FSM 2009: Belém, Amazônia

Fórum Social Mundial em movimento Por   Em janeiro de 2009, a capital do estado do Pará, Belém, sediará a nona edição do Fórum Social Mundial. Belém...

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Fórum Social Mundial em movimento

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Em janeiro de 2009, a capital do estado do Pará, Belém, sediará a nona edição do Fórum Social Mundial. Belém tem 1,5 milhão de habitantes, é uma cidade histórica e de tradição revolucionária. O tema que dominará a maior parte dos debates será, certamente, o aquecimento global e a sustentabilidade planetária. Confrontamo-nos hoje com um modelo predatório de desenvolvimento cujo início remonta a meados do século XVIII.
A Amazônia é tema chave deste megaevento. Patrimônio da humanidade, a região abrange nove países e possui a maior diversidade biológica da Terra. Mas essa imensa pluralidade de modos de vida está sendo destruída pela globalização capitalista. O que se passa hoje na Amazônia é um exemplo do quanto é insustentável o modelo capitalista de produção e de consumo.
Foi esse modelo insustentável que gerou as grandes crises atuais, todas elas interligadas: 1ª – Crise social mundial: pobreza e exclusão, cruel e sem piedade com os membros da mesma espécie; 2ª – Crise da água potável: muitas crianças morrem de doenças causadas pela falta de tratamento do esgoto e da água, cada vez mais escassa; 3ª – Crise de alimentos, agravada com a crise da água; 4ª – Crise do efeito estufa que está acelerando o aquecimento global; 5ª – Crise energética: o petróleo é hoje o sangue do sistema e ele não é uma fonte renovável de energia. Se essas crises não forem superadas não haverá nada para compartilhar no futuro. Muito mais do que uma crise de modelo de desenvolvimento, vivemos hoje uma crise de civilização. Na Rio+10, organizada pela ONU, em 2002, na cidade de Joanesburgo, África do Sul, constatou-se o fracasso das medidas tomadas dez anos antes no Fórum Global Rio-92. No início de 2007, o mundo tomava conhecimento, através do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC), de que a maior consciência ecológica que se seguiu à Rio-92 não fora suficiente para evitar a catástrofe climática. O aquecimento global já não é um episódio distante. Seus efeitos começam a se fazer sentir em todo o planeta. Agora, já ultrapassamos o limiar apontado, em 1968, pelo Clube de Roma.
Em poucos anos, pela ação dos seres humanos, ficou demonstrado que o aquecimento global é uma realidade. E precisamos aprender a conviver com ele. Não temos mais escolha: ou mudamos o nosso modo de produzir e reproduzir nossa existência no planeta, ou simplesmente morreremos. Ou inventamos um novo modo de viver ou morremos. A temperatura do planeta poderá subir até o final do século entre 2o C e 4o C, com graves conseqüências para todos os ecossistemas da Terra.
O relatório da ONU mostrou que a taxa de aumento da emissão de gases que provocam o efeito estufa está no setor de energia, que cresceu 145% nos últimos 15 anos, no setor de transporte (120%), no setor industrial (65%), no setor florestal por desmatamento e queimadas (40%). Em princípio, todos podemos contribuir para reduzir a emissão de gases-estufa, mudando nosso estilo de vida, utilizando menos energia (desligar a luz, colocar o ar condicionado não tão frio…), usando transporte coletivo, deslocando-se mais a pé, trabalhando mais em casa (pela internet) etc. Precisamos olhar para dentro de nós mesmos, para nosso estilo de vida, para nossos padrões de consumo insustentáveis: enquanto os veículos contribuem com 14% da emissão dos gases de efeito estufa, os animais contribuem com 18% (o consumo de carne no mundo dobrou nos últimos cinco anos). Agora temos que criar estratégias para sobreviver, primeiro nos preparando para as mudanças e, segundo, diminuindo os efeitos negativos do aquecimento global, por exemplo, rearborizando o planeta e não repetindo o que foi feito no passado.
Os impactos futuros do aquecimento global revelados pelos relatórios do IPCC mostram riscos à saúde pública, sobretudo nos países menos desenvolvidos como o Brasil. Nas sociedades subdesenvolvidas, deverá ocorrer aumento dramático de doenças diarréicas e cardiorrespiratórias. Tais enfermidades deverão aumentar o número de óbitos entre as populações mais vulneráveis. Nas regiões mais pobres os impactos do aquecimento global deverão ser ainda piores.
Por tudo isso, o FSM de Belém, deverá se constituir numa oportunidade ímpar da sociedade civil global fazer-se ouvir. Também irá permitir o contato pessoal dos habitantes de Belém e região, que inclui indígenas, ribeirinhos, comunidades quilombolas, com numerosos participantes que irão chegar de todas as partes do mundo. Essa é uma das grandes conquistas do FSM. Ele conseguiu criar uma identidade planetária, contra a globalização capitalista, que não existia até então, permitindo uma nova compreensão da revolução.
No próximo número falaremos do trabalho de enlace do FSM. F

NOTAS
Dia de Mobilização e Ação Global – 26 de janeiro de 2008. Acesse http://www.wsf2008.net/ para aderir ao chamado e ver quem já aderiu.
Fórum Social do Mercosul – de 26 a 30 de janeiro de 2008 – Curitiba (PR). http://www.forumsocialdomercosul.org.
Leia mais: www.forumsocialmundial.org.br



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