outro mundo possível. Dia 15 de fevereiro de 2003, por exemplo, o FSM promoveu uma grande manifestação mundial contra a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, reunindo milhões de pessoas em diferentes partes do mundo. Espera-se que a manifestação de 26 de janeiro de 2008 tenha o mesmo êxito. Por tudo isso é tão importante a mobilização programada pelo FSM 2008. O desafio é envolver cada vez mais gente no processo de construção altermundista, principalmente os mais empobrecidos. Jornadas de luta deverão se multiplicar daqui para a frente, fortalecendo o papel político do FSM.
No próximo número comentaremos a realização do FSM 2009 que retornará ao Brasil (Belém).
NOTAS
Dia de Mobilização e Ação Global – 26 de janeiro de 2008. Acesse www.wsf2008.net para aderir ao chamado e ver quem já aderiu.
Fórum Social do Mercosul – de 26 a 30 de janeiro de 2008 – Curitiba (PR). www.forumsocialdomercosul.org
Leia mais: www.forumsocialmundial.org.br



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