México, Peru e Colômbia: a direita sofre

Desde a eleição de Hugo Chávez, na Venezuela, no final de 1998, a América Latina vive uma situação inédita na sua história. Por Altamiro Borges   Desde...

151 0

Desde a eleição de Hugo Chávez, na Venezuela, no final de 1998, a América Latina vive uma situação inédita na sua história.

Por Altamiro Borges

 

Desde a eleição de Hugo Chávez, na Venezuela, no final de 1998, a América Latina vive uma situação inédita na sua história. Vários governantes progressistas, alguns deles oriundos do movimento social – como o operário Lula e o camponês Evo Morales, venceram eleições. Essa mudança no tabuleiro político, encarada por Washington como um perigoso processo de esquerdização do continente – conforme o rótulo de um documento escrito por FHC para o governo Bush –, só não vingou nas eleições presidenciais da Colômbia, México e Peru. Nelas, a maré mudancista foi contida, com a vitória de candidatos vinculados ao projeto neoliberal e alinhados aos EUA.
A vida desses políticos de direita, porém, não tem sido nada fácil. No México, Felipe Calderón, um tecnocrata ligado à seita fascista Opus Dei, ganhou as eleições em julho do ano passado num tapetão grotesco. A fraude eleitoral, denunciada por inúmeras entidades internacionais, até hoje é motivo de controvérsia no Judiciário. A oposição, liderada pelo PRD, tem realizado constantes e gigantescas passeatas na capital exigindo a anulação do pleito e a posse de Lopes Obrador, um político de centro-esquerda. O processo de “desobediência civil”, com protestos e greves, tem se espalhado pelo país, o que paralisa o governo de direita e coloca em dúvida a sua continuidade.
Já na Colômbia, que hoje se parece com uma base militar dos EUA (há mais de 800 consultores ianques no país e o governo Bush banca bilhões de dólares na luta contra as guerrilhas rurais), o presidente reeleito Álvaro Uribe também está na berlinda. Seus vínculos com os paramilitares e os narcotraficantes, antes denunciados pelas entidades de direitos humanos, foram confirmados. Uma ministra e vários comandantes das Forças Armadas já caíram e as denúncias evidenciam que Uribe – cujo pai foi detido por tráfico de drogas e que já advogou para as máfias da cocaína – foi eleito, não só com a ajuda de Bush, mas graças ao dinheiro do narcotráfico e ao apoio de mercenários.
Por último, no Peru, novamente presidido por Alan Garcia, que nos anos 1990 havia sido deposto devido às denúncias de corrupção, o quadro político se agrava ainda mais rapidamente. Uma paralisação de professores, iniciada em junho, contagiou o país e ganhou contornos de uma greve geral, com o apoio da maior central sindical, a CGTP. Como resposta, o presidente tirou de vez a máscara de democrata e mandou reprimir violentamente os protestos, causando várias mortes. Pesquisas confirmam a vertiginosa queda de popularidade de Alan Garcia e crescem as especulações sobre um novo impeachment. Já Ollanta Humala, militar nacionalista que quase venceu as eleições do ano passado, ressurge como uma alternativa viável de centro-esquerda para o país.
Como se nota, a direita neoliberal está agonizando e não consegue mais seduzir os povos da região. No Brasil, por exemplo, o PFL muda de nome para esconder sua opção liberal e vira DEM (ou Demo); já o PSDB não consegue reunir numa mesma sala os tucanos José Serra e Aécio Neves. Isto, porém, não significa que a direita neoliberal, representante dos interesses do capital financeiro e das grandes corporações, esteja morta. Bafejada pela mídia hegemônica, que hoje é, de fato, o autêntico “partido do capital”, ela ainda conspira contra os anseios de mudanças do povo. E não vacila em ensaiar vaias no Pan ou em agir como urubu na tragédia da TAM.



No artigo

x