Momento crucial para o FSM

Editorial de fevereiro Por   Este ano, o Fórum Social Mundial foi totalmente descentralizado. Sem um evento único, diversas atividades foram realizadas em 80 países, com milhares...

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Editorial de fevereiro

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Este ano, o Fórum Social Mundial foi totalmente descentralizado. Sem um evento único, diversas atividades foram realizadas em 80 países, com milhares de participantes unidos sob a égide da construção do “outro mundo possível”. O formato possibilitou vários avanços importantes, destacados por membros do Conselho Internacional (CI), como a valorização de questões locais, entendidas como parte de um contexto mais amplo, e o destaque dado pelas mídias regionais, que antes não destacavam o Fórum.
Porém, é inegável que o FSM perdeu visibilidade na grande mídia e até na imprensa alternativa. Um problema que não é só de hoje, mas que, com esse formato, foi agravado.
Uma questão, aliás, levantada por um dos principais nomes do Fórum, Ignacio Ramonet, que já demonstrou em entrevista preocupação com os rumos do FSM. “Tampouco se fala do Fórum Social Mundial. Preocupa-nos esse silêncio, porque demonstra que os outros ganharam a batalha.”
Talvez o diagnóstico seja muito crítico, mas o fato é que a discussão estratégica do FSM, realizada constantemente nos eventos ligados ao Fórum e nas reuniões do CI, deve ser ainda mais aprofundado, já que existem questões urgentes para serem tratadas. Em matéria desta edição, Walden Bello, diretor executivo do Focus on the Global South, afirma que o FSM “está em uma encruzilhada” e que a metodologia de espaço aberto deveria ser questionada. Já Chico Whitaker, um dos idealizadores do Fórum, respondeu que encruzilhadas não têm necessariamente que fechar caminhos e que a metodologia de espaços abertos possibilita que os movimentos construam coalizões globais e manifestos comuns.
Discutir o FSM não é negar seus méritos. A articulação de movimentos, o contato entre realidades distintas, o intercâmbio de informações e experiências que ele proporcionou e proporciona são conquistas que mudaram a própria forma de pensar a política. Mas também é inegável que é preciso refletir e agir além, sob o risco de que mesmo esses grandes avanços sejam obscurecidos por um possível refreamento das forças que constituem o Fórum. E a edição de 2009 em Belém pode se tornar o grande divisor que vai fortalecer o acontecimento mais relevante para o campo progressista neste século XXI.



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