Nairóbi 2007: balanço e prospectiva

FSM em processo Por Moacir Gadotti   Os preparativos para a sétima edição do FSM estão mobilizando ONGs e movimentos sociais em todos os continentes. Pela primeira...

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FSM em processo

Por Moacir Gadotti

 

Os preparativos para a sétima edição do FSM estão mobilizando ONGs e movimentos sociais em todos os continentes. Pela primeira vez, a África sediará, em Nairóbi (Quênia), uma edição do Fórum Social Mundial, de 20 a 25 de janeiro de 2007. A escolha desse continente é uma opção estratégica do Conselho Internacional do FSM.
A África é composta por 54 países, divididos em cinco grandes sub-regiões. Dois terços desses países são considerados subdesenvolvidos e 50% deles têm regimes políticos não-democráticos. O continente é a principal vítima da acumulação do capital e da atual globalização neoliberal. A África não é pobre. A África é desigual. Ela foi empobrecida pela exploração econômica e pela dominação política.
A diáspora provocada pela escravidão marcou a história desse continente. Por isso, o tema da reparação deverá ser debatido em Nairóbi, ao lado da dívida externa que gerou tanta miséria. O Fórum de Nairóbi deverá unir os afro-descendentes da diáspora (Brasil, EUA, Caribe etc) e também muitos africanos contra o neoliberalismo. A exploração, o colonialismo e o apartheid continuam. Novos movimentos e novas alianças deverão surgir, fortalecendo os laços entre os movimentos africanos e os movimentos de outros continentes.
Não se trata de um Fórum em solidariedade à África. O FSM não é composto de “doadores” e “receptores” de solidariedade. Todos os participantes do Fórum de Nairóbi aprenderão muito nesse evento, fortalecendo a unidade da luta africana contra o neoliberalismo.
O desafio que deverá ocupar todo o evento vem de dentro do próprio Fórum, com relação ao seu formato. Basicamente, trata-se de responder a pergunta: como estamos, desde já, construindo esse outro mundo possível? Como nos escreveu, recentemente, Antonio Mar­tins, da ONG Attac Brasil, “ao chegar a sua sétima edição, na África, o FSM defronta-se com uma pergunta crucial: depois de termos suscitado a esperança de um mundo novo possível, seremos capazes de realizar a promessa? Esta pergunta, que os próprios participantes dos Fóruns fazem a si mesmos, cada vez com mais freqüência, precisa ser debatida abertamente e com franqueza, no ambiente do próprio FSM, por intelectuais e ativistas de múltiplas origens e sensibilidades.”
É um tempo de balanço e de prospectiva. Por isso, a preparação da sétima edição do FSM é muito importante. Precisamos preparar os caminhos para a construção do mundo novo. Nessa construção devemos considerar a autonomia da sociedade, uma nova cultura política, como passar dos sonhos aos direitos reais, como vamos nos relacionar com os governos e partidos progressistas. Trata-se de ver o FSM não apenas como um espaço aberto e auto-organizado, mas também como um novo sujeito político coletivo. Em sua Carta de Princípios ele é definido como “um espaço aberto de encontro para o aprofundamento da reflexão, o debate democrático de idéias, a formulação de propostas, a troca livre de experiências e a articulação para ações eficazes”.
A consulta sobre ações, campanhas e lutas, preparatória ao FSM 2007 foi encerrada em agosto e agora estão sendo analisados os dados resultantes que ajudarão a definir os espaços temáticos do evento. A página da consulta (http://consultation.wsf2007.org/) permanecerá no ar para permitir a visibilidade, o diálogo e a articulação entre as diversas ações, campanhas e lutas. Será possível ainda cadastrar-se como organização e preencher o formulário. Porém, as novas respostas que surgirem já não influenciarão na arquitetura do evento de 2007. O portal está disponível em castelhano, inglês e francês: (http://www.forumsocialmundial.org.br/dinamic.php?pagina=faqs_consulta2007_po). No próximo número continuaremos discutindo o desafio que representa o VII FSM em Nairóbi. F



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