O pior não é ser de direita

Editorial de março Por   Esta não é a primeira vez que a revista Fórum trata do jornalismo praticado pela Veja. Em outras ocasiões, já se falou...

249 0

Editorial de março

Por

 

Esta não é a primeira vez que a revista Fórum trata do jornalismo praticado pela Veja. Em outras ocasiões, já se falou aqui a respeito dos métodos
da publicação da Abril e, nesta edição, com a entrevista de Luís Nassif, voltamos ao assunto.
Muitas pessoas acham que a Veja é uma revista “de direita”. Assumir uma posição ideológica ou política não é propriamente um mal para veículos de imprensa. Ao contrário, é uma forma de respeitar o leitor e deixar clara sua orientação editorial, algo normal e saudável nas democracias. O mal da referida publicação não é o seu posicionamento, mas sim o jornalismo que ela faz. Ou melhor, que deixa de fazer.
A Veja já foi uma referência na mídia impressa brasileira, mas nos últimos anos vem se prestando simplesmente a fazer um discurso que agrada a uma parcela da classe média brasileira. E foi na crise política de 2005 que a revista se perdeu definitivamente. Reportagens com páginas e páginas de ilações, hipóteses sustentadas por fontes em off (por vezes necessárias na atividade jornalística, mas utilizadas de forma desmedida pela revista), comprometeram o pouco que restava da imagem de uma publicação semanal que se pretende séria. E o jornalismo foi deixado de lado. O pior é o tipo de influência que uma publicação como essa pode ter nas faculdades de Comunicação do Brasil, com estudantes acreditando que jornalismo se faz somente baseando-se em factóides, meras opiniões ou “achismos”, sem se adotar qualquer tipo de rigor ou método. E é por isso que é necessário se discutir a Veja. Quando esse debate é feito, pode-se refletir sobre uma das funções essenciais a que o jornalismo se presta: fiscalizar o poder público. Um papel que a publicação da Abril finge fazer, mas que só afeta a credibilidade daqueles que de fato têm isso como um norte.



No artigo

x