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Jazz é tudo Por Por Marco Frenette   Jazz, o samba norte-americano, o gênero das metamorfoses melódicas e rítmicas, tem no Brasil um evento à altura de...

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Jazz é tudo

Por Por Marco Frenette

 

Jazz, o samba norte-americano, o gênero das metamorfoses melódicas e rítmicas, tem no Brasil um evento à altura de sua riqueza. É o Festival Internacional de Jazz de Ouro Preto, mais conhecido como Tudo é Jazz. Em sua quinta edição, mais uma vez reúne músicos e grupos de várias tendências, muitos com trabalhos marcadamente autorais ou experimentais. É o caso do inventivo saxofonista italiano Francesco Cafiso, um jovem que já é mestre na improvisação; e do pianista norte-americano Jason Moran e de sua banda, The Bandwagons, os quais renovam o jazz com experimentações tecnológicas, mas sem exageros. A tradição também estará muito bem representada, pois a Preservation Hall, lendária banda de Nova Orleans, estará na cidade histórica. Entre os representantes da música instrumental brasileira, gente boa, como o bandolinista Hamilton de Holanda e o compositor e instrumentista Toninho Horta. O festival vai ter oficinas gratuitas e a mesa-redonda “O Novo Jazz do Velho Mundo”, com a participação de Gary Giddins, um respeitado crítico norte-americano de jazz, e de especialistas brasileiros, como Zuza Homem de Mello, Carlos Conde e Ivan Monteiro. Informações no sítio www.tudoejazz.com.br

Dramas & chumbo
O western é um dos maiores gêneros do cinema e tem uma das mais fortes simbologias de conquistas e confrontos: duelos ao entardecer, viagens por regiões inóspitas, a dúvida entre a honra e o sexo, entre a amizade e o dinheiro, a necessidade de ser corajoso a qualquer custo. São dilemas pessoais no redemoinho da construção de uma nação, gerando grandes dramas que depois se reduzem ao acionamento nervoso dos mecanismos geniais criados pela Colt e pela Remington. Duas obras-primas desse universo um tanto shakespeariano, Paixão dos Fortes e Butch Cassidy e Sundance Kid, foram lançados em DVD pela Fox Classics. O primeiro, de John Ford, em bonita fotografia preto e branco, é a mitificação do famoso duelo do O.K. Curral, em Dodge City, quando o xerife Wyat Earp (Henry Fonda) e seu amigo e pistoleiro Doc Holiday enfrentaram a família dos Clantons. O outro é dirigido por George Roy Hill, e também é baseado em fatos reais. É a história de uma dupla de ladrões, interpretada por Paul Newman e Robert Redford, os quais se envolvem num triângulo amoroso com a bela Etta Place, vivida por Katherine Ross.

Palavras que soam
A Editora 34 lançou Catrâmbias!, livro do escritor mineiro Evandro Affonso Ferreira.
É um passeio por sonoridades envolventes e incomuns. Ao mesclar fluxo de consciência com uma enxurrada de palavras de seu léxico particular, faz surgir um estilo narrativo original e sedutor.
É melodia e ritmo de um modo ímpar dentro do cenário da literatura brasileira contemporânea.

Arte sem ego
O artista plástico indiano Anish Kapoor veio de uma família judaica. Agora é cidadão inglês e budista. Estudioso do Dharma, tem consciência das limitações do ego e crê que ser artista não é se embriagar com crenças pessoais, mas ser capaz de revelar profundas verdades que pertencem a todos os seres humanos. Vem dessa convicção a força de suas obras, nas quais há uma tridimensionalidade que não marca apenas o espaço físico no qual se insere, mas também o espaço psicológico dos espectadores. É uma contundência que não tem a ver com retratos explícitos das desgraças humanas, mas com uma reformulação das possibilidades estéticas de linhas, planos e texturas. Os cariocas podem ver as obras impressionantes desse artista na exposição Ascension, que fica até 17 de setembro no Centro Cultural Banco do Brasil (rua Primeiro de Março, 66, tel.: 3808 2020). Depois, a exposição passará por Brasília (de 12 de outubro a 7 de janeiro de 2007) e São Paulo (29 de janeiro a 1 de abril de 2007). Ascension é composta por dez trabalhos feitos a partir de 1998, a exemplo de When I am pregnant, parede com protuberância e reentrância em gesso, em duas versões; e Pillar, escultura de aço e laca azul, na qual o visitante pode entrar. Kapoor faz arte contemporânea de verdade, passando bem longe dos incontáveis engodos que afligem museus e visitantes do mundo inteiro

Sonhos do mundo
A escritora dinamarquesa Klaren Blixen é mais conhecida entre nós por ser a autora de A Festa de Babette, transformado em filme por Gustav Axel em 1987 – este é um dos cinco contos que compõem Anedotas do Destino, último livro escrito pela autora e agora lançado no Brasil pela Cosac & Naify. São histórias curtas cheias de maestria, onde o irreal e o plausível se mesclam para mostrar a inescapável necessidade de sonhar. Bem útil é o apêndice com esclarecimentos sobre as referências culturais da autora, que vão desde o Corão e a Bíblia até a tradição nórdica de narrativas populares. Quem assina a nova tradução é Cássio de Arantes Leite.

O inferno são os outros
Com a convicção de que se bastam, um casal apaixonado se isola do mundo em uma cabana. Não demoram para descobrir que o amor pode ser poderoso mas não é mágico – e que a neurose e a paranóia não são privilégios dos que vivem no meio da massa. Em breve, chegará um estranho para completar a triangulação da insegurança humana. Este é o eixo da peça Alguém Vai Vir, do norueguês Jon Fosse, um drama com toques de humor escrito com texto enxuto e repetitivo, no qual as mesmas afirmações ganham significados diferentes. A peça fica até 1 de outubro no Teatro Augusta, em São Paulo (rua Augusta, 943, tel.: 3151 4141).



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