O legado para a cidade será transformador

O baiano Orlando Silva Jr., ex-presidente da UNE e filiado ao PCdoB, é desde abril deste ano o ministro do Esporte do governo Lula. É a ele quem cabe a tarefa de garantir no...

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O baiano Orlando Silva Jr., ex-presidente da UNE e filiado ao PCdoB, é desde abril deste ano o ministro do Esporte do governo Lula. É a ele quem cabe a tarefa de garantir no plano federal as condições para que o Pan-Americano de 2007, no Rio de Janeiro, seja mais do que apenas uma edição dos Jogos para o país. Em entrevista a Fórum, ele explica o que lhe faz crer nessa possibilidade.

Por Por Vitor Nuzzi

 

Fórum – O que vai ficar para o Rio de Janeiro e para o país?
Orlando Silva Jr. – O legado vai ser para o Brasil. Do ponto de vista esportivo, os Jogos vão dotar o país, na cidade do Rio de Janeiro, de uma infra-estrutura esportiva capaz de receber qualquer competição internacional. E os Jogos tensionam mais as nossas forças para a preparação da delegação. É importante fazer uma grande festa, mas também participar da festa como destaque. Esperamos a elevação do nível técnico do esporte em nosso país. O investimento gerou alguns milhares de empregos no Rio, tem impacto importante no desenvolvimento econômico. E, vinculado ao Pan, pela primeira vez nas Américas teremos Jogos Pan-Americanos casados com Jogos Parapan-Americanos. Isso dá visibilidade às pessoas com deficiência. É uma bela mostra da capacidade de superação dessas pessoas.

Fórum – A gente sabe que o Brasil é o país do futebol. O que pode ser feito para que o atleta amador tenha melhores condições de desenvolver o seu trabalho?
Silva – Trabalhamos para que seja, cada vez mais, o país do esporte. O futebol é uma modalidade que dá identidade ao Brasil, que move as paixões do nosso povo. Mas em outras modalidades, como o vôlei, o Brasil já atingiu nível de excelência. No basquete, atletismo, judô, o país tem tradição e um desenvolvimento importante. Para nós, o desafio central passa pela vinculação entre esporte e educação. Isso vai permitir trabalhar com o público da infância, da adolescência e da juventude. A multiplicidade de modalidades praticadas vai se desenvolver mais à medida que possamos aproximar mais o esporte da escola. Isso exige investimento em infra-estrutura nas escolas – hoje, praticamente a meta
de não possui equipamento esportivo. Se durante a semana as crianças podem utilizar, no fim de semana a comunidade também pode.

Fórum – Às vezes uma equipe fecha por falta de patrocínio…
Silva – As estatais, em combinação conosco, têm cuidado sobretudo das seleções nacionais. A Lei Agnelo – Piva (que repassa ao esporte 2% da arrecadação das loterias federais) reforça o trabalho das seleções e permite o trabalho de base. Hoje, temos dezenas de técnicos treinando as nossas seleções graças aos recursos da lei. E o nosso desafio é garantir a permanência do investimento privado em clubes, associações e campeonatos. Algumas empresas conseguiram perceber o potencial do esporte para o fortalecimento de sua imagem institucional e de sua marca.

Fórum – Fala-se no modelo de Barcelona, que era tida como uma cidade decadente e se transformou após a Olimpíada de 1992. Isso pode acontecer aqui?
Silva – Barcelona é um caso típico, porque o franquismo (referência ao governo do ditador Francisco Franco, que ficou no poder na Espanha de 1939 a 1975) concentrou investimentos na capital, e Barcelona ficou por décadas um pouco abandonada. E os Jogos Olímpicos se transformaram numa oportunidade para a completa alteração do perfil daquela cidade. Os Jogos Pan-Americanos preparam o Rio para ser um grande destino turístico. E o prepara, sobretudo, para os Jogos Olímpicos. Não tenho dúvida de que o legado que vamos deixar para a cidade será transformador. Além do esportivo, propriamente, existe um legado na área de segurança pública, de inteligência, qualificação das polícias, armamento e transporte. O legado social significa mobilização da cidade, sobretudo de crianças e jovens em projetos esportivos e de qualificação profissional. F

Para nunca esquecer

O grande pulo de João
No Pan de 1975, no México, João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, quebrou o recorde mundial do salto triplo, com 17,89 metros. Por uma ironia trágica, teve a perna direita amputada em conseqüência de um acidente de carro sofrido em 1981. Morreu em 1999.

Virada histórica
Em 1987, a seleção brasileira de basquete masculino conseguiu uma façanha considerada impossível: derrotar os Estados Unidos – e na casa do adversário. Depois de perder o primeiro tempo por 68 a 54, o time virou para 120 a 115.

Novamente tri
Em 1999, Eronilde Araújo tornou-se o segundo tricampeão Pan-Americano do Brasil, vencendo a prova de 400 metros com barreira (em 1951-55-59, Adhemar Ferreira da Silva foi tri no salto triplo).

Rei da piscina
Gustavo Borges é o brasileiro com maior número de medalhas em Pans: 19 no total, em 1991 (cinco), 1995 (cinco), 1999 (cinco) e 2003 (quatro), sendo oito de ouro.

O Brasil no Pan
Ano Local Classificação
1951 Buenos Aires (Arg.) 5º (Campeão: Argentina)
1955 Cidade do México (Méx.) 7º (Campeão: EUA)
1959 Chicago (EUA) 3º (Campeão: EUA)
1963 São Paulo (Brasil) 2º (Campeão: EUA)
1967 Winnipeg (Canadá) 3º (Campeão: EUA)
1971 Cáli (Colômbia) 4º (Campeão: EUA)
1975 Cidade do México (Méx.) 5º (Campeão: EUA)
1979 San Juan (Porto Rico) 5º (Campeão: EUA)
1983 Caracas (Venezuela) 4º (Campeão: EUA)
1987 Indianópolis (EUA) 4º (Campeão: EUA)
1991 Havana (Cuba) 4º (Campeão: Cuba)
1995 Mar del Plata (Arg.) 6º (Campeão: EUA)
1999 Winnipeg (Canadá) 4º (Campeão: EUA)
2003 Santo Domingo (RD) 4º (Campeão: EUA)

Olho neles
O Brasil terá 1.700 atletas no Pan. Algumas das nossas maiores esperanças de medalhas são, claro, Daiane dos Santos e Diego Hipólito, na ginástica; e Flávio Canto, no judô – além de outras modalidades individuais e coletivas, como o vôlei masculino. Mas há alguns nomes menos conhecidos do público, que no entanto já estão brilhando em suas áreas. Conheça alguns deles.
Flávia Delaroli (natação)
23 anos, nasceu em Ipatinga (MG), ganhou medalhas de prata e bronze no Pan de 2003.
João Derly (judô)
Campeão mundial em 2005. Tem 25 anos e é gaúcho de Porto Alegre (RS).
Natalia Falavigna (taekwondo)
Campeã mundial na modalidade em 2005, 22 anos, nasceu em Maringá (PR), mas foi pequena para Londrina. Em maio deste ano, ganhou o Mundial Universitário.



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